ANÁLISE DE PARÂMETROS METABÓLICOS E CARDIO -RESPIRATÓRIOS DURANTE A EQUITAÇÃO AO PASSO EM ADULTOS JOVENS DO SEXO FEMININO

Ingrid Brasil Strottmann1, Cristiane Guedes Pinto Teixeira2, Carlos Eduardo Araújo Fortes3, Fabiano de Barros Souza4

1,2,3,4 Faculdade de Ciências da Saúde e Faculdade de Educação – Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, Av. Shishima Hifumi, 2911 – Urbanova – São José dos Campos – SP – CEP 12244-000
ingridbrasils@gmail.com, guedinha_sousa@yahoo.com.br, fabiano@univap.br

Abstract: O objetivo desse estudo foi comparar as variáveis metabólicas e cardio-respiratórias, em repouso com as determinadas durante uma montaria ao passo. Foram avaliados 11 indivíduos saudáveis do sexo feminino, com idade média de 20 anos  3, peso médio de 58 Kg  8 e altura de 1,64 m  0,07. Para avaliar os parâmetros metabólicos e cardio-respiratórios foi utilizado um analisador de gases portátil VO2000 (Medgraphics). Nossos resultados demonstraram que no início do exercício há um aumento do consumo de oxigênio, gasto calórico, METs e freqüência cardíaca, quando comparados aos valores do repouso, ocorrendo após um declínio desses valores para posteriormente tornarem-se estáveis até o término da atividade. Os resultados nos permitem concluir que os ajustes posturais induzidos pela equitação são suficientes para produzir respostas metabólicas e cardio-respiratórias no montador.

Palavras-Chave: Equitação, atividade física e ergoespirometria

Introdução
A equitação tem sido considerada como uma importante ferramenta em programas de reabilitação, pois na, andadura ao passo, o dorso do cavalo produz um movimento tridimensional que é transmitido ao montador. O animal envia através do contato com o montador, informações proprioceptivas que exigem ajustes posturais para que ele continue posicionado sobre o cavalo (EQUITAÇÃO, 2003).
Como se sabe a demanda energética de uma atividade física é mensurada através do consumo de oxigênio (VO2)( Rodrigues & Vimieiro-Gomes ,2001) e
qualquer aumento da atividade muscular implica na necessidade de ajustes metabólicos e cardio-respiratórios, (DOUGLAS, 2002).
Ferrari (2003) defende que o movimento rítmico balançante do cavalo é capaz de estimular o metabolismo e a adequação do tônus, melhorando assim o funcionamento dos sistemas cardiovascular e respiratório. Não temos, porém conhecimento de estudos avaliando a magnitude destes ajustes especificamente na equitação ao passo.
O objetivo desse estudo foi comparar variáveis metabólicas e cardio-respiratórias, em repouso com as determinadas durante uma montaria ao passo. Analisamos o comportamento do consumo de oxigênio, freqüência cardíaca, gasto calórico e quantidade de METs em adultos voluntários do sexo feminino.

Materiais e Métodos

Foram avaliados 11 indivíduos saudáveis do sexo feminino, com idade média de 20 anos  3, peso médio de 58 Kg  8 e altura de 1,64 m  0,07. Os critérios de inclusão adotados para o estudo foram: não apresentar fobia a cavalo, ter vida sedentária, não apresentar alterações ou deformidades ortopédicas, bem como doenças pulmonares e ou alérgicas, apresentar boas condições físicas e mentais e estar na faixa etária estabelecida. Os voluntários nunca haviam sido treinados em montaria.
Todos os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética da Universidade do Vale do Paraíba e os indivíduos foram informados sobre o experimento, os objetivos e riscos do presente trabalho e assinaram um Termo de Consentimento para a participação no estudo.
As coletas foram realizadas no Setor de Equoterapia da Universidade do Vale do Paraíba no qual o solo era de piso plano, regular e firme.
Para determinar as variáveis metabólicas e cardio-respiratórias foi utilizado um analisador de gases portátil VO2000 (Medgraphics) fixado ao corpo do indivíduo através de cintos, durante todo o monitoramento em condições de repouso e sobre o animal em movimento. Através de um sistema de telemetria o computador recebia e interpretava o sinal enviado pelo equipamento através de um software da Aerograph.
O VO2000 foi devidamente calibrado, com uma mistura gasosa com valores conhecidos ( 16% de oxigênio e 5% de dióxido de carbono, balanceado com nitrogênio) de acordo com as especificações do fabricante do equipamento.
Inicialmente houve contato do indivíduo com o cavalo a fim de promover uma adaptação entre eles. Durante esta fase, foram fornecidas ao indivíduo, informações e instruções para o uso do equipamento.
A seguir teve início a fase de coleta. Após a colocação de todo o equipamento, o indivíduo permaneceu sentado em repouso durante cinco minutos, sendo monitorizado pelo analisador de gases VO2000. Posteriormente, os indivíduos montaram no dorso do animal utilizando-se de uma manta de espuma revestida com tecido como interface, sendo o animal conduzido ao passo através de uma guia (cabresto) pelo condutor acompanhado de um auxiliar lateral para promover segurança ao voluntário. O tempo de permanência do indivíduo sobre o animal ao passo, realizando a coleta, foi de quinze minutos.
Finalmente, as informações coletadas no programa foram exportadas para o Excel para que fossem analisadas posteriormente. Foi utilizada a análise de variância de One-Way ANOVA, mantendo-se o índice de significância em (p≤0,05).

Resultados

Na tabela abaixo é possível observar os valores médios e desvio-padrão das variáveis metabólicas e cardíaca-respiratórias analisadas nas diferentes etapas da coleta. O comportamento da variáveis analisadas pode ser melhor visualizado nas figuras 1,2,3,4.


Discussão

Em nosso estudo observamos que os ajustes posturais induzidos pela equitação ao passo já são suficientes para produzir alterações metabólicas e cardio-respiratórias. Não temos conhecimento de trabalhos na literatura que avaliem estas alterações durante os ajustes posturais na equitação ao passo que permitam comparação com nossos resultados, contudo, Ferrari (2003) afirma que a mudança constante na movimentação do cavalo é capaz de estimular o sistema vestibular promovendo um ajuste constante do equilíbrio do montador.
Podemos, no entanto analisar nossos resultados frente a outros estudos que se avaliaram o comportamento das variáveis cardio-respiratórias e metabólicas na atividade física.
Mcardle e Katch (2002), afirmam que a maioria das pessoas consegue gerar taxas metabólicas que, em média, são dez vezes maiores que o valor em repouso durante os exercícios realizados com a participação de grandes músculos, como a marcha acelerada, a corrida, o ciclismo e a natação. Da mesma forma, observamos no início do exercício, um aumento dos parâmetros metabólicos e ventilatórios analisados (consumo de oxigênio, gasto calórico, METs e freqüência cardíaca), quando comparadas aos valores do repouso.
Segundo os mesmos autores, o exercício aeróbio leve apresenta um aumento das variáveis metabólicas e respiratórias no início do exercício, ocorrendo após alguns minutos, um declínio desses valores, tornando-se estável até o término da atividade, fato verificado também neste estudo em que após os primeiros cinco minutos, houve uma queda dos valores das variáveis metabólicas e respiratórias.
A relação entre a FC e o consumo de oxigênio demonstram que o comportamento da FC durante o exercício depende, em grande parte, da demanda metabólica na musculatura ativa .
O exercício físico, além de alterações metabólicas, provoca importantes alterações autonômicas que influenciam o funcionamento cardiovascular. Gallo e col, estudando a regulação autonômica da FC em diferentes estágios do exercício, observaram que a taquicardia inicial no exercício depende, principalmente, de uma retirada vagal, enquanto o adicional de incremento na FC numa dada carga absoluta depende de um incremento do sistema nervoso simpático (ALONSO, 1998).
Mcardle e Katch (2002), afirmam que, a freqüência cardíaca de quatro atletas de meia-distância era em média de 122 bpm no início dos comandos para começar a prova. Para correr uma milha a freqüência cardíaca, foi para 118 bpm e duas milhas para 108 bpm.
No entanto, observamos em nosso estudo, que nos primeiros minutos do exercício houve um aumento significativo de todos os parâmetros sem alteração significativa da freqüência cardíaca que pode ter sido influenciado pelo pequeno número da amostra e sua variabilidade. Posteriormente, houve um declínio nos valores de todos os parâmetros entre os últimos minutos de montaria a cavalo.

Conclusão

Foi possível através do método de análise de gases, identificar alterações metabólicas e respiratórias no montador durante a equitação ao passo, e, a equitação pode ser considerada uma atividade física de baixa intensidade, já que nos últimos minutos da coleta, quando estabilizado, obtivemos um pequeno aumento do VO2, METs e gasto calórico em relação ao repouso.

Referências

[1] ALONSO, D.O.; FORJAZ, C.L.M.; REZENDE, L.O.; BRAGA, A.M.F.W.; BARRETO, A.C.P.; NEGRÃO, C. E.; RONDON, M.U.P.B. Comportamento da Freqüência Cardíaca e da sua Variabilidade Durante as Diferentes Fases do Exercício Físico Progressivo Máximo. Arquivo Brasileiro de Cardiologia. São Paulo, v.71, n. 6, 1998.

[2] DOUGLAS, C. R. Tratado de fisiologia aplicada à saúde. 5.ed. São Paulo: Robe editorial, 2002, p. 825-842.

[3] Equitação. Disponível em:
http://www.mundoequino.com.br.
Acesso em 20.Mar.2003b

[4] FERRARI, J.P. A Prática do Psicólogo na Equoterapia. Monografia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo, 2003.

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[6] MCARDLE, W.D.M.; KATCH, F.I.; KATCH, V.L. Fundamentos de fisiologia do exercício. 2.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002, p. 163-280.

[7] RODRIGUES, L. O.C.; VMIEIRO-GOMES, A. C. Avaliação do Estado de Hidratação dos Atletas, Estresse Térmico do Ambiente e Custo Calórico do Exercício Durante Sessões de Treinamento em Voleibol de Alto Nível. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, v. 15, n.2, p.201-211, 2001.

[8] SILVA, P.R.S.; JÚNIOR, P.Y.; ROMANO, A; CORDEIRO, J.R.; BATTISTELLA, L.R. Ergoespirometria Computadorizada ou Calorimetria Indireta: Um Método Não-Invasivo de Crescente Valorização na Avaliação Cardiorespiratória no exercício. Revista Âmbito Medicina Desportiva. São Paulo, v.10, n. 2, p.03-30, 1996.

[9] SILVA, A.C.; TORRES, F.C. Ergoespirometria em tletas Paraolímpicos Brasileiros. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Niterói, v.8, n.3, 2002.

[10] STRATH, S.J.; SWARTZ, A.M.; BASSET JUNIOR, D. R.; O’BRIEN, W.L.; KING, G.A.; AINSWORTH, B.E. Evaluation of Heart Rate as Method for Assessing Moderate Intensity Physical Activity. Medicine and Science in Sports and Exercise, Madison, v.32, n.9, p.465-70, 2000.

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