A INCIDÊNCIA TARDIA DE MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO X SÍNDROME DE DOWN

Ingrid Brasil Strottmann1; Marila Sant’Ana Ribeiro Lima2, Mário de Oliveira Lima3

1 Universidade do Vale do Paraíba, Programa de Pós-graduação em Neurologia Funcional, Avenida Shishima Hifumi, 2911 – 12244-000 São José dos Campos – SP, ingrid-bs@hotmail.com
2 Universidade do Vale do Paraíba, Programa de Pós-graduação em Neurologia Funcional, Avenida Avenida Shishima Hifumi, 2911 – 12244-000, São José dos Campos – SP, marilasantana@hotmail.com
3 Universidade do Vale do Paraíba, Programa de Pós-graduação em Neurologia Funcional, Avenida Shishima Hifumi, 2911 – 12244-000 São José dos Campos – SP, mol@univap.br

Resumo: Este artigo tem como objetivo esclarecer a relação entre os nascimentos de bebês com Síndrome de Down e a faixa etária tardia destas mulheres dentro do ingresso no mercado de trabalho. Como parte de um amplo processo de investigação científica, a abordagem escolhida para esta pesquisa foi baseada em pesquisa bibliográfica e documental a cerca dos estudos obtidos dentro do assunto abordado. O ingresso da mulher no mercado de trabalho vem aumentando cada dia mais, e com isso, a maternidade fora encarada de maneira mais moderna. Atualmente, as mulheres que ocupam alguma posição no mercado procuram realizar-se profissionalmente e a maternidade deixa de ser o plano inicial de suas vidas. Assim, existem várias hipóteses relacionadas com as causas mais comuns da Síndrome de Down, dentre elas citamos, que a faixa etária dos pais, alterações ambientais, irradiações, agrotóxicos, alimentação errada, drogas, e medicamentos são supostas causas de nascimentos de bebês com esta Síndrome.

Palavras-chave: Mercado de trabalho, Gestação Tardia e Síndrome de Down.

Introdução
A atuação da mulher no mercado de trabalho vem crescendo rapidamente. Hoje em dia, as mulheres ocupam 40% da força de trabalho no Brasil e estão no comando de doze milhões de famílias, um aumento de 50% nos últimos dez anos.
As áreas de atuação também se ampliaram, ultimamente é comum ver mulheres em segmentos antes considerados redutos masculinos, como a política, o setor automobilístico e as forças armadas. No atual mercado de trabalho, há constantes mudanças, se antes a obrigação de cuidar da casa e da família era visto como empecilho para a realização profissional, hoje é encarado como um diferencial, pois as empresas buscam pessoas polivalentes e dinâmicas, o que caracteriza uma profissional feminina. (MERCADO DE TRABALHO FEMININO, 2005a).
A necessidade de complementar a renda familiar não é privilégio dos grupos mais carentes da sociedade, este auxílio se torna imprescindível não só para uma melhora na qualidade de vida dos membros da família como também para honrar os compromissos adquiridos.
Embora a renda do trabalho feminino continua sendo inferior ao do trabalho masculino, este tem ajudado a sustentar e defender os padrões de vida das famílias, que passaram a depender cada vez mais de um nível de renda regular, crescente e garantido. As constantes mudanças da sociedade, o acesso aos novos bens de consumo e os serviços que a sociedade oferece, são decorrentes do progresso social e humano, assim a renda familiar se torna um auxílio, a fim de realizar os desejos deste progresso (LEONE, 1999).
De qualquer maneira, essa distinção faz com que a inserção masculina e feminina no mercado de trabalho seja vista e interpretada de formas diferentes, assim o trabalho masculino ainda é considerado fundamental já o trabalho feminino é visto como complementar. Podemos destacar uma característica universal do trabalho feminino, na qual a grande maioria das mulheres que tem trabalho remunerado está sujeita a se concentrar em poucas ocupações, principalmente nas atividades informais, no serviço doméstico, como trabalhadoras rurais e externas de fábricas (AQUINO; MENEZES; MARINHO, 1995).
O aumento da participação feminina no trabalho auxilia nos rendimentos domiciliares. Essa contribuição é mais um resultado do crescimento profissional feminino e da inclusão da mulher no mercado, já que esta toma a frente algumas das despesas econômicas domiciliares. Embora tenha ocorrido um acentuado aumento na relação entre os rendimentos individuais femininos e masculinos, os homens ocupam cargos mais elevados, salários maiores e conseqüentes chances de crescimentos mais rápidos do que as mulheres. (HOFFMANN; LEONE, 2004).
A inserção feminina se dá em menores proporções e de modo bastante diferenciado da masculina. O processo de terceirização da economia brasileira, caracterizado pelo subemprego em atividades de baixa produtividade, baixo prestígio e baixa remuneração, atingiram primordialmente a força de trabalho feminina (AQUINO; MENEZES; MARINHO, 1995).
O processo de inserção feminina no mercado de trabalho brasileiro entre os anos de 1982 e 1997, acarretou o crescimento da atividade feminina e essa evolução ocorreu mediante a uma série de variáveis como desemprego, educação e salário (SCORZAFAVE, 2004).
Há ainda muitos conflitos em relação ao ingresso da mulher no mercado de trabalho, existe uma sobrecarga e cobrança tanto por parte da sociedade, como também das próprias mulheres, que cada vez mais se cobram para que estas desempenhem muito bem o papel de profissional, filha, esposa e mãe. (MERCADO DE TRABALHO FEMININO, 2005a).
O tamanho das famílias tem diminuído expressivamente na década de 90, favorecendo uma inserção mais plena da mulher na atividade econômica, que se tornara um fenômeno generalizado. (LEONE, 1999).
A chamada “gravidez tardia” – depois dos 30 ou 40 anos – é um fenômeno mundial. A cada dia, mais mulheres têm adiado a decisão de ter filhos, pelo ingresso na carreira profissional, falta de relacionamento estável, condição financeira considerada insatisfatória ou simplesmente pela dúvida de exercer ou não o papel da maternidade. Nos Estados Unidos, estima-se que uma em cada cinco mulheres tem o seu primeiro filho após os 35 anos. No Brasil, não existem estatísticas oficiais (GESTAÇÃO, 2005a).
A Síndrome de Down é uma alteração cromossômica que se caracteriza pela combinação específica de material genético extra no par cromossomo 21, história natural definida por uma gestação tardia e aspectos fenotípicos bem definidos. Esta alteração inclui atraso nas funções motoras e mentais (RAMALHO; PEDROMÔNICO; PERISSINOTO, 200).
O desenvolvimento mental, motor, habilidades cognitivas, comportamento e a disposição emocional dos portadores de Síndrome de Down alteram significantemente dependendo da carga genética e dos tratamentos realizados precocemente às crianças (PUESCHEL, 1993).
A melhora no atendimento clínico e cirúrgico destes indivíduos portadores desta Síndrome tem propiciado um aumento de sua sobrevida (SCHWARTZAN, 1999).
Existem publicações sobre o ingresso da mulher no mercado de trabalho atualmente e a gravidez tardia que vem ocorrendo devido a este fato, e assim muitas vezes acarretando em gestações de alto risco.
Segundo Caldeyro (1973), toda gestação vem acompanhada de riscos tanto para a mãe quanto para o feto, no entanto, em pequeno número delas esse risco está muito aumentado, assim compreendendo o grupo das chamadas gestações de alto risco. O conceito dado a este tipo de gravidez é aquela em que a vida ou saúde seja da mãe ou do feto podem ser atingidas, tendo maiores chances do que as da população geral.
Tendo em vista a escassez de trabalhos realizados nesta área relacionando o ingresso da mulher ao mercado de trabalho e a gravidez de alto risco, viu-se a necessidade e a importância de uma revisão bibliográfica para a coleta de informações mais conceituais e específicas, já que esta poderá refletir em um programa de prevenção e orientação para as mulheres que se encontram neste grupo, ou até mesmo para a coleta de dados para trabalhos futuros.
Para um maior desenvolvimento deste trabalho é importante o conhecimento tanto das causas do ingresso das mulheres ao mercado de trabalho como das causas mais comuns da Síndrome de Down, que podem estar relacionadas com a faixa etária tardia destas mulheres.
Assim, não só esta revisão bibliográfica feita através da idade materna e da Síndrome de Down, mas toda a pesquisa realizada dentro deste assunto, terá benefícios através do conhecimento mais específico desses dados.

Material e Métodos

Como parte de um amplo processo de investigação científica, a abordagem escolhida para esta pesquisa tem caráter quali-quantitativo. Este trabalho de caráter qualitativo, baseada em pesquisa bibliográfica e documental, cujo objetivo principal era identificação da base conceitual da pesquisa.
O presente trabalho foi realizado através de revisões bibliográficas, pesquisas em bancos de dados e artigos científicos, a cerca do estado das pesquisas sobre a incidência de mulheres que engravidam cada vez mais tarde, ou seja, com idades avançadas, onde ocorrem o aparecimento de mais crianças com a Síndrome de Down. Isto se deve ao fato de que as mulheres procuram se estabilizar profissionalmente e se tornarem independentes, para garantir o tão esperado sucesso no âmbito profissional e assim realizar-se em todos os aspectos de suas vidas.
Contudo, esse novo pensamento faz com que estas mulheres sofram conseqüências futuras com as gestações tardias e possíveis comprometimentos gerados em seus filhos, como esta Síndrome, que acomete uma população grande de indivíduos cuja gestação ocorreu tardiamente.
No entanto, caso não ocorra esta ou outra anomalia genética, o bebê da gestante mais velha não terá mais chances de sofrer problemas de saúde como doenças cardíacas, respiratórias ou circulatórias. Essas doenças são herdadas dos pais, não importando qual idade eles tenham (GESTAÇÃO, 2005a).
Algumas características individuais e condições sócio-demográficas desfavoráveis possibilitam que a gestação corra riscos. Entre estes podemos listar: a faixa etária da mulher ser menor que 17 e maior que 35 anos; ocupação: esforço físico, carga horária, rotatividade de horário, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos nocivos, estresse. Assim como, a situação conjugal insegura; a baixa escolaridade; condições ambientais desfavoráveis; altura menor que 1,45 m; peso menor que 45 kg e maior que 75 kg e a dependência de drogas lícitas ou ilícitas (GESTAÇÃO, 2005b).

Resultados

O cromossomo 21, o menor dos autossomos humanos, contém cerca de 255 genes, de acordo com dados recentes do Projeto Genoma Humano. A trissomia da banda cromossômica 12q22, referente a 1/3 desse cromossomo, tem sido relacionada às características da Síndrome, O referido segmento cromossômico apresenta, nos indivíduos afetados, as bandas características da eurocromatina correspondente a genes estruturais e seus produtos em dose tripla.
A elaboração do mapa fenotípico, integrando características específicas com sub-regiões do cromossomo 21, mostra que, entre os produtos gênico conhecidos, só a APP (proteína precursora amilóide) foi relacionada à Síndrome de Down. O gene correspondente foi mapeado na banda cromossômica 21q21.5 e vários fragmentos (MOREIRA, 2000).
Dentro de cada célula do corpo, estão os cromossomos, responsáveis pela cor dos olhos, altura, sexo e também por todo o funcionamento e forma de cada órgão do corpo interno, como o coração, estômago e cérebro, por exemplo. Cada uma das células possui 46 cromossomos, iguais, dois a dois, isto é, existem 23 pares de cromossomos, destes, 22 são chamados cromossomos autossômicos e o outro par, chamado de cromossomos sexuais que são designados por letras, a mulher XX e o homem XY. Portanto, numa célula normal existem 46, XX cromossomos (mulher) ou 46,XY cromossomos (homem) e numa célula de pessoa com Síndrome de Down, existem 47 cromossomos. Através da figura abaixo se pode observar o teste de cariótipo encontrado nos portadores da Síndrome de Down (DARCY ANN UMPHERED, 1994).


Figura 1. Teste de cariótipo (DARCY ANN UMPHERED, 1994).

Segundo o aspecto genético, existem três tipos de Síndrome de Down: a Trissomia simples: quando são observados três cromossomos no par 21 em todas a células do indivíduo, ou seja, a pessoa tem de fato 47 cromossomos, ao invés de 46, que é o normal; Translocação: em que se observa a trissomia, mas nem todos os cromossomos trissômicos estão no par 21. Às vezes, o cromossomo extra se apresenta em outros pares, no 22 ou no 14, por exemplo. E o último tipo é o chamado Mosaicismo em que, na divisão do óvulo fecundado, algumas células ficam com 47, outras com 46 cromossomos (SÍNDROME DE DOWN, 2005a). Podemos observar essa incidência no gráfico 1. abaixo


A maior parte dos indivíduos (95%) com trissomia do 21 tem três cópias livres do cromossomo 21; em aproximadamente 5% dos pacientes, uma cópia é translocada para outro cromossomo acrocêntrico, geralmente o 14, o 21 ou o 22. Em 2 a 4% dos casos com trissomia do 21 livre, há mosaicismo, isto é, uma linhagem de células com trissomia e uma linhagem de células normal na mesma pessoa.
Pais que têm uma criança com síndrome de Down têm um risco aumentado de ter outra criança com a síndrome em gravidezes futuras. É calculado que o risco de ter outra criança afetada é aproximadamente 1 em 100 na trissomia do 21 e no mosaicismo. Porém, se a criança tem a Síndrome por translocação e se um dos pais é portador de translocação (o que ocorre em um terço dos casos), então o risco de recorrência aumenta sensivelmente. O risco real depende do tipo de translocação e se o portador da translocação é o pai ou a mãe (SÍNDROME DE DOWN, 2005b).
Dentro das várias alterações clínicas destes portadores podemos destacar primeiramente as anormalidades músculo-esqueléticas como, por exemplo, o deslocamento de quadril que é provocado pela frouxidão ligamentar e capsular associada com aumento de amplitude de movimento com rotação externa de quadril durante a marcha.
Em 15% dos casos pode ocorrer também a instabilidade atlanto-axial, devido a frouxidão ligamentar, sinais de compressão da medula: clônus, mudanças na marcha, dores de cabeça e pescoço, torcicolo, retração do tendão de Aquiles, incoordenação, aumento do tônus, movimento de cervical limitado, bexiga neurogênica e fraqueza muscular.
As anormalidades cardíacas mais comuns são: Tetralogia de Fallot: conhecida como a “doença azul” descrita por Fallot em 1888, caracterizando-se por quatro “defeitos”; comunicação interventricular, estenose pulmonar, transposição da aorta e a hipertrofia do ventrículo direito.
As alterações oftalmológicas são mais comuns e encontradas também em indivíduos normais, por exemplo, a Miopia que é a dificuldade de enxergar de longe, onde a imagem do objeto visualizado é focada antes da retina. A Hipermetropia que é a dificuldade de enxergar de perto, a imagem é focada “depois” da retina. O Astigmatismo, onde a imagem se forma em dois pontos distintos, antes ou depois da retina, gerando uma imagem “borrada” tanto para longe quanto para perto.
E por último, o Estrabismo, que é qualquer desvio de um perfeito alinhamento ocular, este desvio pode ser para dentro, para fora, para cima, para baixo ou uma combinação destes.
Dentro das alterações gastrointestinais estão a Doença de Hirschsprung onde existe uma agenesia das células ganglionares parassimpáticas mioentéricas na parte distal à porção dilatada do intestino e a Atresia duodenal que é causada pela obstrução do duodeno.
Os portadores de Síndrome de Down apresentam alterações imunológicas como a Leucopenia que é causada pela diminuição dos glóbulos brancos do sangue, a Macrocitose que é a deficiência da vitamina B12 diminuição dos glóbulos brancos ou aumento do tamanho real dos glóbulos vermelhos.
E por último podemos citar as alterações do Sistema Nervoso destes indivíduos. A Hipoplasia, onde o cerebelo e cérebro não se desenvolvem, gerando uma atrofia e a Leucemia que é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos) de origem não conhecida. Esta patologia tem como principal característica, o acúmulo de células jovens (blásticas) anormais na medula óssea que substituem as células sangüíneas normais. (DARCY ANN UMPHERED, 1994).
As crianças com Síndrome de Down necessitam do mesmo tipo de cuidado clínico que qualquer outra criança. Entretanto, há situações que exigem alguma atenção especial. Dentro das estatísticas pesquisadas encontramos números que nos mostram a porcentagem da relação entre as diversas alterações encontradas e o número de portadores que possuem estas anormalidades.
Existe uma estimativa que 80 a 90% das crianças com Síndrome de Down têm deficiências de audição. Avaliações audiológicas precoces e exames de seguimento são indicados, 30 a 40% destas crianças têm alguma doença congênita do coração.
Outra preocupação relaciona-se aos aspectos nutricionais, especialmente as com doença cardíaca severa, que encontram dificuldade constante em ganhar peso, por outro lado, obesidade é freqüentemente vista durante a adolescência. Estas condições podem ser prevenidas pelo aconselhamento nutricional apropriado e orientação dietética preventiva.
Nos portadores de Síndrome de Down, é comum encontrar anormalidades da função tireoidiana, entre 15 e 20% destas crianças têm hipotireoidismo, e pode comprometer o funcionamento normal do sistema nervoso central (OLIVEIRA et al, 2002).
O indivíduo portador da Síndrome de Down apresenta algumas características físicas que são típicas entre elas estão: achatamento da parte de trás da cabeça, inclinação das fendas palpebrais, pequenas dobras de pele no canto interno dos olhos, língua proeminente, ponte nasal achatada, orelhas ligeiramente menores, boca pequena, tônus muscular diminuído, ligamentos soltos, mãos e pés pequenos, pele na nuca em excesso (DARCY ANN UMPHERED, 1994).
Assim como características físicas são apresentadas, podemos destacar as alterações neurológicas que são: dosagem anormal de genes; anormalidades estruturais e funcionais no sistema nervoso central; o peso do cérebro é de 10 a 50% menor; circunferência da cabeça é menor; redução ou hipoplasia dos lobos frontais; giro temporal diminuído em um ou ambos hemisférios em 35 a 50% dos casos; cerebelo e tronco cerebral menores; mielinização atrasada em 22,5% dos casos; densidade neuronal por mm3 é menor de 30 a 50%, em 80% dos casos; duração média das sinapses é diminuída; anormalidades hipotalâmicas e hipocampais.
Aproximadamente 50% de todas as crianças com a Síndrome têm uma linha que cruza a palma das mãos (linha simiesca), e há, freqüentemente, um espaço aumentado entre o primeiro e segundo dedos do pé. Freqüentemente estas crianças apresentam mal-formações congênitas maiores. (SÍNDROME DE DOWN, 2005a).
Os acidentes vasculares nos portadores de Síndrome de Down podem ocorrer por cardioembolia devida às malformações cardíacas e quando ocorrem alterações no sistema de coagulação sangüínea (FUNAYAMA, 2002).
Segundo, Corrêa, Silva e Gessualdo, (2005), todas as crianças portadoras da Síndrome de Down, apresentam um atraso tanto no esquema como na imagem corporal, e assim, interferem no seu desenvolvimento psicomotor. Em relação ao desenvolvimento neuropsicomotor destas crianças, observamos a tabela 1. abaixo.


A relação entre infecções e a Síndrome de Down é escasso na literatura atual, sendo apresentado causas de morbidade genéricas, nas quais as infecções respiratórias estabeleciam ser a principal causa de óbito no início do século, atualmente já ocupando posição secundária como causa de mortalidade (RIBEIRO et al, 2003).

Gestação de alto risco

A gestação é um fenômeno fisiológico e, assim, o seu desenvolvimento ocorre normalmente sem intercorrências. Apesar disso, existe uma pequena parcela de gestantes que, por terem características específicas, ou por sofrerem algum agravo, apresenta maiores perspectivas de progresso desfavorável, tanto para o feto como para a mãe. Essa parcela constitui o grupo chamado de “gestantes de alto risco” (GESTAÇÃO, 2005b).
Desta forma, pode-se conceituar gravidez de alto risco “aquela na qual a vida ou saúde da mãe e/ou do feto e/ou do recém-nascido, têm maiores chances de serem atingidas que as da média da população considerada” (CALDEYRO-BARCIA, 1973).
Dados da Associação de Síndrome de Down nos Estados Unidos mostram que quanto maior for a idade da mãe, maiores são as chances da criança nascer com a Síndrome (GESTAÇÃO, 2005b).
O Gráfico 2. abaixo mostra a idade materna da mãe e Síndrome de Down.


De acordo com a faixa etária da gestante existe a chance de nascer um portador desta Síndrome, segue abaixo a Tabela 2. que mostra os seguintes dados:


Discussão

Muito se fala e pouco se sabe, ainda, o porque do aumento da probabilidade de uma gestante tardia ter um bebê com Síndrome de Down.
Chegando a um senso comum das pesquisas feitas e das informações coletadas é que tanto a idade paterna como a idade materna influencia nesse aumento de porcentagem. Na mulher o que ocorre é o “envelhecimento” dos óvulos com o decorrer da idade, visto que a mulher já nasce com todos os óvulos que irá maturar durante a vida adulta, e durante esse período que o óvulo fica “guardado” ele sofre alterações por influência até mesmo do meio em que a mulher vive, como irradiações, agrotóxicos, alimentação errada, drogas, e medicamentos.
Durante a fase da fecundação podem ocorrer falhas no processo de divisão (meiose) e na fase da mórula, acarretando diversas síndromes congênitas, entre elas a mais comum que é a Síndrome de Down.
A idade paterna carrega a mesma teoria, embora o homem fabrique espermatozóides “novos” durante toda a vida adulta, as mutações durante a sua vida podem influenciar na qualidade dos espermatozóides que ele fabrica, tornando-os mais lentos, ou até mesmo “defeituosos”.
Um outro ponto a ser questionado, é o de que muitas mulheres jovens com homens jovens também têm filhos com Síndrome de Down; já para esse fato temos outra estatística que parece esclarecedora, as mulheres que engravidam mais cedo tendem a ter mais filhos durante a vida, e com isso aumentam a percentagem de ter um bebê com esta síndrome.
Por outro lado, a inclusão da mulher no mercado de trabalho e a idade em que ela engravida, pode acarretar no nascimento de um bebê portador da Síndrome de Down. Com o passar dos anos, o aspecto profissional está se tornando alvo principal da mulher atualmente, a independência financeira faz com que a procura a este mercado aumente e assim a competitividade em relação aos cargos ocupados pelos homens se torne mais comum.
Segundo Andrée Kartchewsky (1986), há a necessidade de se encarar a divisão social do trabalho como relação de classes e entre sexos e de se ter a compreensão do trabalho como atividade profissional e atividade da esfera doméstica. E em relação a participação desigual no trabalho de homens e mulheres, diz que o uso da força de trabalho destina as mulheres às categorias menos remuneradas, sobrepondo que esse problema se refere mais ao estatuto social das mulheres do que à sua vinculação a alguma determinada categoria profissional. Essa declaração é evidenciada desde a inclusão da mão-de-obra feminina ao mundo industrial até os dias atuais (BRITO; D’ACRI, 1991).
Esse é considerado um fenômeno caracterizado pelo aumento de mulheres chefes de família, que ano de 1989 corresponderam, a 20,1% do total de famílias, representando hoje uma parcela considerável do universo de mulheres que trabalham. E estas, consideradas chefes de família são as que se encontram nas classes menos favorecidas e entre elas, as maiores proporções são encontradas na região norte do país.
Um outro aspecto que revela diferenças entre homens e mulheres diz respeito ao sofrimento mental gerado pelo trabalho, são as manifestações características na qualificação das tarefas, nos salários e principalmente na disciplina do trabalho. A mulher é socializada desde a infância para ocupar uma posição na reprodução social, ela carrega consigo características ímpares de docilidade e de paciência, assim a resistência para o trabalho monótono e repetitivo são qualidades pretensamente naturais das mulheres, que resultam, na verdade, desse longo processo de qualificação para o trabalho. É provável então que a relação das mulheres com o trabalho como fonte de sofrimento e também de prazer seja profundamente marcada por esse processo de socialização (AQUINO; MENEZES; MARINHO, 1995).

Conclusão

Através desta revisão bibliográfica podemos concluir que existem várias hipóteses relacionadas com as causas mais comuns da Síndrome de Down, dentre elas citamos, que a faixa etária dos pais, alterações ambientais, irradiações, agrotóxicos, alimentação errada, drogas, e medicamentos são supostas causas de nascimentos de bebês com Síndrome de Down.
Entretanto, mulheres e homens jovens também têm a probabilidade alta de ter filhos com esta Síndrome. Considerando o fato de que o Brasil ainda é um país em desenvolvimento e com um índice de desemprego muito alto, essa porcentagem acaba se equilibrando com os números de mães com idade avançada e mães jovens com bebês com a doença.
Segundo dados brasileiros, cerca de 24% dos cargos de diretoria são ocupados pelas mulheres; uma porcentagem maior que a esperada à cerca dos estudos sobre o trabalho feminino que ressaltam tantas limitações encontradas pelas trabalhadoras para ter acesso a cargos de chefia. No entanto, os dados mostram ao mesmo tempo, que esses cargos se aplicam em áreas tradicionais femininas, como a social, a cultural e a da saúde. E mesmo nos níveis mais elevados da carreira, as executivas brasileiras se apresentam nas chamadas áreas femininas.
Embora muitos dos segredos envolvendo a Síndrome de Down tenham sido desvendados, ainda existem muitas perguntas sem resposta que exigirão pesquisas futuras para nos oferecer melhor compreensão desta desordem, porém, vale ressaltar que várias hipóteses são mencionadas neste trabalho para que haja uma maior reflexão e estudo sobre o assunto.

Referências

– C AQUINO, E. M. L.; MENEZES , G. M. S.; MARINHO, L. F. B. Mulher, saúde e trabalho no Brasil: desafios para um novo agir. Caderno de Saúde Pública, v.11, n°.02, p.281-290., Jun 1995.
Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/csp/pes.html

– BRITO, J. C; D’ACRI, V. Referencial de análise para a estudo da relação trabalho, mulher e saúde. Caderno de Saúde Pública, v. 07, n°.02, p.201-214, Jun 1991.
Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/csp/pes.html

– BRUSCHINI, C.; PUPPIN, A. B. Trabalho de mulheres executivas no Brasil no final do século XX. Caderno de Pesquisa, v. 34, n°.121, p.105-138, Abr 2004.
Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010015742004000100006&lng=pt&nrm=iso

– CORRÊA, F. I; SILVA, F.P; GESSUALDO, T. Avaliação da imagem e esquema corporal em crianças portadoras da Síndrome de Down e crianças sem comprometimento neurológico. Revista Fisioterapia Brasil, v.06, nº. 01, p. 19-23, Jan/Fev. 2005.

– DARCY ANN UMPHERED, Fisioterapia Neurológica. São Paulo, Manole, 1994.

– FUNAYAMA, C.A.R. Aspectos neurológicos na Síndrome de Down. Revista Temas sobre Desenvolvimento, v.11, nº. 61, p. 40-4, 2002.
– Gestação. Disponível em:
http://www.meubebezinho.com.br/gravidez_40.shtml. Acesso em 10.Abr.2005a.

– Gestação. Disponível em:
http://www.providaanapolis.org.br/gestao.htm. Acesso em 30.Jun.2005b.

– HOFFMANN, R.; LEONE, E.T. Participação da mulher no mercado de trabalho e desigualdade da renda domiciliar per capta no Brasil: 1981-2002. Nova Economia Belo Horizonte, v. 14, n°. 02, p.35-58, Mai/Ago 2004.
Disponível em:
http://64.233.187.104/search?q=cache:F46RQneoms0J:www.face.ufmg.br/novaeconomia/sumarios/v14n2/140202.pdf+Participa%C3%A7%C3%A3o+da+mulher+no+mercado+de+trabalho+e+desigualdade+da+renda+domiciliar+per+capita+no+Brasil:+1981-2002&hl=pt-BR&lr=lang_pt

– LEONE, E, T. Renda familiar e trabalho da mulher na região metropolitana de São Paulo ns anos 80 e 90. Instituto de Economia da Universidade de Campinas, nº. 81, Jul/1999.
Disponível em:
http://64.233.187.104/search?q=cache:3ipjdgJWbKQJ:www.eco.unicamp.br/publicacoes/textos/download/texto81.pdf+renda+mulher&hl=pt-BR Acesso em 25.Out.2005.

– MOREIRA, LÍLIA MA et al. A síndrome de Down e sua patogênese: considerações sobre o determinismo genético. Revista Arquivo Brasileiro de Psiquiatria, v.22, nº. 02, p. 96-99, Jun.2000.

– Mercado de trabalho feminino. Disponível em:
http://notitia.truenet.com.br/desafio21/newstorm.notitia.apresentacao.ServletDeNoticia?codigoDaNoticia=1085&dataDoJornal=atual. Acesso em 04.Jul.2005a.

– OLIVEIRA, A.T. A; LONGUI, C. A; CALLIARI, L.E.P; FERONE, E. A; KAWAGUTI, F.S; MONTE, O. Avaliação do eixo hipotalâmico-hipofisário-tireoidiano em crianças com Síndrome de Down. Jornal de Pediatria, v.78, n°. 04, Jan.2002.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S002175572002000400008#nota01

– PUESCHEL, S. e colaboradores, Síndrome de Down. Guia para pais e educadores, 2ª ed., Campinas, Papirus, p. 45-64, 1995.

– RAMALHO, C. M. J; PEDROMÔNICO, M.R; PERISSINOTO, J. Síndrome de Down: avaliação do desempenho motor, coordenação e linguagem (entre dois e cinco anos). Revista Temas sobre Desenvolvimento, v.09, nº. 52, p. 11-4; 2000.

– RIBEIRO, L. M. A, JACOB, C. M.A., PASTORINO, A. C. et al. Avaliação dos fatores associados a infecções recorrentes e/ou graves em pacientes com síndrome de Down. Jornal de Pediatria, vol.79, n°. 02, p.141-148, Abr. 2003.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572003000200009&lng=en&nrm=iso

– SCHWARTZMANN, J.S e colaboradores; Síndrome de Down, São Paulo, Memmom/Mackenzie, 1999.

– SCORZAFAVE; L. G.D.S. Caracterização da inserção feminina no mercado de trabalho e seus efeitos sobre a distribuição de renda. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, Abr. 2004.
Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12138/tde-27102004-095849/

– Síndrome de Down. Disponível em:
http://members.tripod.com.br/caiquearantes/. Acesso em 02.Jul.2005a.

– Síndrome de Down. Disponível em:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?393. Acesso em 04.Jul.2005b.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.