ANÁLISE DE FATORES ERGONÔMICOS NA ATIVIDADE AGRÍCOLA DE UMA EMPRESA NA CONTRIBUIÇÃO DA PREVENÇÃO DE ACIDENTES E REDUÇÃO DE RISCOS PROFISSIONAIS

Bianca Cristina Abreu Freire*

RESUMO

O diagnóstico ergonômico por realizar-se em situações reais de trabalho torna-se uma importante ferramenta para detecção dos riscos envolvidos com a atividade do agricultor, uma vez que o trabalho pode causar danos ao organismo humano, quando desenvolvido em condições adversas. Os trabalhadores agrícolas encontram-se inseridos no grupo de risco para o acometimento de acidentes e doenças ocupacionais, iguais aos apresentados em outras atividades econômicas. A pesquisa revelou uma estreita relação entre o perfil do agricultor e os acidentes e doenças ocupacionais, bem como aos fatores de risco associados com as atividades executadas. A pesquisa mostrou ainda a necessidade de programas de prevenção contra acidentes e doenças ocupacionais.

Palavras-chaves: Ergonomia, riscos de acidentes, doenças ocupacionais.

ABSTRACT

For taking place in real working situations, ergonomic diagnoses became an important tool for detection of risks involved with farmer’s activities since the work, when developed in adverse conditions can cause damage to the human organism. The Working find themselves inserted in the occupational disease and accident risk group as the ones presented in other economic activity. The reveals the worked and the straight relation between occupational accidents and illnesses and the associated risk with the executed activities. The results show the necessity of prevention programs against accidents and occupational diseases.

Key word: ergonomics, risk factors, occupational disease.

* Bianca Cristina Abreu Freire, Fisioterapeuta, especialista em Ergonomia, Saude e Segurança do Trabalho (UFVJM). E-mail: biabreire@hotmail.com

INTRODUÇÃO

O trabalho agrícola apresenta um conjunto de riscos ocupacionais com gravidade variáveis. De acordo com os processos de trabalhos envolvidos, um dos aspectos de maior risco ocupacional deste trabalho refere-se às más posturas adotadas durante a jornada de trabalho, tais como uso inadequado de equipamentos, ferramentas, produtos químicos e o próprio ambiente de trabalho. Essas posturas estudadas pela ergonomia e pela engenharia de segurança costumam ser analisadas sob o ponto de vista exclusivo do risco que oferecem à saúde do trabalhador, principalmente a carga física demandada em virtude dos esforços desprendidos pelos trabalhadores agrícolas no decorrer da sua jornada de trabalho. Essas cargas, potencialmente, podem alterar o desempenho funcional do agricultor assim como, podem provocar distúrbios posturais e o aparecimento, a curto e/ou a longo prazo, de patologias recorrentes.
Na agricultura, os trabalhadores costumam realizar um conjunto de atividades que exigem elevados esforços que compõem as ações diárias de sobrevivência do meio agrícola. Atividades como longas caminhadas com carregamento de peso, costumam acompanhar a vida dos agricultores desde a infância até a velhice (MONTEIRO & ADISSI, 2000).
Segundo Wisner (1987), as cargas de trabalho podem ser físicas, mentais ou cognitivas e psíquicas. A carga física é decorrente da interação do corpo do trabalhador com sua atividade e seu ambiente de trabalho, onde se pode citar como exemplo o esforço físico, as posturas e os efeitos do ruído, da temperatura e da umidade. A carga mental ou cognitiva é decorrente dos processos cognitivos desenvolvidos na atividade, envolvendo a tomada de decisão, a percepção de informações, o nível de concentração, a memorização, e outros. A carga psíquica relaciona-se com os componentes afetivos negativos que podem ser desencadeados ou agravados pela atividade do trabalho.
Com relação ao trabalho agrícola, apresentam uma carga física que expõe o trabalhador à possibilidade do aparecimento, em curto e/ou longo prazos de distúrbios posturais (risco ergonômico). Em nível cognitivo, a tarefa apresenta exigências de qualidade que envolve o ritmo do deslocamento. Já as cargas psíquicas são decorrentes das tensões provocadas pela tarefa, como o medo das pressões da supervisão do trabalho nas exigências de produtividade e qualidade que se ligam à manutenção do emprego e à remuneração. O estado de medo dificulta uma tomada de decisão e pode provocar tensões musculares, assim como uma sensação de calor intenso também dificulta as tomadas de decisão e pode provocar um estado de desarmonia psíquica (MONTEIRO & ADISSI, 2000).
Laurell e Noriega (1989) acrescentam que, “na interação entre cargas ocorrem processos de adaptação que se traduzem em desgaste, entendido como perda da capacidade potencial e/ou efetiva corporal e psíquica”. A este conceito associa-se a fadiga ou estresse que é causado por um conjunto de fatores oriundos das cargas de trabalho demandadas e, como conseqüência, a pessoa fatigada tende a aceitar menores padrões de precisão e segurança, simplificando a sua tarefa, aumentando os índices de erros, que proporcionarão redução de eficiência e elevação dos riscos ocupacionais (IIDA, 2001).
Neste aspecto, pode-se afirmar que a atividade agrícola de produção demanda cargas de trabalho que podem afetar o organismo do trabalhador levando-o ao desgaste e, com isso, podendo causar problemas agudos e crônicos de saúde ocupacional.

MATERIAL E METODO

A coleta de dados para o desenvolvimento deste trabalho foi realizada com trabalhadores agrícolas na cidade de Jaíba / MG, no período de julho a dezembro de 2007. A jornada de trabalho tinha duração de 8 horas, no período de segunda a sexta-feira. A jornada iniciando às 7 horas, terminando às 16 horas e, o intervalo de almoço com duração de 1 hora, entre 11 e 12 horas. A atividade principal dos trabalhadores na Empresa consistia na implantação e manutenção de povoamentos de Pinhão Manso.
A empresa conta atualmente com 171 funcionários, tendo sido avaliados 26 trabalhadores (22 do sexo masculino e 04 do sexo feminino), na faixa etária de 18 a 41 anos.
O Perfil dos Trabalhadores foi levantado a partir de um questionário aplicado no próprio local de trabalho e consiste no levantamento de informações referentes ao estado civil, a idade, a escolaridade, a alimentação, entre outras.
Nas condições de trabalho, foram avaliadas as características físicas do trabalho, como períodos de pausas, motivação, cansaço físico, salário, entre outros.
A respeito das condições de segurança no trabalho, foi abordado na entrevista, o uso, a reposição, o fornecimento, a obrigatoriedade do EPI. Além disso, foi avaliada a freqüência de acidentes e sua ocorrência pela ausência do Equipamento de Proteção Individual, entre outros.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Foi observado através do estudo que a grande maioria dos trabalhadores, 84,6% é do sexo masculino. Isto se deve ao fato das atividades realizadas exigirem grande esforço físico por parte dos trabalhadores, levando a Empresa por optar por pessoas do sexo masculino, em decorrência dos mesmos apresentarem maior força.
A maior parte dos trabalhadores tem entre 26 e 40 anos, 68,2% predominando, portanto, indivíduos com idade mediana. Provavelmente a preferência por trabalhadores nesta faixa de idade se deve além da resistência física, à necessidade de experiência e, ou habilidade no desenvolvimento das atividades Em decorrência disto, observou-se que os indivíduos com idade acima de 41 foram a minoria , 7,7%.
Quanto ao estado civil, os resultados evidenciaram que, do total de trabalhadores avaliados, a metade é de casados 50%, sendo os outros 50% divididos entre solteiros 30,7% e amasiados 19,3%. O maior percentual de casados é importante devido a um maior comprometimento do trabalhador com a sua atividade. Este percentual de trabalhadores casados foi inferior ao encontrado por Fiedler (1995), em um estudo referente fatores humanos e condições de trabalho em uma marcenaria do Distrito Federal, 60%.
Os trabalhadores apresentam baixa escolaridade, pois em torno de 30,9% têm menos que o primeiro grau. Segundo Almeida (1995), o nível de escolaridade dos trabalhadores agrícolas é, em geral, baixo, em decorrência do baixo padrão de vida e dificuldade de acesso a escolas e, ou ás cidades.
A grande maioria dos trabalhadores 81,0% tem entre 0 a 3 pessoas, e a minoria com 15% de 4 a 6 pessoas dependentes. Os dados são preocupantes se avaliados a questão econômica, tendo em vista a baixa renda por pessoa, já que o número de filhos e/ou dependentes tem envolvimento direto no comprometimento da renda familiar.
Da amostra avaliada, 53,9% dos trabalhadores não possui casa própria. Devido á mecanização tecnológica e conseqüente aumento do desemprego, recentes mudanças, principalmente econômicas, tiveram um grande impacto no emprego, nas condições de trabalho, alimentação e moradia de operários agrícolas e na qualidade de trabalho e de vida.
O estudo realizado mostra que, 73,0% do tipo de moradia são feitas de alvenaria e a minoria dos trabalhadores com 4,0% tem as casas feitas de barro. Pouco se sabe a respeito das condições de moradia das quase 39 milhões de pessoas que habitam a área rural. Sabe-se apenas que a grande maioria vive num regime cada vez mais excludente no que se refere ao acesso a terra e à produção de alimentos para a manutenção da família, o que pressupõe a deterioração de suas condições de vida. (IIDA,2001)
Percebemos que, 100% dos funcionários, realizam pausa para o almoço, tendo a duração de 1 hora. Porém o local é inadequado para realizarem suas refeições e poderem descansar.
Dos trabalhadores 73,0% não recebem o almoço. A maioria dos trabalhadores continuam sendo bóias-frias, no sentido mais popular que tem o termo, que é o de designar aquele trabalhador que transporta a sua própria comida (geralmente o almoço) em caldeirões ou marmitas para o local de trabalho, onde faz as refeições. Por terem que levar a ‘bóia’, estão também expostos ao risco de uma contaminação por agentes biológicos que podem proliferar em razão do calor, isso quando não azedam, podendo ficar sem realizar nenhuma refeição durante todo o dia.
A maioria com, 92,3% dos trabalhadores relatou não realizar outras pausas durante o turno de trabalho. Em trabalhos que exigem atividade física pesada, ou em ambientes desfavoráveis como altas temperaturas ou excessos de ruídos, devem ser proporcionados pausas durante a jornada de trabalho. Para trabalhos moderados, pausas de 10 min a cada hora de trabalho, são suficientes para permitir a recuperação da fadiga. Em geral, pausas de curta duração, embutidas no próprio ciclo de trabalho são mais efetivas que aquelas longas, após o término desse trabalho. Nesse caso pode ocorrer um efeito cumulativo da fadiga e, a recuperação, tornar-se mais difícil. (IIDA, 2001).
Verificamos que, 38,4% dos trabalhadores apresentam como maior motivo para exercer a função, a solicitação da empresa, 30,7% exerce a função por gostarem do que realizam e 15,3% são motivados a trabalhar por ser a função que sabem realizar e, 38,4% consideram possuírem uma remuneração regular. Sendo o salário, umas das maiores motivações para se trabalhar, acredita DELIBERATO (2002) que a motivação é um aspecto que não pode ser excluído da análise do relacionamento entre o homem e o trabalho. Existe no comportamento humano algo que faz uma pessoa perseguir um determinado objetivo por certo tempo, que pode ser breve ou longo, e que não pode ser explicado somente pelos seus conhecimentos, pela experiência ou pelas habilidades. Um trabalhador motivado produz mais e melhor, ao mesmo tempo em que apresenta menor risco de lesão, pois sofre menos os efeitos da monotonia e da fadiga, além de não ser pressionado pela hierarquia superior, já que não necessita de supervisão constante.
Dos trabalhadores, 61,5% recebem um abono salarial. O fator primordial de motivação é o salário, principalmente considerando-se os trabalhadores de renda mais baixa. Assim, os critérios de remuneração e promoção devem estar claramente estabelecidos na relação do homem com o trabalho e, sempre que possível baseado no desempenho das atividades e no nível de aperfeiçoamento pessoal.
Dos indivíduos entrevistados, 26,9% relatam que o trabalho por ser pesado, exige muito esforço. ZILLI (2002) define fadiga muscular como resultado do trabalho muscular prolongado. Desta forma, como conseqüência da fadiga aparece a redução da capacidade para o trabalho, a diminuição da motivação, percepção e atenção, menor capacidade de raciocínio e redução do desempenho físico.
Dos trabalhadores que responderam o questionário, 61,5 % relataram que se sentem mais ou menos cansados ao executar suas tarefas diárias. Fadiga é o efeito de um trabalho continuado, que provoca uma redução reversível da capacidade do organismo e uma degradação qualitativa desse trabalho. A fadiga é causada por um conjunto complexo de fatores, cujos efeitos são cumulativos. Em primeiro lugar, estão os fatores fisiológicos, relacionados com a intensidade e duração do trabalho físico e intelectual. Depois, há uma série de fatores psicológicos, como a monotonia, falta de motivação e por fim, os fatores ambientais e sociais, como iluminação, ruídos, temperaturas e o relacionamento social com a chefia e os colegas de trabalho (IIDA, 1990).
Foi verificada uma alta incidência de pessoas com vontade de mudar de atividade 69,3%, onde um dos fatores relevantes é a carência de motivação enfrentada pelos trabalhadores, sendo necessário que o mesmo não apenas seja capaz, física e intelectualmente, de realizar determinada função, mas que também tenha boa vontade em fazê-la. Sugere-se que façam o uso de cursos de capacitação. Estabelecimento de prêmios de incentivo e de valorização, a procura de recursos para modernizar o labor e oferecer melhores meios ao desenvolvimento de qualquer atividade.
Por intermédio do estudo vimos que, 38,4% dos trabalhadores não realizaram nenhum tipo de seleção para serem admitidos foram solicitados pela empresa e 23% relatam ter feito algum tipo de seleção.
Verificamos que, 69,3% relatam que não receberam nenhum tipo de treinamento. O treinamento é realizado com objetivo de difundir e harmonizar as metas organizacionais, e por outro lado, motivar e envolver todos na perseguição dos objetivos em comuns, desenvolvendo principalmente, a capacidade de ter iniciativa para o trabalho.
A entrevista referencia um valor de 37,5% para os trabalhadores que receberam treinamento e este foi realizado antes de começar a trabalhar ou depois de certo tempo que já trabalhava. O consumo de energia reduz-se, a fadiga diminui e a sua produtividade aumenta. Um trabalhador experiente consegue regular o seu gasto energético, de modo que possa suportar bem a longa jornada de trabalho. (IIDA, 2001).
O nível de treinamento foi considerado como Bom (37%), pelos entrevistados. A política do treinamento não poderá ser limitada a preparar empregado visando apenas ao aumento do desempenho na sua função atual, mas qualificá-lo para o desempenho de funções futuras. Deverá apoiar o acesso funcional na carreira e o desenvolvimento profissional contínuo.
A maior dificuldade relatada pelos trabalhadores que realizaram treinamentos foram, os treinamentos em período curto, 75,0% porém houve manifestações por treinamentos constantes. Treinamento é o enriquecimento da memória com conhecimento operacional. (IIDA, 2001).
Dos trabalhadores, 69,2% relatam ter o desempenho do trabalho afetado pela alimentação e pausas inadequadas e 23,0% da população relatam que as condições ambientais (calor) prejudicam o desempenho do trabalho.
A exposição crônica à luz solar representa um considerável fator de risco de se adquirir uma neoplasia. A exposição repetida e excessiva aos raios solares (raios ultravioletas), por períodos superiores a 15 ou 30 anos, provoca alterações capazes de evoluir para o carcinoma. As radiações solares por longos períodos, sem observar pausas e as reposições calóricas (controle nutricional) e hídricas necessárias, desencadeiam uma série de problemas de saúde como: câimbras, síncopes e exaustão por calor, envelhecimento precoce e câncer de pele, desidratação, anemias (IIDA, 2001).
Dos trabalhadores 74,0% não realizam outras atividades. Porém 23,0% executam outras atividades não pertencentes a sua função, podendo acarretar prejuízos ergonômicos.
Segundo Nascimento (1992), todas as situações em que o trabalhador tenha que fazer força física acentuada e inadequada é antiergonômico. Podemos encontrar conseqüências como distensões músculo-ligamentares, compressão de estruturas nervosas, desinserção da extremidade de fixação do osso e dor.
Apenas 15,4% dos trabalhadores responderam que sentem algum tipo de dor. Parte-se do pressuposto de que saúde-doença é também um processo social, pois está direta ou indiretamente relacionada às condições de vida e trabalho dos indivíduos.
Os trabalhadores tanto podem adoecer de forma genérica, dependendo do espaço e do tempo histórico em que vivem, como também, dependendo do modo como se organiza e realiza o trabalho que eles executam para viver. (Laurell e Noriega, 1989)
O serviço de saúde na empresa atende a uma grande parte das necessidades, mas o fator produção com serviços especializados ainda é deficiente na área médica, talvez por se tratar de área rural, não foi possível, manter o profissional de saúde em tempo integral.
Dentre os entrevistados, a totalidade, 100% dos trabalhadores afirmam que havia uma reposição adequada aos equipamentos de proteção individual. Quando o trabalhador adoece, as práticas são curativas e direcionais, mais para a recuperação do indivíduo enquanto força de trabalho, do que para a proteção de sua saúde, o uso do EPI, é ás vezes, considerada a forma mais eficiente de controle e monitoramento dos riscos ambientais, e praticamente, a única maneira de proteger o trabalhador contra acidentes e doenças do trabalho (Brasil, 1997).
Verificamos que, 42,3% dos trabalhadores entrevistados já deixaram de sofrer acidente por estar usando um EPI. O incentivo ao uso deste, é uma ação que tende a trazer bons resultados na agricultura, pois há a predisposição a aceitar o seu uso. Dos entrevistados, 61,5% relatam que a falta de atenção é a principal causa dos acidentes. A determinação dos principais tipos de acidentes torna possível a detecção das causas do mesmo. Conhecendo as causas, pode-se atuar no sentido de eliminá-las. As principais causas de acidentes são ocasionadas por atos inseguros, que são obtidos pela soma das porcentagens das causa específicas, falta de atenção, falta do EPI, condição inadequada do trabalho. (IIDA, 2001).
Os funcionários da empresa relataram que profissão de trabalhador agrícola, apesar de cansativa e de oferecer riscos à saúde do trabalhador foi considerada satisfatória pela metade dos trabalhadores (50%), tendo uma porcentagem de apenas (3,8%) de trabalhadores insatisfeitos.

CONCLUSÃO

A importância econômica e social da agricultura dentro do nosso país representada pelo grande contingente de pessoas que nela sobrevive, indica a necessidade de programas que visem seu fortalecimento, como grupo social e econômico de produção agrícola.
Este estudo permitiu verificar os fatores que podem vir a desencadear doenças ocupacionais e acidentes, suas conseqüências e suas formas de prevenção, com o intuito de comprovar que atitudes prevencionistas, tanto por parte do trabalhador quanto da empresa, é a maneira mais fácil de conter o aparecimento destes problemas.
A utilização de estudos ergonômicos na busca da melhoria da qualidade de vida no trabalho, apesar de não ser uma proposta inédita, é de fundamental importância na proposição de novas situações de trabalho a serem exploradas, a fim de que se possam conhecer suas especificidades, suas limitações e seu potencial.
Devido à rápida evolução tecnológica da atualidade, a prevenção apresenta-se como a principal e melhor opção no trato das doenças ocupacionais e acidentes, cabendo aos profissionais da área de saúde ocupacional a missão de incentivar a adoção de medidas que visem pelo menos estacionar tais problemas e interferir decisivamente contra o surgimento de novos casos.
Uma das formas de se evitar alguns dos problemas apresentados neste estudo corresponde à mecanização das atividades, com o intuito de reduzir o esforço físico e o risco de acidentes. Neste sentido, é fundamental se preocupar em melhorar as condições de trabalho em todas as atividades desenvolvidas na empresa, onde o esforço humano e o risco estiverem presentes, apesar do aumento do desemprego trazido pela mecanização.
Verificou-se que entre os diversos problemas identificados como: trabalho fisicamente pesado, posturas inadequadas e estáticas; vibração, transporte manual de cargas, entre outras, que a principal causa de tudo isso se deve a falta de preparo e conhecimento das formas adequadas de lidar com estas situações. Faz-se assim necessário, uma maior atenção nas intervenções destinadas a proporcionar melhorias nas diversas atividades desenvolvidas na empresa.
O estudo ergonômico por realizar-se em situações reais de trabalho é uma importante ferramenta para detecção dos problemas de saúde e de riscos envolvidos em trabalhos agrícolas.
Os trabalhadores agrícolas avaliados encontram-se inseridos no grupo de risco 4 (alto) para o acometimento de acidentes e doenças ocupacionais, iguais aos apresentados em outras atividades econômicas problemáticas.
Aplicando-se a ergonomia, o trabalho poderá ser executado de forma mais saudável e menos desgastante, tornando, o mesmo, mais seguro, eficiente e eficaz, favorecendo uma maior rentabilidade do negócio e ganhos para toda a sociedade.
Assim, pode-se dizer que o trabalho agrícola no Brasil apresenta paradoxos que terão que ser enfrentados e resolvidos, com a participação da sociedade e traduzidas em políticas públicas abrangentes para que melhores condições de vida e de trabalho sejam refletidas na saúde das populações envolvidas, direta ou indiretamente na produção e no consumo dos produtos, bem como na conservação ambiental.

REFERÊNCIAS
1. ALMEIDA, W. F.de. Trabalho Agrícola e sua Relação Com Saúde/Doença. In : Mendes R, Organizador. Patologias do trabalho – Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 1995 p 487-540.
2. BRASIL. Atualização clínica dos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Diário Oficial da União. Brasília, n. 131. seço 3, p. 14231 a 14233, julho, 1997.
3. DELIBERATO, Paulo. C. P. Fisioterapia preventiva. 1. ed. São Paulo: ed. Manole, 2002.
4. FIEDLER, N. C. Avaliação ergonômica de máquinas utilizadas na colheita de madeira. ed. São Paulo: ed. Manole, 2001
5. IIDA, I. Ergonomia: Projeto e Produção. 7ª reimpressão. EDITORA EDGAR BLÜCHER LTDA. São Paulo, 2001. p.10-11.
6. LAURELL, A. C. & NORIEGA, M. Processo de Produção e Saúde. Trabalho e Desgaste Operário. São Paulo: Hucitec, 1989.
7. MONTEIRO, R. A. & ADISSI, P. J. Análise dos riscos ergonômicos da atividade de aplicação manual de herbicidas. Programa Regional de Pós-graduação em desenvolvimento do Meio Ambiente/ UFPB. Seminário Internacional / João Pessoa – 27 e 28 / julho/ 2000. (CD).
8. NASCIMENTO, L. V. do. Dermatologia. In: BENSOUSSEN, Eddy & RIBEIRO, J.
Fernando. Medicina e Meio Ambiente/ Eddy Bensoussen, J. Fernando Ribeiro (coordenadores)… [et al]. – Rio de Janeiro: Cultura Médica, 1992. 232p.
9. WISNER, A. Por dentro do trabalho. Ergonomia: método & técnica, São Paulo: FTD/Oboré, 1987.
10. ZILLI, Cynthia Mara. Ginástica laboral e Cinesiologia, uma tarefa interdisciplinar com ação multiprofissional. Curitiba: Editora Lovise Ltda, 2002.

GRAFICOS

Gráfico 1. Sexo da  amostra

Gráfico 2. Faixa etária

Gráfico 3. Estado civil

Gráfico 4. Escolaridade

 

Gráfico 6. Possui casa própria?

 

Gráfico 7. Tipo de moradia

 

Gráfico 08. Realiza pausa para o almoço?

 

Gráfico 9.  A empresa fornece almoço ou outro tipo de alimentação?

 

Gráfico 10.  Há outros períodos de pausa no trabalho?

 

Gráfico 11. Motivos que faz exercer sua função

 

Gráfico 12. Você possui algum adicional no salário?

 

Gráfico 13. Você considera seu trabalho como:

 

 

Gráfico 14. Você sente cansaço ao executar as suas tarefas diárias?

 


 

Gráfico 19. Quais foram as principais dificuldades encontradas neste treinamento?

Gráfico 21. Como costuma executar atividades que não pertencem a sua função?

Gráfico 23. A sua empresa fornece todos os Equipamentos de Proteção Individual, obrigatório, e garante a sua reposição?

Gráfico 25. Em relação a satisfação geral da empresa:


4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para possibilitar melhor apresentação e discussão, os resultados dessa pesquisa foram apresentados obedecendo-se à mesma ordem das questões do questionário único.

1.1. Perfil do trabalhador

1.1.1. Caracterização quanto ao sexo
Observa-se na Tabela abaixo que a grande maioria dos trabalhadores, 84,6% é do sexo masculino. Isto se deve ao fato das atividades realizadas exigirem grande esforço físico por parte dos trabalhadores, levando a Empresa por optar por pessoas do sexo masculino, em decorrência dos mesmos apresentarem maior força.

Tabela 2. Distribuição dos trabalhadores quanto ao sexo

Por intermédio da tabela 3, observa-se que, a maior parte dos trabalhadores têm entre 26 e 40 anos, 68,2% predominando, portanto, indivíduos com idade mediana.

 

Tabela 3. Faixa etária dos trabalhadores

Provavelmente a preferência por trabalhadores nesta faixa de idade se deve além da resistência física, à necessidade de experiência e, ou habilidade no desenvolvimento das atividades Em decorrência disto, observou-se que os indivíduos com idade acima de 41 foi a minoria , 7,7%.

 

1.1.3. Estado civil

Tabela 4. Caracterização dos trabalhadores quanto ao estado civil.


Quanto ao estado civil, os resultados evidenciaram que, do total de trabalhadores avaliados, a metade é de casados 50%, sendo os outros 50% divididos entre solteiros 30,7% e amasiados 19,3%. O maior percentual de casados é importante devido a um maior comprometimento do trabalhador com a sua atividade. Este percentual de trabalhadores casados foi inferior ao encontrado por Fiedler (1995), em um estudo referente fatores humanos e condições de trabalho em uma marcenaria do Distrito Federal, 60%.

1.1.4. Nível de escolaridade
Quanto a este fator (Tabela 5), os trabalhadores apresentam baixa escolaridade, pois em torno de 30,9% têm menos que o primeiro grau. Segundo Almeida (1995), o nível de escolaridade dos trabalhadores agrícolas é, em geral, baixo, em decorrência do baixo padrão de vida e dificuldade de acesso a escolas e, ou ás cidades.

Tabela 5. Nível de escolaridade apresentado pelo trabalhador.


A tabela mostra que a grande maioria dos trabalhadores 81,0% tem entre 0 a 3 pessoas, e a minoria com 15% de 4 a 6 pessoas dependentes. Os dados são preocupantes se avaliados a questão econômica, tendo em vista a baixa renda por pessoa, já que o número de filhos e/ou dependentes tem envolvimento direto no comprometimento da renda familiar.
4.1.6 Moradia própria
Da amostra avaliada, (53,9%) dos trabalhadores não possui casa própria. Devido á mecanização tecnológica e conseqüente aumento do desemprego, recentes mudanças, principalmente econômicas, tiveram um grande impacto no emprego, nas condições de trabalho, alimentação e moradia de operários agrícolas e na qualidade de trabalho e de vida.

Tabela 7. Possui casa própria?

trabalhadores com 4,0% tem as casas feitas de barro. Pouco se sabe a respeito das condições de moradia das quase 39 milhões de pessoas que habitam a área rural. Sabe-se apenas que a grande maioria vive num regime cada vez mais excludente no que se refere ao acesso a terra e à produção de alimentos para a manutenção da família, o que pressupõe a deterioração de suas condições de vida. (IIDA,2001)

1.2 Condições de trabalho

1.2.1 Existência de pausas
Como podemos ver por da tabela abaixo, 100% dos funcionários, realizam pausa para o almoço, tendo a duração de 1 hora. Porém o local é completamente inadequado para realizarem suas refeições e poderem descansar (anexo 2 )

Tabela 9. Realiza pausa para o almoço?

4.2.2 Fornecimento de alimentação

Tabela 10. A empresa fornece almoço ou outro tipo de alimentação?


Como vemos, 73,0% dos trabalhadores não recebem o almoço. A maioria dos trabalhadores continuam sendo bóias-frias, no sentido mais popular que tem o termo, que é o de designar aquele trabalhador que transporta a sua própria comida (geralmente o almoço) em caldeirões ou marmitas para o local de trabalho, onde faz as refeições. Por terem que levar a ‘bóia’, estão também expostos ao risco de uma contaminação por agentes biológicos que podem proliferar em razão do calor, isso quando não azedam, podendo ficar sem realizar nenhuma refeição durante todo o dia.

1.2.3 Existência de outras pausas no trabalho

Tabela 11. Há outros períodos de pausa no trabalho?


A maioria com, 92,3% dos trabalhadores relatou não realizar outras pausas durante o turno de trabalho. Em trabalhos que exigem atividade física pesada, ou em ambientes desfavoráveis como altas temperaturas ou excessos de ruídos, devem ser proporcionados pausas durante a jornada de trabalho. Para trabalhos moderados, pausas de 10 min a cada hora de trabalho, são suficientes para permitir a recuperação da fadiga. Em geral, pausas de curta duração, embutidas no próprio ciclo de trabalho são mais efetivas que aquelas longas, após o término desse trabalho. Nesse caso pode ocorrer um efeito cumulativo da fadiga e, a recuperação, tornar-se mais difícil. (IIDA,2001)

1.2.4 Motivação
Como podemos verificar na tabela abaixo, 38,4% dos trabalhadores apresenta como maior motivo para exercer a função, a solicitação da empresa, 30,7% exercem a função por gostarem do que realizam e 15,3% são motivados a trabalhar por ser a função que sabem realizar.
Tabela 12. Motivos que faz exercer sua função

1.2.5 Opinião sobre a questão salarial

Tabela 13. O que acha do salário que recebe considerando seus deveres e responsabilidades?


A tabela 13 relata como os trabalhadores consideram seus salários em consideração as responsabilidades. Deles, 38,4% consideram possuírem uma remuneração regular. Sendo o salário, umas das maiores motivações para se trabalhar, acredita DELIBERATO (2002) que a motivação é um aspecto que não pode ser excluído da análise do relacionamento entre o homem e o trabalho. Existe no comportamento humano algo que faz uma pessoa perseguir um determinado objetivo por certo tempo, que pode ser breve ou longo, e que não pode ser explicado somente pelos seus conhecimentos, pela experiência ou pelas habilidades. Um trabalhador motivado produz mais e melhor, ao mesmo tempo em que apresenta menor risco de lesão, pois sofre menos os efeitos da monotonia e da fadiga, além de não ser pressionado pela hierarquia superior, já que não necessita de supervisão constante.

1.2.6 Abonos salariais

Tabela 14. Você possui algum adicional no salário?

Dos trabalhadores, 61,5% recebem um abono salarial. O fator primordial de motivação é o salário, principalmente considerando-se os trabalhadores de renda mais baixa. Assim, os critérios de remuneração e promoção devem estar claramente estabelecidos na relação do homem com o trabalho e, sempre que possível baseado no desempenho das atividades e no nível de aperfeiçoamento pessoal.

1.2.7 A opinião sobre atividade realizada.

Tabela 15. Você considera seu trabalho como:

Dos indivíduos entrevistados, 26,9% relatam que o trabalho por ser pesado, exige muito esforço. ZILLI (2002) define fadiga muscular como resultado do trabalho muscular prolongado. Desta forma, como conseqüência da fadiga aparece a redução da capacidade para o trabalho, a diminuição da motivação, percepção e atenção, menor capacidade de raciocínio e redução do desempenho físico.

1.2.8 Fadiga

Tabela 16. Você sente cansaço ao executar as suas tarefas diárias?


Dos trabalhadores que responderam o questionário, 61,5 % relataram que se sentem mais ou menos cansados ao executar suas tarefas diárias. Fadiga é o efeito de um trabalho continuado, que provoca uma redução reversível da capacidade do organismo e uma degradação qualitativa desse trabalho. A fadiga é causada por um conjunto complexo de fatores, cujos efeitos são cumulativos. Em primeiro lugar, estão os fatores fisiológicos, relacionados com a intensidade e duração do trabalho físico e intelectual. Depois, há uma série de fatores psicológicos, como a monotonia, falta de motivação e por fim, os fatores ambientais e sociais, como iluminação, ruídos, temperaturas e o relacionamento social com a chefia e os colegas de trabalho (IIDA, 1990).

1.2.9 Satisfação Profissional

Tabela 17. Apresenta vontade de mudar de atividade?


Foi verificada uma alta incidência de pessoas com vontade de mudar de atividade 69,3%, onde um dos fatores relevantes é a carência de motivação enfrentada pelos trabalhadores, sendo necessário que o mesmo não apenas seja capaz, física e intelectualmente, de realizar determinada função, mas que também tenha boa vontade em fazê-la. Sugere-se que façam o uso de cursos de capacitação. Estabelecimento de prêmios de incentivo e de valorização, a procura de recursos para modernizar o labor e oferecer melhores meios ao desenvolvimento de qualquer atividade.

1.3 Treinamentos e reciclagens

1.3.1 Modo de admissão do trabalhador realizada pela empresa

Tabela 18. Fez algum tipo de seleção para trabalhar nesta empresa?


Por meio da tabela percebemos que, 38,4% dos trabalhadores não realizaram nenhum tipo de seleção para serem admitidos foram solicitados pela empresa e 23% relatam ter feito algum tipo de seleção.

1.3.2 Processo de aprendizagem da empresa

Tabela 19. Você recebeu treinamento para trabalhar nesta atividade?


Verificamos que, 69,3% relatam que não receberam nenhum tipo de treinamento. O treinamento é realizado com objetivo de difundir e harmonizar as metas organizacionais, e por outro lado, motivar e envolver todos na perseguição dos objetivos em comuns, desenvolvendo principalmente, a capacidade de ter iniciativa para o trabalho.

1.3.3 Realização de treinamentos

Tabela 20. Se recebeu treinamento, este foi realizado:

A tabela referencia um valor de 37,5% para os trabalhadores que receberam treinamento e este foi realizado antes de começar a trabalhar ou depois de certo tempo que já trabalhava. O consumo de energia reduz-se, a fadiga diminui e a sua produtividade aumenta. Um trabalhador experiente consegue regular o seu gasto energético, de modo que possa suportar bem a longa jornada de trabalho. (IIDA, 2001)

1.3.4 Avaliação do treinamento recebido pelos trabalhadores

O nível de treinamento foi considerado como Bom (37%), pelos entrevistados. A política do treinamento não poderá ser limitada a preparar empregado visando apenas ao aumento do desempenho na sua função atual, mas qualificá-lo para o desempenho de funções futuras. Deverá apoiar o acesso funcional na carreira e o desenvolvimento profissional contínuo.

Tabela 21. Como avalia o treinamento recebido?

1.3.5 Principais dificuldades no treinamento

Tabela 22. Quais foram as principais dificuldades encontradas nesse treinamento?


A maior dificuldade relatada pelos trabalhadores que realizaram treinamentos foram, os treinamentos em período curto, 75,0% porém houve manifestações por treinamentos constantes. Treinamento é o enriquecimento da memória com conhecimento operacional. (IIDA, 2001)

1.3.6 Dificuldade na execução do trabalho

Tabela 23. Quais são os principais problemas que afetam seu desempenho na execução do seu trabalho?


Dos trabalhadores, 69,2% relatam ter o desempenho do trabalho afetado pela alimentação e pausas inadequadas e 23,0% da população relatam que as condições ambientais (calor) prejudicam o desempenho do trabalho.
A exposição crônica à luz solar representa um considerável fator de risco de se adquirir uma neoplasia. A exposição repetida e excessiva aos raios solares (raios ultravioletas), por períodos superiores a 15 ou 30 anos, provoca alterações capazes de evoluir para o carcinoma. As radiações solares por longos períodos, sem observar pausas e as reposições calóricas (controle nutricional) e hídricas necessárias, desencadeiam uma série de problemas de saúde como: câimbras, síncopes e exaustão por calor, envelhecimento precoce e câncer de pele, desidratação, anemias (IIDA, 2001).

1.3.7 Atividades executadas
Por intermédio da tabela, 74,0% dos trabalhadores não realizam outras atividades. Porém (23,0%) executam outras atividades não pertencentes a sua função, podendo acarretar prejuízos ergonômicos.


Segundo Nascimento (1992), todas as situações em que o trabalhador tenha que fazer força física acentuada e inadequada é antiergonômico. Podemos encontrar conseqüências como distensões músculo-ligamentares, compressão de estruturas nervosas, desinserção da extremidade de fixação do osso e dor.

1.3.8 Presença de doenças ou dores no corpo

Apenas 15,4% dos trabalhadores responderam que sentem algum tipo de dor. Parte-se do pressuposto de que saúde-doença é também um processo social, pois está direta ou indiretamente relacionada às condições de vida e trabalho dos indivíduos.

Tabela 25. Você tem algum tipo de problema de saúde ou algum tipo de dor no corpo atualmente?


Os trabalhadores tanto podem adoecer de forma genérica, dependendo do espaço e do tempo histórico em que vivem, como também, dependendo do modo como se organiza e realiza o trabalho que eles executam para viver. (Laurell e Noriega, 1989)

1.3.9 Fornecimento de equipamentos de primeiros socorros.

A empresa como demonstra a tabela com 100,0% das respostas positivas dos trabalhadores fornece todos os equipamentos de primeiros socorros.

Tabela 26. A sua empresa fornece todos os equipamentos de primeiros socorros e estrutura para atender os trabalhadores em caso de acidente?


O serviço de saúde na empresa atende a uma grande parte das necessidades, mas o fator produção com serviços especializados ainda é deficiente na área médica, talvez por se tratar de área rural, não foi possível, manter o profissional de saúde em tempo integral.

1.3.10 Índice de acidentes ocorridos

Como podemos notar a totalidade dos trabalhadores entrevistados, 100,0%, considera o trabalho pesado e perigoso, embora não tenha se acidentado no trabalho.

Tabela 27. Você já sofreu acidentes nessa empresa?


1.3.11 A responsabilidade por parte da empresa, quanto á obrigatoriedade e reposição dos equipamentos de proteção individual.

Tabela 28. A sua empresa fornece todos os Equipamentos de Proteção Individual, obrigatórios, e garante a sua reposição?


Dentre os entrevistados, a totalidade, 100% dos trabalhadores afirmam que havia uma reposição adequada aos equipamentos de proteção individual. Quando o trabalhador adoece, as práticas são curativas e direcionais, mais para a recuperação do indivíduo enquanto força de trabalho, do que para a proteção de sua saúde, o uso do EPI, é ás vezes, considerada a forma mais eficiente de controle e monitoramento dos riscos ambientais, e praticamente, a única maneira de proteger o trabalhador contra acidentes e doenças do trabalho (Brasil, 1997)

1.3.12 A prevenção através do EPI

Tabela 29. Alguma vez você deixou de sofrer um acidente por estar usando um (EPI)?


Verificamos que, 42,3% dos trabalhadores entrevistados já deixaram de sofrer acidente por estar usando um EPI. O incentivo ao uso deste, é uma ação que tende a trazer bons resultados na agricultura, pois há a predisposição a aceitar o seu uso.

1.3.13 Principais causas dos acidentes

Tabela 30. Você acha que os acidentes são causados por:


Por meio da tabela vemos que, 61,5% dos entrevistados, relatam que a falta de atenção é a principal causa dos acidentes. A determinação dos principais tipos de acidentes torna possível a detecção das causas do mesmo. Conhecendo as causas, pode-se atuar no sentido de eliminá-las. As principais causas de acidentes são ocasionadas por atos inseguros, que são obtidos pela soma das porcentagens das causa específicas, falta de atenção, falta do EPI, condição inadequada do trabalho. (IIDA, 2001).

1.3.14 Satisfação empresarial

A tabela abaixo refere-se que profissão de trabalhador agrícola, apesar de cansativa e de oferecer riscos à saúde do trabalhador foi considerada satisfatória pela metade dos trabalhadores (50%), tendo uma porcentagem de apenas (3,8%) de trabalhadores insatisfeitos.

Tabela 31. Satisfação geral da empresa


5. CONCLUSÕES

A importância econômica e social da agricultura dentro do nosso país representada pelo grande contingente de pessoas que nela sobrevive, indica a necessidade de programas que visem seu fortalecimento, como grupo social e econômico de produção agrícola.
Este estudo permitiu verificar os fatores que podem vir a desencadear doenças ocupacionais e acidentes, suas conseqüências e suas formas de prevenção, com o intuito de comprovar que atitudes prevencionistas, tanto por parte do trabalhador quanto da empresa, é a maneira mais fácil de conter o aparecimento destes problemas.
A utilização de estudos ergonômicos na busca da melhoria da qualidade de vida no trabalho, apesar de não ser uma proposta inédita, é de fundamental importância na proposição

FOTOS

Figura 1 – Trabalhadores na aplicação de Fertilizante.

Acima observa-se o trabalhador fazendo  esforço físico, flexão, torção do tronco para os lados, com movimentos repetitivos. Essa atividade é exigente podendo causar dor nas costas baixas atrás, articulações e extremidades de membros superiores e inferiores.

Figura 2.  Trabalhador agrícola realizando trabalho de abertura de valas para plantio com a enxada.

Pode-se observar o trabalhador realizando a abertura de valas para o plantio de mudas, fazendo esforço físico, ficando exposto ao sol, que durante o verão chega atingir 40ºC. ainda a exposição ao sol está ligada ao envelhecimento precoce da pele e ainda pode causar câncer. A atividade exige grande esforço muscular, com movimentos repetitivos, exigindo grande esforço físico . Envolvendo a inclinação e torção do corpo. Podendo causar danos nas costas do trabalhador. Produtos de menor escala ainda predomina largamente os processos manuais. O trabalho realizado em altas temperaturas, o seu rendimento cai. A velocidade do trabalho diminui, diminuindo a concentração, aumentando significativamente a freqüência de erros e acidentes.  O consumo de água no trabalho, principalmente em dias quentes e sob radiação solar, é importante para a manutenção do volume plasmático, para que a circulação e a transpiração possam se manter em níveis ideais e para prevenção da desidratação e suas conseqüências.

 

Figura 3 – Tratorista.

Na figura 3 observa-se tratorista que ao olhar freqüentemente para trás, para verificar o funcionamento do implemento tracionado no trator, sofre o impacto sobre a sua coluna vertebral pelas vibrações e torções do seu corpo constantes no seu trabalho, em conseqüência disso, os tratoristas estão incluídos no grupo de trabalhadores que apresentam grande incidência de doenças degenerativas da coluna. É bastante árduo o trabalho desenvolvido pelo tratorista, pois os mesmos ficam expostos ao calor, poeiras, ruídos, vibrações, intempéries e monotonia. Apesar de manter uma postura estável ele fica sofrendo vibrações do corpo inteiro e solavancos provocados por buracos e pelo desnível do solo em sua jornada de trabalho.

Figura 4 – Tratorista

Conforme mostra a figura acima o tratorista fica exposto ao calor excessivo quando trabalho em cima do trator, pois além de enfrentar os raios solares diretos sobre seu corpo, ele recebe o calor do motor, também o produzido pelas instalações hidráulico do trator e outro fator que merece destaque são os raios solares refletidos pelo capo do trator que também atingem o tratorista durante a sua jornada.

O tratorista está exposto a problemas de ruído, esforço físico, calor, vibração e outros que o deixam mais suscetível a sofrer acidentes. Além disso, deve-se considerar que, quando uma máquina proporciona conforto ao seu operador, seu desempenho aumenta sensivelmente.

Figura 5 – Agricultor no carregamento de cargas.

Na figura 5 observa-se agricultor manuseando uma carga, dependendo o local ele tem que carregar esse peso às vezes por uma distância considerável.

No Brasil, a legislação não é muito específica, neste ponto. Estipula em 60 (kg) o peso máximo que um trabalhador deve manusear, numa atividade. Apesar disto, este valor não pode ser referenciado para uma atividade que seja realizada durante toda uma jornada de trabalho com mais de oito horas. Desta forma, alguns trabalhadores, acostumados a levantar cargas que variam de 10 a 15 kg, apresentaram hérnia de disco, ou outras lesões na coluna ou membros, o que nos leva a questionar não só a legislação, como os métodos utilizados para obter estas referências limites (COUTO, 1995).

Segundo Dul & Weerdmeester (1995) o levantamento de pesos é uma das maiores causas das dores nas costas. Conforme relata Iida (2001) a musculatura das costas é a que mais sofre com o levantamento de peso. Na medida do possível, a carga sobre a coluna vertebral deve ser feita no sentido vertical, evitando-se as cargas com as costas curvadas.
Figura 6- Levantamento de cargas

A manipulação e o levantamento de cargas são as principais causas de lombalgias. E estas podem aparecer por sobrecarga ou como resultado de esforço repetitivo, outros fatores como empurrar ou puxar cargas, as posturas inadequadas forçadas ou as vibrações estão diretamente relacionados com o aparecimento deste distúrbio (BRASIL, 2002).

Conforme Brasil, (2002), apesar das limitações, pode-se considerar a equação NIOSH para o levantamento de cargas como uma ferramenta útil e sensível que constitui um esforço a mais para prevenir as alterações na saúde provocadas pela manipulação de cargas.

Segundo Dul & Weerdmeester (1995. p. 40) se o levantamento manual de pesos até 23 kg for inevitável, é necessário criar condições favoráveis para essa tarefa: é necessário manter a carga próxima do corpo (distância horizontal entre a mão e o tornozelo de cerca de 30 cm); a carga deve estar colocada sobre uma bancada de 75 cm de altura, aproximadamente, antes de começar o levantamento; o deslocamento vertical do peso não deve exceder 25 cm; deve ser possível segurar o peso com as duas mãos; a carga deve ser provida de alças ou furos para encaixe dos dedos; deve possibilitar a escolha da postura para o levantamento; o tronco não deve ficar torcido durante o levantamento; a freqüência dos levantamentos não deve ser superior a um por minuto; a duração do levantamento não deve ser maior que uma hora, e deve ser seguida de um período de descanso (ou tarefas mais leves) de 120 por cento da duração da tarefa de levantamento.

Uma pessoa pode levantar 23 kg somente nas condições descritas acima. Em caso de não oferecer estas condições, o limite de peso deve ser reduzido. A carga quando for apanhada longe do corpo e for depositada em grande distância vertical, não pode exceder em alguns quilos (DUL & WEERDMEESTER, 1995; BRASIL, 2002).

Figura 7. Local inadequado para pausa do almoço

Note-se que os operadores de máquinas agrícolas continuam sendo bóias-frias, no sentido mais popular que tem o termo, que é o de designar aquele trabalhador que transporta a sua própria comida (geralmente o almoço) em caldeirões ou marmitas para o local de trabalho, onde faz as refeições. Por terem que levar a ‘bóia’, estão também expostos ao risco de uma contaminação por agentes biológicos que podem proliferar em razão do calor. Isso quando não azedam, podendo ficar sem realizar nenhuma refeição durante todo o dia. Além de tudo não possuem um local limpo e adequado para fazer as refeições.

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