A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA E REABILITAÇÃO NA TERCEIRA IDADE: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

The Importance of Physical Activity and Rehabilitation in Elderly: A Review Bibliographic

Tyeme Andrea Feilstrecker1

1Acadêmica do Curso de Fisioterapia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, RS – Brasil.
Endereço: Av. John Kennedy, 270 casa 09 – São Leopoldo – RS.
Email: tyemeandrea@yahoo.com.br

RESUMO
À medida que a idade cronológica aumenta, as pessoas acabam se tornando menos ativas, as capacidades físicas diminuem, e as alterações psicológicas que acompanham a alteram o seu padrão de vida normal. Existe, ainda, uma diminuição da prática de atividades físicas, que consequentemente facilitará a aparição de doenças crônicas, que contribuirão para deterioração do processo de envelhecimento. Devido a todas estas conseqüências decorridas da idade, acredita-se que seja de suma importância a adesão à prática de atividades físicas e a reabilitação para que exista melhora na qualidade de vida e auto-estima destes indivíduos.
Este estudo tem como objetivo rever os aspectos relacionados à prática de atividade física e reabilitação, como fator determinante na melhora da qualidade de vida e prevenção de enfermidades na terceira idade.
Após a realização dessa revisão bibliográfica, conclui-se que a realização de atividade física melhora a capacidade funcional, as condições gerais de saúde, e consequentemente proporciona uma melhor qualidade de vida.

Palavras Chave: idosos; qualidade de vida; atividade motora.

ABSTRACT
As the chronological age increases, people end up becoming less active, physical capabilities diminish, and the psychological changes that accompany the change its pattern of normal life. There is also a reduction in the practice of physical activities, which consequently facilitate the emergence of chronic diseases, which contribute to deterioration in the aging process. Because of all these consequences after the age, it is believed that it is of paramount importance to join the practice of physical activities and the rehabilitation for which there is improvement in quality of life and self-esteem of these individuals.
This study aims to review the aspects related to the practice of physical activity and rehabilitation, as determining factor in improving the quality of life and prevention of diseases in old age.
After the completion of this literature review, it appears that the conduct of physical activity improves functional capacity, the general conditions of health, and thus provides a better quality of life.

Key Words: aged; quality of life; motor activity.

INTRODUÇÃO

Entende-se por envelhecimento o fenômeno biopsicossocial que atinge o homem e a sua existência na sociedade, manifestando-se em todos os domínios da vida (1).
O envelhecimento populacional no Brasil está aumentando aceleradamente. As projeções demográficas indicam que no ano de 2020 o número de idosos em todo mundo corresponderá a 1,2 bilhão. E, segundo estatísticas, o Brasil em 2025, será o sexto país com maior índice de idosos no mundo, conforme Kalasche apud Gazolla et al. (2).
Com o aumento do índice de idosos na população, maior será a ocorrência de doenças crônico-degenerativas que acometem, atualmente 85% dos idosos e dentre eles 15% com acima de cinco doenças associadas (2).
Com o envelhecimento, ocorre uma diminuição gradual da qualidade de vida, devido a maior ocorrência de doenças, incapacidades, dependências, que acabam acarretando a insatisfação, levando a inabilidade, depressão e transtornos sócio-culturais. Na medida em que a idade cronológica aumenta, as pessoas acabam se tornando menos ativas, as capacidades físicas diminuem, e as alterações psicológicas que acompanham a idade (sentimento de velhice, estresse e depressão) alteram o seu padrão de vida normal. Existe, ainda, uma diminuição da prática de atividades físicas, que consequentemente facilitará a aparição de doenças crônicas, que contribuirão para deterioração do processo de envelhecimento (3).
As desordens fisiológicas e/ou psíquicas se refletem no desenvolvimento motor, na qualidade de vida e na capacidade de o indivíduo cuidar de si mesmo. Para isso, a adesão à prática de atividade física é de extrema importância, visto que muitos estudos e pesquisas comprovam a sua eficácia na desaceleração ou reversão de variados declínios (4).
O processo de envelhecimento afeta todos os componentes do controle postural. Sendo eles o sensorial, como visual, somatossensorial e vestibular; efetor, como força, amplitude de movimento, alinhamento biomecânico e flexibilidade; e, o processamento central. Lembra, também, que o controle postural é fundamental para a habilidade de realização de tarefas simples (2).
A prática regular de exercícios físicos tem sido considerada fator de proteção contra processos degenerativos no organismo humano, principalmente doenças como aterosclerose sistêmica, obesidade, hipertensão arterial e distúrbios psicossomáticos leves a moderados (5).
Tais ocorrências, fisiológicas e/ou psíquicas, se refletem no desempenho motor, na qualidade de vida e na capacidade do indivíduo de cuidar de si mesmo. Para a melhora na saúde do idoso deve-se promover a qualidade de vida para tal. A atuação fisioterapêutica ocorre por meio de orientações dadas aos próprios idosos e para seus familiares quanto aos riscos ambientais que possam provocar, por exemplo, quedas e que possam comprometer a capacidade funcional. E, também, a orientação quanto ao ambiente vivido pelo idoso de acordo com a sua forma física, onde, quando for necessário, adaptar a construção de rampas, colocação de corrimão, piso antiderrapante, iluminação adequada, etc (6).
Apesar de saber-se relativamente pouco sobre o envelhecimento e de não haver clareza acerca de diversos aspectos do mesmo, existem alguns pontos de consenso, fartamente documentados na literatura cientifica. Um deles diz respeito à atuação da atividade física como fator de desaceleração ou reversão de variados declínios (4).
A adesão da prática da atividade física como fator benéfico para a saúde física e mental dos idosos impulsionou a criação e expansão de diversos programas de exercícios para idosos. Esses programas são desenvolvidos por organizações sociais e/ou filantrópicas, como SESI (Serviço Social da Indústria) e SESC (Serviço Social do Comércio). Estes grupos têm encontrado cada vez mais aceitação e se disseminado na sociedade, tendo sido adotados por instituições de ensino e pesquisa e, em menor escala, pela iniciativa privada, que percebe a prestação de serviços para idosos como um nicho no mercado (4).
Esta pesquisa objetiva rever os aspectos relacionados à prática de atividade física e reabilitação, como fator determinante na melhora da qualidade de vida e prevenção de enfermidades na terceira idade.

MATERIAIS E MÉTODOS

Esta é uma pesquisa exploratória, onde foram pesquisados sete artigos científicos pelos endereços eletrônicos: Biblioteca Virtual em Saúde (www.bireme.br) e Biblioteca Digital (http://biblioteca.ricesu.com.br), onde foram pesquisadas as seguintes palavras-chave: “idoso”, “atividade física no idoso”, “terceira idade atividade física”, “fisioterapia no idoso” e “fisioterapia na terceira idade”. Pesquisados no período de setembro a novembro do ano de 2007. Foram excluídos os artigos que não fossem relacionados à prática de atividade física, e aqueles que não condissessem com o assunto abordado.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A prática de atividade física na terceira idade é de suma importância na prevenção de enfermidades cardiovasculares, cerebrovasculares, quedas, e da inatividade, melhorando assim a auto-estima e a qualidade de vida. Não descuidando que o desenvolvimento de um programa de atividades para idosos exige um planejamento que envolve diversos elementos, sendo um dos mais importantes a avaliação, de acordo com todo o referencial teórico estudado.
Segundo Spirduso apud Hernandes (4), testes para aferição de capacidades físicas fornecem a base para o planejamento e propiciam parâmetros para a avaliação da efetividade dos programas de atividades físicas para idosos. Realmente encontram-se diversos testes de avaliação física na literatura, como por exemplo, a da Aliança Americana para a Saúde, Educação Física, Recreação e dança (AAHPERD), que é um teste para verificação de equilíbrio dinâmico. Além disso, todo o trabalho que reportam ganhos em capacidades físicas vale-se de algum tipo de teste validado para tal. No que diz respeito à investigação da relação atividade física / independência, há relativamente poucos trabalhos que utilizem baterias especificas para aferição de níveis de independência.
Galvani (5) em seu estudo evidenciou melhora nos idosos que se integraram em um grupo de caminhada. Nesta pesquisa, foram realizados vários testes cardiovasculares para a verificação das condições clínicas dos indivíduos. O programa foi executado através da realização de caminhadas, cinco vezes por semana e com duração de 30 a 40 minutos pela manhã por dois meses consecutivos. A cada encontro era aferida a pressão arterial antes de iniciar a caminhada, nos primeiros setes minutos e no final da atividade proposta. Foi relatada melhora na auto-estima e prazer ao descobrir a capacidade de poder praticar atividades físicas, fazendo-os refletir nos seus ideais. Concluindo que a reabilitação associada a prática de atividades físicas regulares são de extrema importância na prevenção e promoção dos distúrbios cardiovasculares na idade avançada, contribuindo para uma maior disposição nas suas atividades de vida diárias. Comprovando, também, que em indivíduos normotensos a pressão arterial diminui discretamente e em indivíduos hipertensos diminui significativamente.
No trabalho de Hernandes (4) foi realizada uma pesquisa descritiva a fim de provocar mudanças ou não no desempenho de idosos em testes que simulam atividades da vida diária. Foram avaliados através do tempo gasto para locomover – se (correndo ou andando) num percurso de 800 metros; levantar-se do solo; sentar, levantar e locomover-se e um espaço comparável com o de uma sala de quatro metros; subir um lance de escada de nove degraus; habilidade para calçar um pé de meia. Aferiram-se medidas de peso, IMC (índice de massa corporal) e estatura. A atividade física contribui de maneira fundamental na manutenção da independência e esta se constitui nu dos mais importantes fatores de qualidade de vida na terceira idade.
Cheik (1) avaliou a influência da atividade e do exercício físico no sentido psicológico dos idosos (verificando o índice de ansiedade e depressão). Foram selecionados de forma aleatória voluntários idosos com ais de 60 anos, divido em três grupos: controle (sedentário), desportista (sedentários que passaram a se exercitar fisicamente de forma regular) e grupo de lazer (participantes de outro programa de atividade física). Foi feito inicialmente um questionário para medir o escore de depressão (Inventário Beck) e ansiedade (Idade Traço Estado), e também aplicado teste ergométrico e exames laboratoriais. Foi então realizado um programa de exercício físico por um período de quatro meses, e após reavaliados com no protocolo inicial.. Como resultando tiveram um índice de significância satisfatório na redução do escore de ansiedade e depressão no grupo dos desportistas.
Analisando o sistema vestibular com relação ao envelhecimento, Gazzola (2), observou que com o envelhecimento ocorre a perda progressiva da massa muscular, sendo ele substituído por colágeno e gordura, perdendo ainda as fibras de contração rápida, resultando em contrações mais lentas e fracas.
No que diz respeito ao aspecto geral da saúde e à sua relação com atividade física, segundo Furtado apud Costa e Duarte (7), a atividade física regular não só tem influência direta sobre a saúde geral, como também influência no aspecto de se sentir saudável. Os mesmos autores afirmam, ainda, que as atividades físicas aeróbias regulares podem interferir beneficamente no tempo de reação, no controle da taxa de colesterol, na hipertensão arterial, diminuição de fraturas ocasionas pela osteoporose etc. Pescatello e Di Pietro apud Costa e Duarte (7) complementam essa afirmação, atestando que muitas das doenças crônico-degenerativas, ou alterações fisiológicas podem ser resultado da inatividade física.
Há estudos que preocupam se com atividades relacionadas a idosos portadores de seqüelas de acidente vascular cerebral (AVC).
Costa e Duarte (7) relatam que os programas de atividade física regular desenvolvidos no Brasil, como também em grande parte do mundo, têm, como objetivo principal, quase sempre, o caráter preventivo, ou seja, atividades que evitem a ocorrência de um acidente vascular cerebral. Diante disso, além das atividades de reabilitação, o que fazer com os indivíduos que já desenvolveram um AVC? Paffenbarger e Olsen apud por Costa e Duarte (7) afirmam que “poucos estudos foram desenvolvidos em relação ao acidente vascular cerebral e à atividade física”. No Brasil, não é conhecido nenhum programa de atividade física e/ou esportiva para pessoas com seqüela de AVC, principalmente idosos. Não são conhecidos, também, estudos que tenham sido desenvolvidos com o objetivo de verificar as mudanças de comportamento emocional desses indivíduos, após a realização de um programa de atividade física regular, com ênfase na melhoria da sua qualidade de vida. Dessa forma, os autores realizaram um estudo que verificou as possíveis alterações nos parâmetros de qualidade geral de vida desses indivíduos, após a realização de um programa regular de atividade física.
No estudo de Costa e Duarte (7), eles observaram melhora nos aspectos relacionados à capacidade funcional, aspectos sociais, dor, vitalidade, estado geral de saúde, limitação por aspectos emocionais, limitação por aspectos físicos e saúde mental, de forma significativa. Foram realizados através da aplicação de um questionário e um programa de seis meses de atividade física e recreativa, com freqüência de cinco vezes na semana, com duração de 30 a 60 minutos. Onde essa atividade física proporcionou ganhos fisiológicos, interferindo positivamente sobre a saúde física. O programa possibilitou aos seus participantes a vivenciar situações e a vencer desafios.
Os estudos apontam a atividade física regular como elemento altamente significante para a promoção e a manutenção da saúde, proporcionando acentuada melhora na qualidade geral de vida e como fator importante na prevenção do desenvolvimento de várias doenças características da idade avançada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após a realização dessa revisão bibliográfica, conclui-se que a realização de atividade física melhora a capacidade funcional, as condições gerais de saúde, e, conseqüentemente, proporciona uma melhor qualidade de vida.
Acredita-se que o idoso passe a sentir menos cansaço durante a realização das suas atividades cotidianas. As dores nas articulações são minimizadas e o paciente sente as mudanças em seu corpo. Conseqüentemente, há um aumento na auto-estima, revigorando sua saúde e bem-estar.
O compromisso com a atividade física na terceira idade deveria ser mais difundido. São poucos os idosos que, nos dias de hoje, aderem a grupos de atividades. Aqueles que já apresentam alguma doença crônica devem procurar uma reabilitação. Para tanto, deveria ser cultuado o hábito de atividades físicas, desde os mais jovens, até a terceira idade. O exercício para produzir saúde.
Com a fraqueza muscular e a lentificação na execução dos movimentos, sinais clássicos do idoso, cabe a fisioterapia, traçar um plano de reabilitação para promoção, prevenção e tratamento de enfermidades que vierem a acarretar a qualidade de vida dos indivíduos, e possibilitando a volta ou ao início de uma prática de atividade física.
Com o alto índice de idosos e uma perspectiva de aumento significativo na população, futuramente, deve ser incentivada a prática de atividade física, para haver menores índices de doenças crônicas, degenerativas, depressão e um aumento da expectativa de vida, qualidade de vida e auto-estima.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

1. CHEIK, Nadia Carla; et. al. Efeitos do exercício físico e da atividade física na depressão e ansiedade em indivíduos idosos. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, vol.11, n.3, p. 45-52, jul/set-2003.

2. GAZZOLA, Juliana Maria. O envelhecimento e o sistema vestibular. Fisioterapia em movimento. v.18. n. 3. p. 39-48. jul/set, 2005.

3. MATSUDO, Sandra Mahecha; et. al. Impacto no envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, vol.8, n.4, p. 21-32, set-2000.

4. HERNANDES, E. S. C.; BARROS, J. F. Efeitos de um programa de atividades físicas e educacionais para idosos sobre o desempenho em testes de atividades de vida diárias. Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, vol.12, n.2, p. 43-50, jun-2004.

5. GALVANI, Regina Célia David. Atividade Física na terceira idade e sua relação com a pressão arterial. Fisioterapia em movimento. v.12. n. 2. out/99-mar/2000.

6. GURIAN, Maria Beatriz Ferreira; OLIVEIRA, Regina Célia de. Atuação fisioterapêutica da saúde do idoso. Claretiano: Rev. Do Centro Universitário, Batatais, n. 2, jan/dez, 2002.

7. COSTA, Alberto Martins; DUARTE, Edison. Atividade física e a relação com a qualidade de vida, de pessoas com seqüela de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI). Rev. Bras. Ciên. e Mov. Brasília, vol.10, n.1, p. 47-54, jan/2002.

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