Dra. Hylla di Paula

Acupuntura e Estresse

O estresse é resultado de uma reação do nosso organismo a situações desfavoráveis, liberando adrenalina e prejudicando principalmente o sistema respiratório e circulatório. No sistema respiratório causa broncodilatação e taquipnéia. No sistema circulatório causa taquicardia.

A insônia também é uma queixa comum a esses pacientes, agravando ainda mais o quadro. Podem ocorrer também erupções cutâneas, queda de cabelo, agravamento de caspa ou seborreia e em casos mais complexos podem aparecer TICS nervosos ou os TOCs (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

A acupuntura é um importante aliado no combate ao estresse agudo (aquela situação de luta ou fuga, mas no qual o estimulo não é mantido por muito tempo) e ao estresse crônico (situações rotineiras, mas que fazem com que o organismo libere mais cortisol, como por exemplo, o trânsito).

Na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Campinas, foi realizado um estudo para analisar a eficácia do tratamento de acupuntura no combate ao estresse. Foram tratados 20 adultos, sendo 15 mulheres e 5 homens, de 27 a 65 anos de idade. Após 10 sessões semanais, com duração de aproximadamente 50 minutos, foi observado à redução de 75% da presença de estresse.

Em outro estudo realizado por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, foram feitos testes em animais e concluíram que a acupuntura pode reduzir significativamente a liberação, no sangue, de substâncias ligadas ao estresse. Os resultados foram publicados no periódico Journal of Endocrinology. Ladan Eshekevari, principal autora do estudo, espera obter os mesmos resultados do estudo em humanos e ampliar a aceitação da terapia chinesa. “Para quem trabalha com acupuntura, o resultado é mais uma comprovação. Os mecanismos da ação da acupuntura já têm sido bem estudados desde o fim da década de 1980”. Para ela, a questão principal do artigo é conseguir comprovar a eficiência da acupuntura real em comparação com falsos pontos. Além disso, o trabalho reforça que o efeito da técnica é cumulativo, ou seja, a diferença na redução dos hormônios estressores ficou maior ao longo dos dias. “Existem técnicas que são utilizadas em pronto atendimento, mas, para o tratamento de uma doença, você precisa de uma série de aplicações”, ressalta Tabosa. O experimento consistiu em:

Experimento

Trinta e quatro ratos adultos foram divididos em quatro grupos distintos:

Grupo 1 (de controle)

Não foi estressado e não recebeu nenhum tratamento.

Grupo 2

Foi submetido a temperaturas rigorosamente baixas durante uma hora pelo período de 10 dias, mas não recebeu acupuntura.

Grupo  3 (experimental)

Os ratos sem estresse receberam estímulos em um ponto Sham*, próximo ao rabo, bilateralmente. As agulhas foram aplicadas nos 10 dias imediatamente anteriores à exposição ao estresse pelo frio

Grupo 4 (experimental)

Durante os quatro dias anteriores ao estresse pelo frio, os ratos foram pré-tratados com o estímulo no tradicional ponto ST 36, ou zusanli. Eles continuaram a receber acupuntura no mesmo ponto durante mais 10 dias após o estresse. O ST 36 localiza-se na perna, perto da rótula e da tíbia.

artigoacupunturahylla* Ponto Sham é também conhecido por falsa acupuntura. As agulhas são colocadas em regiões que não são pontos reais da técnica. Normalmente, esse artifício é utilizado como base de comparação, para saber se os resultados positivos foram realmente oriundos dos estímulos nos pontos de acupuntura, ou pela simples picada

Na prática, observamos que o tratamento é muito pessoal, sendo necessário uma anamnese correta para a escolha adequada dos pontos, já que os efeitos variam muito entre os indivíduos. A acupuntura age equilibrando as glândulas supra-renais, responsáveis pela produção de cortisol. A quantidade de sessões também pode variar de pessoa para pessoa. O resultado pode ser sentido desde a primeira sessão em alguns indivíduos, mas geralmente entre a 5° e a 6° sessão o resultado já é sentido.

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