A Sociedade Brasileira Necessita de Fisioterapeutas na Saúde Pública

Olá amigos. Com esta edição a NovaFisio entra em uma nova e importante fase, com várias novidades boas e projetos interessantes propostas pelo seu criador, nosso amigo Oston Mendes. Pretendemos, sem falsa modéstia, torná-la a mais importante revista eletrônica de fisioterapia sob todos os aspectos, priorizando a qualidade e enaltecendo cada vez mais a relevância da fisioterapia no Brasil, levando informações a todas as regiões do país.

Objetivamos, também, a publicação de artigos científicos previamente  submetidos e avaliados de acordo com as normas que norteiam as publicações online, sem abrir mão do nível elevado dos trabalhos. Estamos à disposição para dar total suporte aos artigos enviados, com a proposta de orientar a forma correta e a adequação dos textos ao princípio qualitativo.

Com esta edição, iniciamos a publicação de agenda de concursos públicos para fisioterapeutas em todo o Brasil de forma comentada.

Na próxima edição, vamos acrescentar agenda de cursos, congressos e eventos de fisioterapia em todo o país. Para tal, necessitamos da colaboração dos colegas, anunciando ou informando sobre eles.

Enquanto não socializarmos o conhecimento, não vamos colocar a fisioterapia no patamar de relevância que lhe cabe.

Em relação ao título deste post, conforme citei em postagens anteriores, a grande perspectiva de firmação definitiva da profissão, está na saúde pública; afirmo isso por vários motivos. Por exemplo: dos 206 milhões de habitantes, por volta de 45 milhões possuem plano de saúde de abrangências diversas; os 160 milhões restantes dependem da saúde pública. Para tratamentos de médio e longo prazos a maioria dos pacientes e suas famílias não possuem meios de arcar com os gastos de um atendimento domiciliar nem ambulatorial, mesmo com valores aviltantes.

Quando falo saúde pública, estou abrangendo postos de saúde, ambulatórios de saúde da família, saúde da mulher, saúde do idoso, ambulatórios hospitalares, enfermarias e unidades fechadas como: UTI adulto, UTI pediátrico, UTI neonatal, unidade semi-intensiva, unidade coronariana, centro de tratamento de queimados, unidade intermediária pós-operatória, unidade de pós-op de cirurgia cardíaca, além de urgência e emergência.

Não conseguimos convencer os governantes das três esferas, ministros e políticos que o fisioterapeuta não é um gasto, é um investimento. O atendimento precoce à beira do leito e o atendimento de qualidade em unidades externas, são fundamentais sob a ótica profilática e curativa, pois muitos danos se consegue evitar com a ação fisioterapêutica bem conduzida.

Convivo com a saúde pública e privada há 42 anos e vivenciei tudo isso de forma cotidiana e, apesar da defasagem, muito já conseguimos. Ainda na década de 1970 atuei com fisioterapia gestacional que, não consigo entender porque, foi perdendo importância e retornou próximo aos anos 2000 como uma novidade e que, na prática, não era.

É um trabalho importantíssimo na saúde pública, pois muitas gestantes não foram preparadas durante  a gestação e, no momento do parto, não apresentam dilatação suficiente, gerando sofrimento do bebê e consequente lesão cerebral. O governo faz um alarde mentiroso contra o parto cesáreo, enquanto que, nos partos programados nos hospitais particulares a incidência de cesariana é enorme. Isso é desumano. Se essas mulheres fossem preparadas por fisioterapeutas, afirmo com total segurança, o número de lesões cerebrais diminuiria.

A maioria dos obstetras, segundo pesquisa feita por ex alunos meus em um trabalho de conclusão de curso, entrevistando profissionais das zonas norte, sul e oeste do Rio de Janeiro, desconhecem o que a fisioterapia pode fazer durante a gestação.

Esse é apenas um exemplo da falta que nós fazemos na saúde pública.

Imaginem todos os setores citados acima, com, pelo menos, 1 fisioterapeuta em cada turno de 6 horas ou como plantonistas. Percebem o quanto isso beneficiaria a sociedade, a categoria e a qualidade dos tratamentos realizados, pois não precisaríamos nos preocupar com pagamento, pois isso cabe aos governos. Nossa Constituição reza: a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado.

A realidade nos mostra um quadro bem diferente. Se consultarem a agenda de concursos, constatarão a pobreza de ofertas e de vagas; isso sem contar salários absurdos. O que se faz com uma vaga, duas vagas? Nada. E o pior é que isso depõe contra a profissão, pois com poucos profissionais a atuação não pode ser de boa qualidade.

Gostaria muito de poder publicar as próximas agendas com muitos concursos, muitas vagas e salários dignos. Entretanto, se os fisioterapeutas não saírem da sua zona de conforto, não pararem de reclamar e não se organizarem enquanto categoria para exercer pressão necessária e contundente, nada vai mudar.

Somos 500.000 para uma população de 206 milhões, ou seja, 1 fisioterapeuta para 412 pessoas. Com esse quantitativo podemos e devemos mostrar ao que viemos. Vamos refletir sobre isso?

Até a próxima

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