ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE O PROCESSO DE REABILITAÇÃO, ORIENTAÇÃO AO PACIENTE E SEU CUIDADOR

Martins, F. M.; Wenzel, F. D.¹
Flores, D. M. 2
Fernandes, A. A. 2

RESUMO
O acidente vascular encefálico (AVE) é o surgimento agudo de uma disfunção devido a uma anormalidade na circulação cerebral, tendo como resultado sinais e sintomas que correspondem ao comprometimento de áreas focais do cérebro, clinicamente ele pode apresentar uma série de déficits como alterações no nível de consciência e comprometimentos nas funções de sentidos, motricidade, cognição, percepção e linguagem. Este trabalho apresenta a análise bibliográfica de artigos científicos publicados na Medline, Lilacs e Scielo relacionados ao AVE, seu processo de reabilitação e as orientações ao paciente e a seu cuidador. Cada AVE tem sua particularidade e de acordo com o grau da lesão o tratamento deve ser diferenciado, a fisioterapia esta dentro do processo de reabilitação destas pessoas, mas normalmente não é realizada, este descompasso principalmente na atenção a saúde durante o processo de reabilitação do paciente pode trazer conseqüências sérias para o acometido. Esta pesquisa possibilitou analisar o processo de reabilitação de pacientes com AVE, ficou implícito que a atuação no fisioterapeuta na comunidade orientando os pacientes e seus auxiliares de cuidado domiciliar ainda não existe, seria muito importante estes profissionais estarem acompanhando essas pessoas no ambiente em que vivem para poder estar orientando nos cuidados básicos de uma pessoa acometida pelo AVE, com isso facilitando sua independência.
Palavras-chave: Acidente cerebrovascular, auxiliares de cuidado domiciliar, aterosclerose.

ABSTRACT
The cerebrovascular accident (CVA) is the emergence of an acute dysfunction due to an abnormality in the cerebral circulation, with the result signs and symptoms that match the commitment of focal areas of the brain, it can produce a clinically series of deficits as changes in the level of conscience and compromise the functions of senses, motility, cognition, perception and language. This paper presents the analysis of literature scientific articles published in Medline, and Lilacs Scielo related to the CVA, the process of rehabilitation and guidance to the patient and their carer. CVA Each has its particularity and according to the degree of injury treatment should be differentiated, physiotherapy this in the process of rehabilitation of these people but is not normally done, this mismatch mainly in the health care during the process of rehabilitation of the patient can bring serious consequences for the affected. This research has analyzed the process of rehabilitation of patients with CVA, noted that the performance in the physiotherapist in the community guiding patients and their carers not yet exist, it would be very important these professionals are accompanying them in the environment in which they live to be guiding us basic care of a person affected by CVA, thus facilitating its independence.
Key-words: Cerebrovascular accident, home health aides, atherosclerosis.

Introdução: O acidente vascular encefálico (AVE) é o surgimento agudo de uma disfunção devido a uma anormalidade na circulação cerebral, tendo como resultado sinais e sintomas que correspondem ao comprometimento de áreas focais do cérebro. O termo derrame é usado de forma intercambiável com o termo acidente vascular cerebral (AVC), mais recentemente este vem sendo substituído pelo termo acidente vascular encefálico (AVE), para designar os problemas cerebrovasculares que acompanham as lesões hemorrágicas ou isquêmicas. Clinicamente, há uma série de déficits possíveis, como alterações no nível de consciência e comprometimentos nas funções de sentidos, motricidade, cognição, percepção e linguagem. Para serem classificados como AVE, os déficits neurológicos focais devem persistir por pelo menos 24 horas. Os déficits motores caracterizam-se por paralisia (hemiplegia) ou fraqueza (hemiparesia), tipicamente no lado do corpo oposto ao local da lesão. O termo hemiplegia costuma ser usado genericamente para designar uma ampla variedade de problemas decorrentes do AVE. O local e a extensão da lesão, a quantidade de fluxo sangüíneo colateral e o tratamento inicial da fase aguda determinam a gravidade dos déficits neurológicos de cada paciente. Os comprometimentos podem se resolver espontaneamente com a recuperação neurológica (déficit neurológico isquêmico reversível) geralmente dentro de três semanas. Os comprometimentos neurológicos residuais são aqueles que persistem por mais de três semanas e podem levar a dependência e deficiência permanentes. Os AVEs podem ser classificados por categorias etiológicas (trombose, êmbolo ou hemorragia) categorias de tratamento (ataque isquêmico transitório, AVE menor, AVE maior, AVE em evolução, AVE jovem) e categorias anatômicas (territórios vasculares específico).
Epidemiologia: Nos Estados Unidos o AVE é a terceira maior causa de morte e a causa mais comum de deficiência em adultos. Afeta cerca de 600 mil pessoas a cada ano com uma estimativa de 4 milhões de sobreviventes do AVE. A incidência do AVE aumenta drasticamente com a idade, dobrando a cada década após os 55 anos. Em homens brancos com idade entre 65 a 74 anos, a incidência é de aproximadamente 14,4 por mil; entre os 75 e os 84 anos é de 24,6 e para pessoas com 85 anos ou mais é de 27,0. Vinte e oito por cento dos AVEs ocorrem em pessoas com menos de 65 anos. A incidência do AVE é cerca de 19% maior em homens, em comparação com as mulheres. Em relação aos brancos os afro-americanos correm um risco duas a três vezes maior de sofrer um AVE isquêmico e têm uma probabilidade de 2,5 vezes maior de morrer de AVE. Dentre os sobreviventes, estima-se que 300 mil (de 30 a 40%) apresentam alguma deficiência significativa.
Categorias etiológicas: O AVE pode ser isquêmico – como resultado de trombos, embolismo ou problemas que causem baixas pressões de perfusão sistêmica. A conseqüente escassez de fluxo sangüíneo cerebral priva o cérebro de glicose e oxigênio que lhe são necessários, prejudica o metabolismo celular e leva a lesão e morte de tecido. Também podem ser hemorrágico, com sangramento anormal – causado por aneurisma ou trauma – para dentro das áreas extravasculares do cérebro. A hemorragia tem como resultado um aumento das pressões intracranianas, lesionando os tecidos cerebrais e restringindo o fluxo sangüíneo distal.

Metodologia: O estudo trata-se de uma pesquisa de análise bibliográfica através das bases de dados de Lilacs, Medline, Scielo onde foram analisados trabalhos realizados com AVE do ano de 2003 a 2007. Nos critérios para a inclusão dos artigos eles deveriam apresentar os descritores: Acidente cerebrovascular, auxiliares de cuidado domiciliar, aterosclerose.

Discussão: O AVE é uma doença passível de prevenção, com fatores de risco que podem ser modificados. A regulagem da pressão arterial é fundamental, os ajustes à dieta envolvem o controle de colesterol e lipídios, o ato de parar de fumar, assim como o de diminuir a inatividade física e a obesidade, reduz queda de risco. O controle de doenças associadas particularmente diabetes e doença cardíaca, é essencial (O’Sullivan, 2004). Nesta pesquisa observamos algumas dificuldades por qual passa uma pessoa acometida por AVE, um dos principais acometimentos é a diminuição da capacidade funcional que normalmente leva a uma desestruturação da família, a qual passa a ter que cuidar desta pessoa deixando de lado sua vida pessoal. Conforme os artigos analisados, a grande maioria dos acometidos pelo acidente vascular são homens que vem de uma situação de provedor da casa, a partir disto eles passam a ser cuidados pelos familiares normalmente a esposa ou filhos, e se tornam incapazes de realizarem suas atividades de vida que estavam acostumados a realizar sozinhos, isso acaba gerando um grande abalo psicológico para o paciente. Cada AVE tem sua particularidade, mas todos devem ter muito cuidado e atenção principalmente por que podem ocorrer reincidivas e agravar ainda mais a situação da pessoa, os pacientes na grande maioria não tem acompanhamento de fisioterapia e tratam-se apenas com a terapia medicamentosa. Normalmente eles acabam ficando com comprometimentos neurológicos residuais, que são os que permanecem por mais de três semanas, o que torna estes pacientes dependentes e deficientes permanentes. Felício et al (2005) realizou um estudo onde retrata a importância da fisioterapia, seus resultados mostraram que o quadro clinico dos pacientes assistidos por uma equipe multiprofissional em especial pela atuação do fisioterapeuta, apresentava menos repercussões como presença de dor e parestesia e permaneciam menos tempo inativos no leito em relação ao grupo com atendimento do PSF, qual não havia a presença do fisioterapeuta. A fisioterapia busca recuperar e/ou manter os graus de incapacidade, promovendo melhora das funções motoras, sensitivas e neurológicas a imobilidade destes pacientes pode levar a agravar estes sintomas, por isso a fisioterapia é importante no tratamento para a reabilitação e reintegração destes pacientes à sociedade. Caetano et al (2007) relata em seu estudo que o processo de reabilitação após o AVE envolve tratamento medicamentoso, fisioterápico, fonoaudiológico, nutricional, entre outros. De acordo com a condição do acometido, nem todos esses tratamentos são necessários. No entanto, para alguns, a fisioterapia, mesmo quando indicada, não é realizada este descompasso principalmente na atenção a saúde durante o processo de reabilitação do paciente pode trazer conseqüências sérias para o acometido. Uma orientação dos profissionais para o paciente e seus cuidadores podem diminuir seqüelas que normalmente acabam levando estes pacientes a depressão. Segundo Terroni et al (2003) descreve os aspectos que têm sido identificados como fatores de risco para o desenvolvimento da depressão pós-AVE são: prejuízo funcional, prejuízo cognitivo, história de depressão, idade, sexo, história de AVE prévio, hipercortisolemia, aspectos sociais e correlatos neuroanatômicos. Ainda nos cuidados com AVE os profissionais devem ter atenção especial com os cuidadores destas pessoas, pois são eles que irão conviver a maior parte do tempo com o eles, portanto orientá-los a respeito da dos cuidados com o AVE é muito importante. Nas pesquisas analisadas tiveram resultados que apontavam para a qualidade dos cuidadores destes pacientes, normalmente os cuidadores que não recebem orientação acabam se desgastando mais e isso reflete em diminuição da qualidade de vida, já os cuidadores que recebem orientações não ficam tão prejudicados, pois aprendem a lidar com a situação, principalmente quando se trata de um paciente com dificuldades de se locomover já que a imobilidade é um fator causal da parestesia, da dor e das úlceras de decúbito, entre outros.

Considerações finais: A pesquisa realizada possibilitou conhecer através da análise bibliográfica o processo de reabilitação de pacientes com AVE, e analisar as dificuldades que passam estas pessoas e seus cuidadores. Não encontramos nas bases de dados analisadas trabalhos no sentido de prevenção do AVE com atuação na educação em saúde qual poderiam levar as pessoas a modificar os fatores de risco. Uma atuação mais direta nas comunidades seria muito importante para buscar o conhecimento da realidade das pessoas, no sentido de orientá-los a entender o que é a doença e o que ela pode representar para uma pessoa acometida e sua família. Na fase de reabilitação de um AVE nota-se que a maioria dos pacientes não são atendidos por fisioterapeutas, muitas vezes por descaso de familiares ou por falta de recursos para se locomover até um local onde exista atendimento, seria de grande importância a inclusão do fisioterapeuta nos programas que atendem pessoas nas suas comunidades, com isso o profissional poderia conhecer o ambiente em que vive o paciente e dar maior atenção a suas atividades da vida diária, como prevenir complicações orientando a pessoa e seu cuidador, facilitar sua independência e ainda promover a auto-estima da pessoa para que sua recuperação tenha sucesso e a pessoa possa continuar sua vida com qualidade.
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