A IMPORTÂNCIA DAS ORIENTAÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS PARA CUIDADORES E FAMILIARES DOS PACIENTES QUE TIVERAM ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO-AVE

DAYANE CRISTINA AIRES LEITE

Trabalho de Conclusão do Curso de Fisioterapia, Faculdade Uninassau, para obtenção do título de Fisioterapeuta.
Orientador: Prof. Francisco Carlos Santos Cerqueira

Dedico este trabalho, a minha mãe Cléia Maria Aires Leite, ao meu pai, Antônio da Luz Machado Puresa, pelo incentivo e apoio que sempre me deram pra chegar até aqui. E ao meu filho Kauã Kayky Aires Leite, por ser luz na minha vida, do qual me dá forças para prosseguir. OBRIGADA.

AGRADECIMENTO

Quero agradecer primeiramente a Deus, que foi meu porto seguro, a minha base para aguentar todas as fases difíceis que passei até aqui, e por sempre fortalecer meu coração diante das dificuldades, que me fez forte para nunca desistir, e por me fazer chegar até aqui.

Ao meu pai e a minha mãe, que sempre me incentivaram e estiveram do meu lado em toda essa trajetória, me apoiando e me auxiliando no que fosse necessário, tanto financeiramente, quanto psicologicamente, gratidão a eles.

Ao meu professor e orientador, Francisco Carlos Santos Cerqueira por sua paciência, dedicação, ensinamentos nessa etapa tão importante na minha vida.

“Não importa o que aconteça, continue a nadar.”

(WALTERS, GRAHAM; PROCURANDO NEMO, 2003.)

RESUMO

O artigo se propõe a identificar o grau de entendimento das orientações fisioterapêuticas dos cuidadores e familiares dos pacientes que tiveram Acidente Vascular Encefálico (AVE) no pós-alta hospitalar. Ressaltamos a importância do acolhimento aos cuidadores e familiares durante o período de hospitalização, no qual constatamos inúmeras situações dolorosas enfrentadas pela família. O objetivo é analisar as orientações fisioterapêuticas devidas aos cuidadores e familiares dos pacientes que tiveram Acidente Vascular Encefálico (AVE). O estudo está baseado em pesquisa exploratória, método qualitativo, utilizando a revisão bibliográfica. Foram pesquisados artigos publicados entre 2011 á 2020, nas referências de fontes: Scielo e google acadêmico. Em termos de resultadosdestaca-se a importância dessas informações para capacitar o cuidador/familiar a proporcionar uma qualidade de vida diária melhor para o doente em sua casa, que teve AVE, sendo assim, necessitando de cuidados devido a limitação das capacidades funcionais.

Palavras-chaves: AVE, Cuidador, Familiar.

ABSTRACT

The article aims to identify the degree of understanding of the physiotherapeutic guidelines of caregivers and family members of patients who had a stroke after hospital discharge. We emphasize the importance of welcoming caregivers and family members during the hospitalization period, in which we find numerous painful situations faced by the family. The objective is to analyze the physiotherapeutic guidelines due to caregivers and family members of patients who had a stroke. The study is based on exploratory research, qualitative method, using the literature review. Articles publishedbetween 2011 and 2020 were searched, in the references of sources: Scielo and google academic. In terms of results, the importance of this information is highlighted to enable the caregiver / family member to provide a better quality of daily life for the patient at home, who had a stroke, thus needing care due to limited functional capacities.

Keywords: AVE, Caregiver, Family.

1. INTRODUÇÃO

O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma disfunção neurológica aguda que ocorre devido a um distúrbio da circulação encefálica, obtendo como consequência sinais e sintomas que comprometem locais específicos do cérebro. Caracterizam-se pela persistência dos déficits neurológicos por mais de 24 horas (O`SULLIVAN, 2004). Inúmeras são as possíveis alterações que podem ocorrer em um indivíduo vítima de AVE, como alteração no nível de consciência e comprometimentos nas funções sensoriais, motoras, cognição, percepção e linguagem (O`SULLIVAN, 2004). De acordo com a extensão e o local da lesão este quadro clínico é variável, tornando ou não o paciente em dependência parcial ou total, devido ao grau de incapacidade funcional (GARANHANI, 2010).

Hipertensão, cardiopatias e diabetes, são os principais fatores de risco de AVE. É uma patologia possível de prevenção, sendo seus fatores de riscos modificáveis, com a regulagem da pressão arterial, controle de colesterol e lipídios, o ato de parar de fumar, realização de atividade física regular, existe, porém, os fatores de risco não modificáveis como envelhecimento, hereditariedade, sexo masculino. Quanto maior o número de fatores de risco, maior a chance de o indivíduo sofrer um AVE (O`SULLIVAN, 2004).

A intervenção fisioterapêutica domiciliar, através da cinesioterapia, interfere, diretamente, no processo de recuperação motora e das atividades funcionais dos pacientes em condições crônicas geradas pelo AVE. Durante esta intervenção, trabalha-se posicionamento no leito, mudanças de decúbito, prevenção de úlceras de pressão com orientações para uso de coxins, transferências leito/ortostatismo/cadeira, exercícios para o fortalecimento e alongamento muscular, dissociação de cinturas, alinhamento postural, coordenação e equilíbrio (MARINO et al., 2005; FERREIRA et al., 2005).

Nessa intervenção prima-se, também, por treinamentos de como devem ser realizadas as mudanças de decúbitos, as transferências nas diferentes posturas, precauções com a higiene e medidas preventivas que evitem a instalação de deformidades e contraturas que comprometerão ainda mais a funcionalidade destes pacientes (RIBEIRO et al., 2007; CAVENAGHI et al., 2005).

Em estudo realizado por Israel e Teixeira (2011), constatou-se que o fisioterapeuta durante a alta hospitalar solicita alguns cuidados, e por isso é necessário um preparo para este momento por parte deste profissional para com a família/cuidador, pois não é possível absorver todas as instruções dadas no período de internação para o cuidado no indivíduo no domicilio. Por vezes, as recomendações dadas pelo fisioterapeuta pode ser consideradas como uma sobrecarga, pois aumentam as tarefas que os cuidadores tem a realizar, porém apesar das dificuldades encontradas as cuidadoras realizam alguns cuidados aprendidos através da observação durante o período de internação e também intuitivamente, tais como o estímulo as AVD, mobilização passiva, transferências e promoção de analgesia através de pomadas, massagens e compressas mornas.

Em estudo supracitado, a própria família realizou alterações no ambiente domiciliar, com o objetivo de facilitar a segurança e movimentação do paciente no domicilio, como rampas, apoio no banheiro, colocação de piso menos escorregadio e trocaram os utensílios de vidro por plástico. As tarefas que necessitam de esforço físico são apontadas como as que representam maior dificuldade para o cuidador (PERLINI E FARO, 2005). Bocchi (2004) em seu estudo afirma que sobrecarga física está relacionada a pacientes mais dependentes, principalmente no que se refere ao transporte, deambulação.

  1. DESENVOLVIMENTO
    2.1 AVE E O IMPACTO NO CONTEXTO FAMILIAR

O Acidente vascular Encefálico (AVE), segundo a OMS (2003), representa uma dessas condições crônicas. Ele é um acometimento neurológico agudo, causado por distúrbio vascular devido à diminuição do fluxo sanguíneo no cérebro, que se dá por obstruções ou hemorragias decorrentes da ruptura de vasos sanguíneos, podendo ocasionar alterações focais ou generalizadas (MARINO et al, 2005; PAZ, 2007). A principal consequência do AVE é a hemiplegia, caracterizada pelo comprometimento motor e/ou sensorial de um hemicorpo. Poderá, portanto, causar déficit motor, sensorial, cognitivo e alterações emocionais (MARINO et al., 2005; RIBEIRO et al., 2007; CAMARGOS, 2006). Estes fatores poderão ocasionar incapacidade funcional o que compromete a realização das atividades básicas e instrumentais da vida diária. Após um AVC, o paciente pode permanecer independente apesar das sequelas motoras e/ou sensoriais, ou, nos casos mais graves, tornar-se totalmente dependente em suas atividades (RIBEIRO et al., 2007).

No Brasil o AVE vem sendo como a principal causa de internações, mortalidade e incapacidades (BOCCHI, 2004). Shepherd (2008), citado por Tsukamoto (2010), diz que decorrente dos processos degenerativos que acomete o indivíduo com AVE, os mesmos podem ter dificuldades na realização das atividades de vida diária. Por serem patologias frequentes e incapacitantes, solicitam o envolvimento dos cuidadores, onde geralmente é alguém da família, para o sucesso na reabilitação do paciente (THOMPSON, 2005 apud TSUKAMOTO, 2010).

O AVE acontece quando há uma alteração no suprimento sanguíneo e seus nutrientes, para uma determinada área encefálica. Isso pode ocorrer por uma obstrução em um dos vasos sanguíneos, levando ao AVEI (Acidente Vascular Encefálico Isquêmico), que representa de 60 a 85% dos casos. Pode ocorrer também por uma hemorragia, caracterizando o AVEH (Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico), que corresponde a aproximadamente de 15 a 25% dos casos (GAZZOLA, 2007).

Os principais fatores de risco que podem facilitar a instalação do AVE são a hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, excesso de colesterol e triglicerídeos, tabagismo, uso excessivo e prolongado de bebida alcoólica, uso de anticoncepcionais hormonais, principalmente se associado ao fumo, obesidade, sedentarismo, diabetes, estresse, doenças pulmonares crônicas, homocisteína aumentada, história familiar de doenças cardiovasculares (GAZZOLA, 2007).

O grau de recuperação do paciente com sequelas de AVE pode depender da habilidade do cuidador e familiar, em oferecer ajuda ao portador da deficiência (SOUSA, 2008). O cuidado a esses pacientes, frequentemente, transforma-se em sobrecarga para a família (BOCCHI, 2005). Sabe-se que as doenças crônicas, dentre elas o AVE, geram situações de crises, um acontecimento estressante para os familiares e nos doentes (SOUSA, 2008). Cuidador é a pessoa cuja responsabilidade é a de efetuar as atividades para as quais o paciente não tem mais possibilidade de realizar (ANDRADE, 2009).

Em estudo realizado por Israel e Teixeira (2011), constatou-se que o fisioterapeuta durante a alta hospitalar solicita alguns cuidados, e por isso é necessário um preparo para este momento por parte deste profissional para com a família/cuidador, pois não é possível absorver todas as instruções dadas no período de internação para o cuidado no indivíduo no domicilio. Por vezes, as recomendações dadas pelo fisioterapeuta pode ser consideradas como uma sobrecarga, pois aumentam as tarefas que os cuidadores tem a realizar, porém apesar das dificuldades encontradas as cuidadoras realizam alguns cuidados aprendidos através da observação durante o período de internação e também intuitivamente, tais como o estímulo as AVD, mobilização passiva, transferências e promoção de analgesia através de pomadas, massagens e compressas mornas

  1. 2 A ORIENTAÇÃO FISIOTERÁPICA PARA O CUIDADOR E FAMILIAR

SOBRE OS PROCEDIMENTOS PARA OS PACIENTES QUE TIVERAM AVE

Segundo pesquisa realizada por Lavinsky (2004), após a alta hospitalar são várias as dificuldades encontradas pelo cuidador e pelo paciente no domicilio, precisam realizar atividades para solucionarem novas situações que surgem a partir desse momento, ou situações que ocorreram no período de internação hospitalar que foram vivenciadas na companhia de um profissional da área de saúde. Essa necessidade de resolutividade necessita de um mínimo de preparo. Contudo, os profissionais de saúde, poderão minimizar essa situação, oferecendo informações básicas de como cuidar de seu familiar no domicilio. Os pacientes que apresentam índices insatisfatórios para sua independência funcional necessitarão da presença de um cuidador (RIBEIRO et al., 2007; MAKIYAMA et al., 2004). O cuidador é a pessoa que está diretamente envolvida nos cuidados do paciente, como: higiene, controle de medicação, troca de roupas e fraldas, prevenção de úlcera de pressão, preparo de alimentos, acompanhamento às consultas médicas, dentre outros (LUZARDO, 2006). A realização de tarefas pelo cuidador dependerá do nível de dependência do paciente (RIBEIRO et al., 2007).

O processo de reabilitação de pacientes com AVE tem por objetivo a prevenção de complicações secundárias físicas ou cognitivas, Diminuição e recuperação precoce dos déficits sensóriomotores e cognitivos, estimular a neuroplasticidade e reaprendizado, aproveitamento máximo do potencial residual das funções corpóreas, compensação e adaptação às incapacidades físicas e cognitivas, reaprendizado e mudança no comportamento familiar, profissional e no convívio social, independência, reintegração na comunidade e qualidade de vida para pacientes e familiares (CECATTO, 2009).

O retorno ao domicílio exige uma reabilitação imediata, sendo de grande importância a ajuda dos familiares. A recuperação do paciente está associado a redução do edema cerebral, melhora do suprimento sanguíneo e remoção do tecido necrótico (EKMAN, 2000). Segundo a Organização Mundial de Saúde, as recuperações das habilidades funcionais só ocorrem através do movimento ativo, um paciente com AVE deve ser ajudado a realizar as AVD, mesmo que não sejam feitas com perfeição.

Alguns cuidados devem ser passados aos cuidadores familiares pelo fisioterapeuta, para o dia-a-dia do paciente em seu domicilio. De acordo com a Organização Mundial de Saúde o posicionamento correto do corpo é muito importante, ajudando a prevenir deformidades musculoesqueléticas, prevenir escaras, prevenir problemas circulatórios, enviar informações normais ao cérebro, contrastando com a ausência temporária de informações sensoriais causada pelo AVC e promover o reconhecimento e a consciência do lado afetado, Ficar por um longo período deitado na cama na mesma posição não é bom para o paciente que sofreu um AVC, a troca de posição na cama vai proporcionar estímulos diferente, que podem auxiliar a restaurar a função sensorial, o posicionamento errado pode causar rigidez, limitação na ADM e a retrações musculares, piorando a incapacidade do paciente.

A família e o paciente devem aprender o quanto antes técnicas de transferências para permitir uma melhor mobilidade nas atividades de vida diária, de início o paciente requer algum auxílio, à medida que a habilidade, resistência e força forem melhorando, menos ajuda será necessário (GAZZOLA, 200).

É necessário estimular sempre o familiar a realizar atividades com o paciente, de modo que ele não fique acomodado ou dependente, evitando também que o mesmo perca a força muscular, agilidade, interesse e animo, essenciais a manutenção da independência funcional e na prevenção de quedas (GAZZOLA, 2007). O fisioterapeuta pode estar também orientando quanto aos cuidados com higiene, vestuário e locomoção com um menor esforço para o cuidador e procurando estimular o próprio desempenho motor do paciente (MENDONÇA, 2008). Garanhani (2010) em seu estudo afirma que a informação passada no período de alta hospitalar e na visita ao domicílio pode ser uma ferramenta importante no processo de reabilitação, pois a partir dela identifica-se as reais dificuldades dos pacientes e de seus cuidadores

Visto que o cuidador/familiar não tem o conhecimento completo sobre todas as modalidades de cuidado, é preciso ver o paciente como um todo, compreender a família como sendo fundamental no processo de reabilitação; incluir os cuidadores em metas de cuidado e incluir o cuidador na realização de cuidados básicos de forma que este se torne próximo do paciente e o estimule na reabilitação (RODRIGUES, 2009).

  1. 3 A IMPORTÂNCIA DAS ORIENTAÇÕES FISIOTERAPÊUTICAS PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DO PACIENTE E FAMÍLIA.

A informação passadas de maneira correta, são necessárias para minimizar as dificuldades encontradas pelos cuidadores familiares. É preciso conhecer as particularidades, necessidades e expectativas da família, para prestar uma assistência mais direcionada, adequando as condutas à realidade de cada família e adaptando as informações a cada cuidador e paciente (FONSECA E PENNA, 2008).

De maneira inesperada e intensa os cuidadores devem se adaptar a uma nova rotina, acompanhada de dificuldades como as econômicas, as estruturais e a necessidade de apoio. Tal apoio deve ser dado pela equipe de saúde, por meio de informações sobre o AVE e seu prognóstico, bem como orientações quanto às rotinas diárias (OLIVEIRA, 2011).

Os familiares/cuidadores quando aconselhados e orientados estarão mais preparados para agir adequadamente nas situações de cuidado. É necessário ao cuidador obter conhecimento sobre a doença e sobre as estratégias que devem ser usadas no cuidar (LAVINSKY, 2004).

O cuidador familiar deve receber orientação e educação para a saúde, a respeito das consequências advindas do AVE e das possíveis adaptações nas atividades de alimentação, higiene, transferências, locomoção e vestuário, tornando o cuidador mais preparado para as situações que podem ocorrer no dia a dia, trazendo benefícios para a reabilitação do paciente e proporciona maior tranquilidade e apoio ao cuidador familiar (GARANHANI, 2009). As informações passadas ao paciente e principalmente a família é um dos aspectos mais importantes no processo de reabilitação (NONINO, 2008).

Segundo Evans (1992) apud Cecatto (2010), durante os ganhos obtidos no processo de reabilitação, a família e o próprio paciente devem estar envolvidos e participando das decisões e dos planejamentos junto com o profissional de saúde. A educação e participação da família no domicilio, engloba: realização ativa da estratégia terapêutica ativa, auxilio na adequação das expectativas dos pacientes, realização dos ensinamentos promovidos durante a permanência no hospital para a vida prática no domicilio e monitorização domiciliar das deficiências e incapacidades (EVANS, 1992 apud CECATTO, 2010).

  1. 4 ANALÍSE, DISCUSSÃO E RESULTADOS

2.4.1 ANALÍSE

Ao analisar os estudos de uma pesquisa exploratória qualitativa, utilizando a revisão bibliográfica, buscando nas literaturas assuntos que abordam a importância das orientações fisioterapêuticas para cuidadores e familiares de pacientes que tiveram AVE, podemos notar nessa pesquisa que segundo os autores citados que a intervenção fisioterapêutica domiciliar, através da cinesioterapia, interfere, diretamente, no processo de recuperação motora e das atividades funcionais dos pacientes em condições crônicas geradas pelo AVE.

Durante esta intervenção, trabalha-se posicionamento no leito, mudanças de decúbito, prevenção de úlceras de pressão com orientações para uso de coxins, transferências leito/ortostatismo/cadeira, exercícios para o fortalecimento e alongamento muscular, dissociação de cinturas, alinhamento postural, coordenação e equilíbrio.

Portanto, nesta intervenção prima-se, também, por treinamentos de como devem ser realizadas as mudanças de decúbitos, as transferências nas diferentes posturas, precauções com a higiene e medidas preventivas que evitem a instalação de deformidades e contraturas que comprometerão ainda mais a funcionalidade destes pacientes.

Analisou-se também, que os cuidadores e familiares desses pacientes enfrentam dificuldades para acompanhar o seu doente, a maioria não possuem nenhum tipo de capacitação/orientação de como cuidar, trazendo assim uma sobrecarga para si, tanto física, quanto emocional.

Para atender aos objetivos relacionados à pesquisa, foi utilizado as seguintes bases de dados e biblioteca virtual, artigos publicados entre 2011 á 2020, nas referidas fontes: Scielo e Google acadêmico.

2.4.2 DISCUSSÃO

Sabe-se que não só os pacientes, mas também seus cuidadores precisam de atenção e apoio profissional, pois, orientar os cuidadores quanto à saúde e atividades de vida diária traz benefícios à recuperação do paciente e ainda proporciona maior tranquilidade e apoio aos que desempenham a difícil tarefa de cuidar.

Portanto, pode-se considerar essencial um treinamento, e orientações fisioterapêuticas que assegure um cuidado eficaz e de qualidade. Porém, é necessária uma supervisão da efetividade do cuidado realizado para facilitar o ato de cuidar e colaborarno desenvolvimento dessas habilidades. Assim é possível promover um cuidado livre do desgaste, uma vez que, dominando as ações necessárias na promoção do cuidado, o cuidador terá mais facilidade no planejamento do seu cotidiano, tendo maior tempo para proceder com o seu autocuidado. O papel da família e do cuidador é dar suporte e apoio emocional, contribuindo para a recuperação do familiar acometido pela doença e, na maioria das vezes, são essas mesmas pessoas que assumem a responsabilidade de dar continuidade à assistência, quando o doente retorna ao domicilio. Portanto, além da necessidade de aprender novas habilidades para lidar com o paciente acometido, a família necessita também de apoio psicológico para superar inúmeras situações específicas como: restrições do paciente, imprevisibilidade do prognóstico, cuidados básicos como alimentação, higiene, entre outros.

A fisioterapia domiciliar é uma pratica que vem crescendo muito, pois permite o acesso para aqueles pacientes que estão restritos ao leito, ou possuem alguma incapacidade físico- funcional que não permite uma locomoção para uma clínica de fisioterapia convencional. As orientações fisioterapêuticas para os cuidadores/familiares desses pacientes que tiveram AVE, e a fisioterapia em si, possui um papel fundamental na recuperação desse indivíduo, dando uma assistência adequada a esses pacientes afim de potencializar a recuperação funcional, objetivando o maior nível de dependência dentro das limitações em consequência da patologia, como também ensinar o doente a aquisição de uma postura correta no leito, na cadeira, recuperação da marcha, equilíbrio e a coordenação motora, com o objetivo de preservar, manter, desenvolver ou recuperar a integridade das funções acometidas pelo AVE, levando a reintegração social, familiar, e retorno das atividades de vida diária desse paciente.

2.4.3 RESULTADOS

Os artigos selecionados trataram da importância e assistência fisioterapêutica aos cuidadores e familiares de pacientes que tiveram acidente vascular encefálico(AVE) no seu domicilio, após a alta hospitalar.

O AVE é a 3ª causa de morte em países desenvolvidos e dados estatísticos recentes apontam que no Brasil é uma das primeiras causas de óbito (GAZZOLA, 2007).

Na perspectiva de enlaçamento dos estudos encontrados, destacam-se alguns pontos de vista que foram considerados relevantes. Verificou-se que há pessoas que negligenciam o cuidado, não poderiam assumir o papel de cuidadores. Pois, o papel de cuidador possui responsabilidades do ser acometido e, para isso, é necessário a sua total cooperação nos cuidados prestados para oferecer melhor qualidade de vida ao paciente.

As questões de sobrecarga física e emocional podem levar o cuidador ao risco de desenvolver sintomas depressivos, ansiedades e distúrbios do sono, consequentemente acarretando o agravamento ou o surgimento de enfermidades.

Os cuidadores estão abertos para obter mais informações, para qualificar o conhecimento sobre o ato de cuidar, objetivando a melhora da qualidade de atenção aos idosos, todo e qualquer tipo de informação fortalecerá e contribuirá para a prestação do cuidado (MARTINS, 2007).

Os profissionais de saúde devem ajudar a família, repassando orientações básicas sobre cuidados específicos sobre a patologia, suas complicações e sintomas (PERLINI E FARO, 2005). Tais profissionais devem atuar como facilitadores, oferecendo orientações quanto às adaptações para as atividades de vida diária e ao cuidado do paciente em domicílio (GARANHANI, 2009).

Visto que o cuidador/familiar não tem o conhecimento completo sobre todas as modalidades de cuidado, é preciso ver o paciente como um todo, compreender a família como sendo fundamental no processo de reabilitação; incluir os cuidadores em metas de cuidado e incluir o cuidador na realização de cuidados básicos de forma que este se torne próximo do paciente e o estimule na reabilitação (RODRIGUES, 2009).

3. CONCLUSÃO

A importância das orientações fisioterapêuticas para os cuidadores e familiares mostrou-se importante no processo de reabilitação da função motora desses pacientes que tiveram AVE, com ações preventivas e precoces sobre aqueles que apresentam sequelas recorrentes da lesão, com o intuito de auxiliar na função motora e com prevenções de algumas complicações que implicam a imobilização no leito, as quais podem interferir no seu desempenho funcional, bem como complicações musculoesqueléticas, respiratórias, cardiovasculares, promovendo a qualidade de vida e a independência.

As informações passadas a pacientes e cuidadores tem sido de grande valia no processo de reabilitação, podendo evitar complicações secundárias, como: úlceras de decúbito, presença de quadro álgico, deformidades. A fisioterapia deve contribuir para passar orientações, verificando na avaliação quanto este paciente e seu cuidador estão informados, passando as orientações necessárias que estão faltando para obter melhor resultado na recuperação e na qualidade de vida destes pacientes e de seus cuidadores (NONINO, 2008). O fisioterapeuta está diretamente incluso no processo de reabilitação da pessoa com AVE, tanto na fase aguda, no período de internação hospitalar, quanto na fase crônica, no domicílio ou ambulatorial, como posicionamento, trocas posturais, auxilio a marcha, prevenção de quedas, entre outras (GAZZOLA, 2007).

Visto que as principais dificuldades relatadas pelos cuidadores familiares, dizem respeito ao despreparo, insegurança e esforço físico realizado no ato de cuidar e a dificuldade em manusear a cadeira de rodas, tais dificuldades podem ser diminuídas com orientações do fisioterapeuta, e também pode ajudar em outras dificuldades existentes da rotina diária, como alimentação, banho, vestuário, transferência e locomoção (GARANHANI, 2009).

As informações passadas de maneira correta, são necessárias para minimizar as dificuldades encontradas pelos cuidadores e familiares. Ë preciso conhecer as particularidades, necessidades e expectativas da família, para prestar uma assistência mais direcionada, adequando as condutas à realidade de cada família e adaptando as informações a cada cuidador e paciente (FONSECA E PENNA, 2008).

É necessário que haja mais pesquisas relacionadas a esta, para que seja divulgado a comunidade, contribuindo para um novo entendimento e fortalecimento no âmbito do cuidado, quanto ao processo de reabilitação, principalmente no que diz respeito aos profissionais de saúde, em especial o fisioterapeuta, que lidam junto os pacientes portadores de incapacidades físicas e seus cuidadores.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOCCHI, S. C. M. Vivenciando a sobrecarga ao vira-se um cuidador familiar de pessoa com acidente vascular cerebral (avc): uma análise do conhecimento. Ver Latino-am Enferm, São Paulo, v.12, n. 1, p. 115-121, jan/fev, 2004.

FONSECA, N. R.; PENNA, A. F. G. Perfil do cuidador familiar do paciente com sequela de acidente vascular encefálico. Ciênc & Saud Colet, Salvador, v. 13, n. 4, p. 1175-1180, 2008.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). Cuidados inovadores para condições crônicas: componentes estruturais de ação: relatório mundial. Brasília, 2003

BOCCHI, Silvia. Interação cuidador familiar – pessoa com AVC: autonomia compartilhada. Ciênc Saúde Coletiva, v.10, n. 3, 2005.

FONSECA, Natália e PENNA, Aline. Perfil do cuidador familiar do paciente com seqüela de acidente vascular encefálico. Ciência e Saúde Coletiva, v. 13, n. 4, 2008.

GARANHANI, Márcia Regina. A experiência de pacientes e cuidadores após acidente vascular encefálico: uma revisão narrativa da literatura. Cienc cuid Saúde, v. 8, n. 2, 2009.

TSUKAMOTO, Heloísa. A problemática do cuidador familiar: os desafios de cuidar no domicilio. Revista Saúde e Pesquisa, v. 3, n. 1, 53-58, 2010.

OLIVEIRA, Bárbara. Cuidador de pessoas com acidente vascular encefálico necessidades, sentimentos e orientações recebidas. Acta Paul Enferm, v. 24, n. 1, 2011.

LAVINSKY, Andréa. Processo de cuidar de idosos com acidente vascular encefálico: sentimentos dos familiares envolvidos. Acta Scientiarum. Health Sciences, Maringá, v. 26, n 1, 41-45, 2004.

O`SULLIVAN, Susan. Fisioterapia: avaliação e tratamento. Barueri, SP: Manole, 2004. GARANHANI, Márcia Regina. Adaptação da pessoa após acidente vascular encefálico e seu cuidador: ambiente domiciliar, cadeira de rodas e de banho. Acta Fisiatr, v. 17, n. 4, 164-168, 2010.

BOCCHI, S. C., & Angelo, M. (25 de Janeiro de 2005). Interação Cuidador-familiar pessoa com AVC: autonomia compartilhada. pp. 729-738.

RODRIGUES, C. W., & Mejia, D. V. (s.d.). Importância da informação para o cuidador de paciente pacientes com sequelas de AVE: Benefícios para reabilitação. pp. 1-12.

5. LISTA DE ABREVIATURAS

AVE: Acidente Vascular Encefálico

ADV: Atividade de vida diária

0MS: Organização Mundial de Saúde

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