A IMPORTÂNCIA DA PRESENÇA DO FISIOTERAPEUTA NO TIME DE RESPOSTA RÁPIDA NO AMBIENTE INTRA HOSPITALAR

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Sendo a fisioterapia parte integrante do sistema de atenção à saúde, sendo a saúde reconhecida como um direito de todos e um dever do estado (Art. 196, CFB 1988), mediante políticas públicas que visem promoção, proteção e recuperação dos agravos, doenças e riscos de saúde, com acesso universal e igualitário, devendo-se incluir em sua plenitude a fisioterapia como parte do conjunto de ações e serviços prestados pela SUS.

A atuação fisioterapêutica compondo os times de resposta rápida (TRR) nas unidades de emergência (UEs), unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais está em crescimento no Brasil com a finalidade de contribuir na avaliação e no diagnóstico funcional dos distúrbios ventilatórios e de atuar no tratamento e na prevenção das alterações respiratórias apresentadas pelos pacientes nessas unidades.

A Portaria 2048 do Ministério da Saúde (MS), que dispõe sobre o serviço de urgência e emergência no Brasil, em seu capítulo V, discorre sobre o atendimento hospitalar nas UEs e emergência, citando o serviço de suporte, acompanhamento clínico e reabilitação, em que a presença do fisioterapeuta se faz importante por sua contribuição, prevenindo e tratando complicações cardiorrespiratórias, neurológicas e musculoesqueléticas.(1)

Em sua última atualização no ano de 2015 a American Heart Association AHA se fez presente contextualizando a ressuscitação cardiopulmonar (RCP) como estratégia de primeira mão do profissional em saúde em uma situação de parada cardiorrespiratória (PCR) fator que torna necessário que o treinamento integrado entre as equipes seja respaldado pela cientificidade colocada em prática. O Fisioterapeuta foi citado pela primeira vez de forma oficial em sua última diretriz e a inclusão do mesmo como componente do time de resposta rápida, deveu – se a formação

específica em ambiente crítico. Dada a presença deste profissional na equipe, as chamadas passaram a ter um nível de suporte mais avançado, resolução no reconhecimento do declínio do paciente e o melhor manejo dos equipamentos ventilatórios e de oxigenoterapia. (2)

A criação dos times de resposta rápida, vem tornar o trabalho mais dinâmico quando se trata de resolutividade e assistência qualificada, com avanços científicos e de qualidade na redução das PCR`s em especial nos setores da unidades hospitalares de grande porte. (2)

Os benefícios da implementação do TRR mostra resultados favoráveis no que se diz respeito a diminuição da mortalidade , em um estudo multicêntrico observacional americano que reuniu dez instituições hospitalares, e um número de ( n = 471062) pacientes entre os anos de 2001 e 2009 apresentou significante redução das taxas de óbito quando comparando os períodos pré implementação dos times, 31 meses antes da concepção com 235.718 chamadas e pós inserção dos times de resposta rápida 31 meses observando-se 235.344 chamadas, a mortalidade hospitalar foi melhorada (RR = 0,76; IC de 95% = 0,72-0,80; p < 0,001), dos dez hospitais pesquisados , seis apresentaram dados significantes. Estudos anteriores mostraram resultados pouco robustos. (3)

O declínio do paciente deve ser observado a todo momento com o intuito de melhor resposta do time de resposta rápida , e em um trabalho retrospectivo de publicação nacional foi onde foi avaliado o impacto de mortalidade associada as PCR’s e a mortalidade hospitalar aos chamados de código amarelo que revelava a súbita piora do quadro associada a solicitação da equipe formada por dois médicos, um enfermeiro e um fisioterapeuta e foram analisados todos os casos de PCR em pacientes adultos atendidos 19 meses antes e 19 meses após a implementação do código amarelo, os períodos foram chamados, respectivamente, de período pré e pós-intervenção. Os registros de pacientes admitidos com parada prévia em UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) antes de sua entrada e por chegarem em situação crítica foram descartados, sendo o escore APACHE (Acute Physiology and Chronic Health Disease Classification System II) um marcador de gravidade para considerar um evento de PCR na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), e caso o mesmo possuísse mais de um escore esta era selecionado. No período pré-intervenção ou implementação do código amarelo, observaram-se 3,54 eventos de parada cardiorrespiratória/1.000 altas e 16,27 mortes/1.000altas. Após a intervenção, observou-se redução no número de paradas cardiorrespiratórias e na taxa de mortalidade hospitalar: respectivamente 1,69 eventos de parada cardiorrespiratória/1.000 altas (p<0,001) e 14,34 mortes/1.000 altas (p=0,029), confirmando assim que a implementação do time de resposta rápida pode reduzir o número de paradas cardiorrespiratórias quando associados a mortalidade hospitalar. (4)

Na última década, seguindo tendências internacionais, a inserção dessa prática vem gerando contribuições e desfechos clínicos favoráveis a esses pacientes. O objetivo principal do atendimento fisioterapêutico é dar suporte rápido e eficiente para disfunções cardiorrespiratórias nos primeiros minutos, evitando possíveis agravamentos, como a parada cardiorrespiratória, necessidade de intubação orotraqueal (IOT), utilização de ventilação mecânica invasiva (VMI) e admissão na unidade de terapia intensiva (UTI).

Logo, de acordo com a Portaria Nº 1601/MS, de 7 de Julho de 2011, que estabelece diretrizes para implantação do conjunto de serviços de urgência e emergência 24 horas da Rede de Atenção às Urgências, em conformidade com a Política Nacional de Atenção às Urgências, em seu Art. 2º § II, essas unidades devem possuir equipe multiprofissional interdisciplinar compatível com seu porte.(5)

Considerando que o fisioterapeuta é integrante de equipes da área da Saúde em diversos setores hospitalares o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional no ano de 2019 ao dia 22 de Julho com a publicação da portaria 509 reconhece em seu artigo primeiro a atuação do fisioterapeuta na assistência à Saúde nas Unidades de Emergência e Urgência, sendo necessário e preconizado que tais profissionais sejam capacitados em Suporte Básico de Vida (BLS), Suporte Avançado de Vida Cardiovascular em Adultos – ACLS ou curso de capacitação similar em suporte de vida ao paciente crítico.(6)

O fisioterapeuta tem muito a contribuir com os times de resposta rápida (TRR) no ambiente hospitalar e unidades de emergência (UEs), contudo, ele deve estar capacitado para essa tarefa por meio da busca de conhecimento técnico/científico, contribuindo, assim, com a consolidação da área de atuação, porém deve ter o conhecimento de suas atribuições no momento certo, além de utilizá-la de forma específica de acordo com o quadro clínico atual do paciente na emergência, gerando o desfecho clínico esperado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 – Brasil. Ministério de Saúde. Portaria no. 2048 (BR). Regulamenta o atendimento das urgências e emergências. Diário oficial da República Federativa do Brasil. Brasilia; p.01/08, 2000.

2 – Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2015 para RCP e ACE. American Heart Association. Guidelines.

3 – Salvatierra G , Bindler RC , Corbett C , Roll J , Daratha K B . Rapid Response Team Implementation and In-Hospital Mortality. Critical Care Medicine. September 2014 • Volume 42 • Number 9

4 – Gonçales PDS , Polessi JA , Bass LM , Santos GPD , Yokota PKO , Laselva CR Junior CF , Neto MC , Estanislao M , Teich V , Sardenberg C. Redução de Paradas Cardiorrespiratórias por Times de Resposta Rápida. Einstein. 2012;10(4):442-8

5 – Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.601, de 7 de julho de 2011. Brasília: MS; 2011.

6 – RESOLUÇÃO COFFITO Nº 509, DE 25 DE JULHO DE 2019.

Dr. Mariel Patricio de Oliveira Junior
Pós graduado em Fisioterapia Respiratória e UTI – UNISUAM
Mestrando em Saúde e Tecnologia no Espaço Hospitalar pela UNIRIO
Fisioterapeuta do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho- UFRJ
Professor do curso de Fisioterapia da FABA
Membro da Câmara Técnica de Fisioterapia em Emergências e Urgências no Crefito2
Consultor ah doc para Fisioterapia em Urgências Emergências pelo COFFITO
Colunista da Revista NOVA FISIO

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