Aconteceu na Clínica: A dor de cada dia

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Certo dia recebi uma fisioterapeuta que nos procurou para trabalhar conosco. A fisioterapeuta se colocou apenas como especialista em dor. À primeira vista você pode pensar a menos que você esteja contratando um carrasco ou um sádico, acredito que não seja tão interessante contratar uma especialista em dor. Um paciente diria que ninguém entende mais de dor que o ele mesmo.

E perguntei o que uma especialista em dor fazia em uma clínica aonde o slogan é “Não deixe a dor ser algo normal em sua vida”. Claro, que eu entendo o que é uma especialista em dor, mas eu precisava extrair da candidata seu pensamento de trabalho. Já um paciente não necessariamente entenderia, iria preferir um especialista em analgesia. Eu queria entender porque ser especialista em dor seria um diferencial, afinal nós todos tratamos dor ( até quem trabalha de forma preventiva).

A dor nos acompanha desde os primórdios da fisioterapia, eu diria que sem ela nem existiríamos, e como um fisioterapeuta especialista em dor pretende tratar a dor? Um médico ou centros de dor que existem por ae, certamente utilizam de medicação e afins, mas um fisioterapeuta, que trata a dor, ele trata a causa da dor ou a sintomatologia?

 Afinal, por que focamos tanto na dor? Toda dor tem uma causa e efeito, ela pode sim ser um fator desencadeante de alterações associadas a postura e movimento, como também ser responsável por fatores cinesiopatológicos  ( que junção de palavras maravilhosa não ?).  A dor poderá até regredir sem que a fonte dela seja tratada, mas sempre importante saber qual caminho seguir, tratar os galhos ou a raiz do problema?

A dor para começo de conversa é uma experiência sensorial, mas isso significa que  é algo muito subjetivo e ao mesmo tempo ela tem a fisiologia da dor que é ultra mega power de complexidade. A dor assim como a inflamação pode ser aguda, e pode ser crônica, e traz consigo muitas vertentes de ordem psicológica, social e emocional.

Eu fui formado com a gate theory, ou teoria das comportas de dor de Melzack e Wall, proposta em 1965, e revista em 1982, praticamente 40 anos atrás. Através dela pode  sim trabalhar com a transmissão da dor, e é a teoria da dor mais aceita aqui pelos trópicos eu diria, porém o controle descendente por parte dos centro superior também interfere na transmissão da dor, ou informação de dor. Está em constante adaptação aos achados. Ainda assim, quando se bate o dedo, você pressiona para a dor passar, pois receptores de pressão ultrapassam os de dor.

Imagina uma pessoa sem dor, poderia viver mais que 24 horas? A dor pode sim ser sua amiga, quando previne você de causar mais lesões em seu organismo e até, garante te manter vivo. A grande vanguarda futurística da dor, foi colocar os Smiles em escalas, isso foi sim uma visão futurista.

Para tratar a dor porque não colocar Smiles? Esse método realmente foi vanguarda com as famosas escalas de dor, e ainda o questionário de McGill. Independente de qual caminho escolha, o fato é entender que sim a sua abordagem terapêutica vai interferir diretamente na dor.

E ae que está o grande diferencial e importância de um especialista em dor, traça as nuances e sutilezas de algo tão complexo e que muitas vezes nós terapeutas podemos escutar as reclamações do paciente, em alguns momentos, os gritos até eu diria, mas não entenderemos por completo a dor do outro. Talvez nem um especialista em dor entenda por completo, mas que diabos, ele entende de dor.

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