A importância da intervenção fisioterapêutica no pós-operatório de lipoaspiração.

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro,
Brasil, Ano 15, nº 86, Maio/Junho de 2012. https://www.novafisio.com.br

A importância da intervenção fisioterapêutica no pós-operatório de
lipoaspiração.

THE IMPORTANCE OF INTERVENTION IN THE POSTOPERATIVE PHYSIOTERAPEUTIC
LIPOSUCTION.

Lara D’Orleans Miranda Dantas Moreira*, Roberta Lourenço Tavares**

* Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Fisioterapia da Universidade Gama
Filho – Rio de Janeiro: laradorleans@gmail.com.

** Programa de Pós-Graduação Lato Sensu em Fisioterapia da Universidade Gama
Filho – Rio de Janeiro.

Revisado por: Rodrigo Silva Perfeito (rodrigosper@yahoo.com.br)

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 15, nº 86, Maio/Junho
de 2012. https://www.novafisio.com.br

Resumo

A Fisioterapia Dermato-Funcional fundamentada em conceitos científicos sólidos, muito tem contribuído tanto no pré quanto no pós-operatório, prevenindo e/ou tratando as respostas advindas das intervenções cirúrgicas, possibilitando ainda, a diminuição da ansiedade pós-operatória. Uma paciente do sexo feminino, submetida a uma cirurgia de lipoaspiração de abdome, flancos e costas realizou tratamento pós-operatório durante três meses, sendo realizada a 1ª sessão no 5º dia de cirurgia. O critério de identificação dos resultados utilizados foi por meio de avaliação fotográfica, onde podemos observar nitidamente a resposta ao tratamento pós-operatório desde o período inicial de tratamento até a última fase. O objetivo desse trabalho foi identificar a importância da inserção do fisioterapeuta dermato-funcional para melhorar os resultados das cirurgias de lipoaspiração com os cuidados do pós-operatório, acelerando a recuperação e prevenindo complicações mais comuns, atuando no contexto de cirurgia plástica como um colaborador da equipe que assiste aos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, mais especificamente a lipoaspiração. De acordo com a pesquisa realizada, pode-se concluir que a intervenção fisioterapêutica no pós-operatório imediato de lipoaspiração é de grande importância, pois atuará nas eventuais complicações e/ou na prevenção das mesmas. Desta forma, foram utilizados recursos do campo da Fisioterapia Dermato-Funcional, se referindo ao tratamento pós-operatório de lipoaspiração, dos quais: o ultra-som, a drenagem linfática manual, a vacuoterapia e a massagem do tecido conjuntivo, mostraram bom resultado ao término do tratamento, não apresentando complicações intercorrentes da cirurgia realizada.

Palavras chave: Fisioterapia Dermato-Funcional; lipoaspiração; pós-operatório.

Abstract
Physiotherapy Dermato-Functional concepts is based on sound science, has greatly contributed in both pre-and postoperatively, preventing and / or treating the answers coming from the surgery, also allowing the reduction of postoperative anxiety. A female patient, who underwent a liposuction of the abdomen, flanks and back conducted post-operative treatment for three months, the 1st session held on the 5th day of surgery. The criterion for identification of the results was used by photographic assessment where we can clearly observe the response to treatment after surgery since the initial period of treatment until the last phase. The aim of this study was to identify the importance of integrating the physical therapist to improve dermato-functional results of liposuction surgery with post-operative care, speeding recovery and preventing the most common complications, acting in the context of plastic surgery as a contributor team treating patients undergoing surgical procedures, liposuction specifically. According to the survey, one can conclude that the physical therapy intervention in the immediate postoperative period following liposuction is of great importance as it will act on possible complications and / or prevention. In this way resources were used in the field of Dermato-Functional Therapy, the case of post-operative treatment of liposuction, including: ultrasound, manual lymphatic drainage, the vacuum therapy and massage of the connective tissue, showed good results at the end of treatment, no complications of intercurrent surgery.

Key Words: Dermato-Functional Therapy; Liposuction; postoperative.

Introdução

Atualmente, para se alcançar um padrão de beleza moldado pela mídia, referente ao corpo belo e magro, as mulheres, principalmente, submetem-se a exaustivos sacrifícios em busca desse corpo considerado perfeito. Muitas vezes, para manter essa boa aparência estética, utilizam de medicamentos, dietas, exercícios e até intervenções cirúrgicas nessa busca. A fisioterapia dermato-funcional vem atuando de forma a auxiliar nessa busca pelo corpo desejado, ampliando cada dia mais a sua aplicabilidade (CEOLIN, 2006).
A Fisioterapia Dermato-Funcional fundamentada em conceitos científicos sólidos, muito tem contribuído tanto no pré quanto no pós-operatório, prevenindo e/ou tratando as respostas advindas das intervenções cirúrgicas, possibilitando ainda a diminuição da ansiedade pós-operatória (GUIRRO e GUIRRO, 2004).
A lipoaspiração consiste na remoção cirúrgica de gordura subcutânea, realizada por meio de cânulas submetidas a uma pressão negativa e introduzida por pequenas incisões na pele, pode ser considerada um dos maiores avanços dos últimos tempos, sendo hoje em dia, um dos procedimentos mais utilizados para que se consiga o corpo considerado perfeito (CEOLIN, 2006). Esse procedimento cirúrgico pode ser realizado com anestesia local (peridural) ou geral, dependendo da quantidade de gordura a ser retirada. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estabelece um limite seguro de retirada de gordura, que não pode exceder 7% do peso total do paciente (SCHWUCHOW et al., 2008).
No Brasil, conforme apontado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, foram realizadas no ano 2000 aproximadamente 350 mil cirurgias plásticas, das quais 50% tiveram motivação estética. Destas cirurgias estéticas, 70 mil foram de lipoaspirações (TACANI et al., 2005).
A eficiência de uma cirurgia plástica não depende somente do seu planejamento cirúrgico, mas também dos cuidados pré e pós-operatórios, que são fatores preventivos de possíveis complicações e promovem um resultado estético mais satisfatório. O não encaminhamento ao tratamento pós-operatório ou o encaminhamento tardio (após 25º – 30º dia de PO) podem privar o paciente de adquirir uma recuperação mais saudável, mais curta e com menos sofrimento físico e/ou psicológico, além de poderem comprometer o resultado final da cirurgia (TACANI et al., 2005).
O objetivo desse trabalho foi identificar a importância da inserção do fisioterapeuta dermato funcional para melhorar os resultados das cirurgias de lipoaspiração com os cuidados do pós-operatório, acelerando a recuperação e prevenindo complicações mais comuns, atuando no contexto de cirurgia plástica como um colaborador da equipe que assiste aos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, mais especificamente a lipoaspiração.

Metodologia

O estudo referido trata de enfatizar a importância da atuação do fisioterapeuta em pós-operatório de lipoaspiração.
Para tanto, estamos diante de um estudo de caso que contempla uma paciente do sexo feminino de 26 anos de idade que foi submetida a uma cirurgia de lipoaspiração de abdome, costas e flancos, tabagista, que realizava atividade física antes de ser submetida ao procedimento cirúrgico e daí parou durante o tratamento fisioterapêutico. Realizou tratamento pós-operatório durante três meses, sendo realizada a 1ª sessão no 5º dia de cirurgia. Cada sessão tinha duração de uma hora e trinta minutos, três vezes por semana no 1º mês e duas vezes por semana do 2º mês em diante, as sessões eram compostas pelos seguintes recursos terapêuticos: drenagem linfática manual, ultra-som, vacuoterapia e massagem do tecido conjuntivo.
O critério de identificação dos resultados utilizados foi por meio de avaliação fotográfica, onde podemos observar nitidamente a resposta ao tratamento pós-operatório desde o período inicial de tratamento até a última fase.
Quadro 01. Programa de Tratamento

Resultados

Através do estudo realizado, podemos observar que é essencial a realização de tratamentos complementares no período pós-operatório de lipoaspiração. Quanto mais precoce for abordagem fisioterapêutica, menor será o período pós-operatório.
Abaixo seguem os resultados de acordo com as fases supracitadas:
Figura 01. Fase Pré-Operatória
Figura 02. 1º dia de Intervenção (5º dia de cirurgia)
Figura 03. 1ª Semana após a 1ª Intervenção
Figura04. 1 Mês de Pós-Operatório
Figura 05. 2 Meses de Pós-Operatório
Figura 06. 3 Meses de Pós-Operatório
Os recursos que obtiveram um melhor resultado foram: drenagem linfática manual, ultra-som 3MHz, vacuoterapia e massagem do tecido conjuntivo. O tratamento fisioterapêutico consistiu na melhora significativa da textura da pele, ausência de nodulações fibróticas no tecido subcutâneo, redução do edema, minimização de aderências teciduais, bem como maior rapidez na recuperação das áreas com hipoestesias, encurtamento do período pós-operatório e prevenção de contornos irregulares, contribuindo para um melhor resultado.

Discussão

De acordo com as estatísticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em 2004, as cirurgias plásticas estéticas mais realizadas no Brasil são de lipoaspiração – 198.137 NIL-54% em primeiro lugar no Ranking.
Os traumatismos que a lipoaspiração provoca nos vasos sanguíneos e linfáticos podem ocasionar edemas de natureza hiperproteica (linfedemas), que podem evoluir para fibroescleroses, formando “placas” duras no tecido subcutâneo e nos contornos corporais (BORGES, 2010). A fibrose é a formação ou desenvolvimento em excesso de tecido fibroso que ocorre como processo reparativo ou reativo após um trauma tecidual. Como resposta a agressão o tecido reage com inflamação, proliferação e remodelagem, e à medida que o processo cicatricial evolui o tecido de granulação transforma-se em um tecido mais fibroso e menos vascular até se tornar, tecido fibroso denso e posteriormente fibrose (LOW e REED, 2001).
São complicações decorrentes da lipoaspiração: contornos irregulares (depressão e saliência), hiperpigmentação cutânea, quelóide, flacidez e embolia pulmonar (KEINERTN, 2004). As queixas mais comuns dos pacientes no pós-operatório são: inchaço; incomodo com nódulos fibróticos; ansiedade para recuperar-se e dores (TACANI et al., 2005).
A Fisioterapia Dermato-Funcional vem sendo para tanto imprescindível no segmento da atenção ao paciente submetido à cirurgia plástica, em virtude não somente da técnica de drenagem linfática manual, como também de sua gama de recursos terapêuticos, como: o ultra-som, crioterapia, endermologia, dentre outros recursos; os quais visam preparar os tecidos para o procedimento cirúrgico, como também aceleram a recuperação pós-operatória, prevenindo e controlando algumas complicações comuns (COUTINHO et al., 2006).
A aplicação da drenagem linfática manual no pós-operatório contribui para uma recuperação mais rápida, alivia a pressão provocada pelo edema, facilita o escoamento da linfa, melhora a cicatrização e reparação tecidual, estimula fibroblastos na mitose das células colágenas e elásticas, aumenta o fluxo sanguíneo, remove os resíduos metabólicos e promove equilíbrio hidrolipídico da pele (LOPES et al., 2006).
O ultra-som na frequência de 3 MHz, é bastante usado na fase inflamatória para reabsorção de hematomas, diminuindo as chances de formações fibróticas e ainda melhoram a nutrição celular, reduzindo o edema e a dor, consequências da melhora na circulação sanguínea e linfática (SCHWUCHOW et al., 2008). Os principais efeitos terapêuticos do ultra-som são antiinflamatórios, analgésicos, fibrinolítico/destrutivo, regeneração tissular e reparação de tecidos moles, e relaxamento muscular (COUTINHO et al., 2006).
A mobilização do tecido conjuntivo impede a formação de fibroses, pois, por meio da tensão mecânica, ocorre a deposição ordenada das fibras colágenas, que, nesse momento, ainda estão em fase de cicatrização, permitindo uma organização mais natural. A massagem do tecido conjuntivo tem como objetivo principal a liberação de aderências por ação mecânica nas traves fibróticas, sendo capaz de tornar eficiente a circulação local e sistêmica, tanto na fase aguda, como na crônica, além de exercer efeito direto e mecânico sobre o retorno venoso, aumentando seu fluxo (BORGES, 2010).
A vacuoterapia ou depressoterapia consiste na aplicação de uma pressão negativa sobre a pele, proporcionada por diversos tipos de aparatos, com ciclos de aplicações reguláveis, gerando efeito de ventosa. Contudo, sua ação na absorção de edema e utilização precoce no pós-cirúrgico é discutível. Tanto a vacuoterapia isolada quanto a associação com o rolamento podem ser benéficas nas sequelas cirúrgicas pós lipoaspiração (fibrose) ou subcisão (GUIRRO e GUIRRO, 2004). Essa técnica é outra opção de massagem para o tratamento de fibroses por meio de uma ação mecânica simples no tecido conjuntivo. Deve ser utilizada de maneira suave, sem causar traumas no tecido, e não substitui a massagem manual do tecido conjuntivo, apenas auxilia na melhora da sua maleabilidade (BORGES, 2010).
É importante destacar que o resultado final de uma cirurgia de lipoaspiração não depende somente do cirurgião, mas também da intervenção fisioterapêutica precoce pós-cirúrgica, dos recursos utilizados pelo fisioterapeuta dermato-funcional, bem como auxílio de cuidados atribuídos ao paciente, como, por exemplo, o uso da cinta compressiva. Em nosso estudo obtivemos êxito em virtude da evolução ao longo do tratamento realizado, comprovado por meio de fotografias, destacando desde o primeiro dia de intervenção até o último dia, não só possibilitando uma redução das prováveis complicações como também retornando o paciente mais rapidamente ao exercício das suas atividades de vida diária.

Considerações finais

De acordo com a pesquisa realizada, pode-se concluir que a intervenção fisioterapêutica no pós-operatório imediato de lipoaspiração é de grande importância, pois atuará nas eventuais complicações e/ou na prevenção das mesmas. Desta forma foram utilizados recursos do campo da Fisioterapia Dermato-Funcional, se tratando de tratamento pós-operatório de lipoaspiração, dos quais: o ultra-som, a drenagem linfática manual, a vacuoterapia e a massagem do tecido conjuntivo, mostraram bom resultado ao término do tratamento, não apresentando complicações intercorrentes da cirurgia realizada.

Referências bibliográficas

BORGES, F. Modalidades Terapêuticas nas Disfunções Estéticas. 2ª Edição – revisada e ampliada. São Paulo: Phorte, 2010, capítulo 19, p. 454-455-466-469.

CEOLIN, M. Efeitos da drenagem linfática manual no pós-operatório imediato de lipoaspiração no abdome. Monografia. Tubarão/SC, 2006. Disponível em: . Acesso em: 19.07.2007.

COUTINHO, M.; DANTAS, R; BORGES, F; SILVA, I. A importância da atenção fisioterapêutica na minimização do edema nos casos de pós-operatório de abdominoplastia associada à lipoaspiração de flancos. Revista Fisioterapia Ser. Ano 1, 2006.

GUIRRO, E; GUIRRO, R. Fisioterapia Dermato-Funcional: fundamentos, recursos e patologias. 3ª edição, revisada e ampliada. São Paulo: Manole, 2004. p.381-437-461.

KEINERTN, S. Complicações em Lipoaspiração. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Estética. n.6, 2004.

LOPES, D; SANTOS, M; CARVALHO, R; BORGES, F; MADEIRA, J. Levantamento da eficácia dos protocolos fisioterapêuticos utilizados na recuperação estética e funcional no pós-cirúrgico de lipoaspiração. Revista Fisioterapia Ser. Vol.1, n. 3, 2006.

LOW, J; REED, A. Eletroterapia Explicada: Princípios e Prática. 1º edição. São Paulo: Manole, 2001. p.17-23.

SCHWUCHOW, L; SOUZA, V; PELLINI, E; CALOY, L; RESENDE, T. Estudo do uso da drenagem linfática manual no pós-operatório da lipoaspiração de tronco em mulheres. Revista da Graduação. Vol. 1, N. 1, 2008.

SOCIEDADE Brasileira de Cirurgia Plástica. As cirurgias plásticas estéticas mais realizadas no Brasil, 2004.

TACANI, R; ALEGRANCE, F; ASSUMPÇÃO, J; GIMENES, R. Investigação do encaminhamento médico a tratamentos fisioterapêuticos de pacientes submetidos à lipoaspiração. Revista O mundo da saúde. São Paulo. 29, v.29, n.2, abr./jun.2005. p.192-198.

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