A IMPORTÂNCIA DA FISIOTERAPIA NO INÍCIO DA ESPONDILITE ANQUILOSANTE

O portador de espondilite anquilosante, também chamada de espondiloartrite anquipoética, espondilite rizomérica e espondilite reumatóide entre outras, apresenta no plasma sangüíneo o HLA B27 em 90% dos casos. Sacroliíte detectada pelos testes específicos, como: Mennel, Lewis e Volkaman e perda da expansibilidade torácica em sua maioria.
Nesta tríade, exame de sangue, teste específico e análise radiológica é que vão diagnosticar o paciente com espondilite anquilosante . O paciente apresenta um quadro álgico na região sacro ilíaca e muitas vezes irradia por toda coluna fase inicial, é comum iniciar de 18 a 25 anos e raramente surge a partir do 40 anos, mais comum em homens de cor branca, atingindo 0,17% da população geral.
Normalmente quando chega o diagnóstico desta patologia o paciente já passou por vários tratamentos de sua lombalgia que entre marcação de consulta, marcação de raio X e posteriormente uma outra marcação de consulta para indicação do medicamento este fato se repete diversas vezes nos hospitais, em sua maioria público . Levando entre 1 a 2 anos até diagnosticar através do exame sangüíneo e outros exames já citados.
A partir deste momento os problemas não param por aí, pois começa outra dificuldade que vem acelerar mais a doença. Como tratar o espondilitico anquilosante, que apresenta um quadro álgico intenso, muita rigidez em toda coluna? Por isso muitos profissionais da área de saúde, por não fazerem uma análise radiológica cuidadosa, não sabem se já existe alguma vértebra anquilosada e o estágio em que se encontra. São levados simplesmente a visualizar a doença pelo nome de sua patologia, que é: anquilosante, mas sempre por ter esta patologia, a coluna esteja anquilosada apesar do tempo do quadro clínico. Então este profissional orienta o seu paciente a não deixar que nenhum outro profissional da área de saúde o trata, por achar que a ciência de sua especialização é melhor do que as outras, esquecendo-se que cada ciência observa a patologia de ângulos diferentes . Achar que o ângulo de sua ciência será suficiente parra tratar aquela patologia é o primeiro problema que o paciente espondilitte se depara.
Por isso, a multidisciplinaridade na área de saúde é importante. A fisioterapia é uma ciência que tem como objetivo tratar as disfunções traumato-ortopédica e reumatológicas e suas alterações músculo-esqueléticas e osteoarticulares.
Com o meu paciente aconteceu as mesmas trajetórias dos hospitais públicos já citados anteriormente, até ter sido diagnosticada a doença pelo profissional que o tratava, o qual prescreveu o medicamento e encaminhou para a prática da natação, por “achar” que seria a melhor atividade física para tratar a sua patologia. Este equívoco também encontra-se em algumas literaturas da área.
Assim foi o paciente procurar um clube ou uma academia de natação. Chegando lá apresentou-se ao profissional da área de educação física sua prescrição indicando a natação. Daquele momento em diante ele passou de paciente para um aluno da escolinha de natação, onde começou a desenvolver uma extensão da coluna cervical para poder respirar, fortalecimento de peitoral através das braçadas, fortalecimento de ísquios tibiais através do movimento de suas pernas, sempre em extensão. Isso foi desenvolvido nas primeiras semanas de treinamento.
Recomendado por um amigo, pediu que procurasse o fisioterapeuta que seria o profissional mais habilitado a tratar daquela patologia e suas disfunções. Então o paciente procurou aquele que tinha prescrito a natação e pediu-lhe , se havia possibilidade de encaminhá-lo para o setor de fisioterapia. Foi-lhe dito: “Continue com a natação, pois ela é boa para todas as atividades físicas e não tem ação da gravidade atuando sobre você”. Não satisfeito com a resposta daquele profissional procurou um atendimento fisioterápico por conta própria. Lá chegando, foi feito uma anammenese e os testes específicos, uma análise radiológica e realizou uma análise de seu padrão flexor. Na análise radiológica constatou-se que a apesar da patologia e o tempo de quase 2 anos só existia uma sacralização. Seus corpos vertebrais não estavam anquilosados, porém o padrão que o paciente estava tomando, era tudo que a patologia esperava dele para se instalar. A partir desse momento, o fisioterapeuta em posse de várias informações traçou uma linha de tratamento onde seus recursos principais foram: a terapia manual, a cinesioterapia e hidroterapia. Através deste programa de tratamento voltado para quebrar o seu padrão flexor, foram direcionados as cadeias musculares que deveriam ser fortalecidas, relaxadas e alongadas. Na hidroterapia o paciente teve um programa de tratamento voltado para a sua patologia o que foi facilitado pela água aquecida que é um ponto fundamental dentro da hidro, por isso facilitava-lhe muito o relaxamento, já que o fisioterapeuta acompanhava passo a passo o tratamento dentro d’água.
A partir deste momento seu padrão foi diminuindo e seu arco de movimento restabelecido e os desarranjos intervertebrais restabelecidos pela fisioterapia manual e mantido pela cinesioterapia e hidroterapia na piscina.
Hoje, com 26 anos de idade, esse paciente que tinha na época 22 anos e queixava-se principalmente que não podia lavar o rosto e escovar os dentes por falta de flexibilidade de sua coluna. Sua análise radiológica de 4 anos atrás melhorou muito, acontecendo um processo inverso do que se observaria em paciente espondilítico anquilosante que é um processo degenerativo. Existem ainda alguns pontos de calcificação sacro-ilíaca mantidas de 4 anos para cá, não existindo mais um quadro álgico. Ele tem atualmente suas atividades normais como membro integrante da sociedade porém, ainda realiza tratamento fisioterápico e o mais importante: ele tem a patologia, porém a patologia não o tem; daí é importante a presença da fisioterapia na início da espondilite anquilosante

Artigo escrito para publicação em 14 de junho de 2001
por
Dr. Arlindo Ferreira de Lima
_ Fisioterapeuta _
Membro Suplente da Sociedade de Fisioterpia em Traumato-ortopdedia do Estado do Rio de Janeiro ( SOFITOERJ )
Graduado em Fisioterapia pela Faculdade de Reabilitação da Associação de Solidariedade a Criança Exepcional – FRASCE
Pós-graduado em Traumato-Ortepedia Funcional pela Universidade Gama Filho

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