A fisioterapia no controle e prevenção da disseminação e transmissão das doenças infecciosas

O fisioterapeuta, enquanto profissional de saúde, contacta com uma elevada heterogeneidade de utentes e ambientes e caso sejam negligenciadas as corretas medidas de prevenção e controlo da transmissão e disseminação de doenças infecciosas, o próprio fisioterapeuta além de colocar a sua própria segurança em risco, poderá tornar-se um veículo para a transmissão e disseminação das mesmas entre pacientes, entre pacientes e fisioterapeuta, outros profissionais de saúde, e, concomitantemente, levar à contaminação do ambiente e comunidade em geral [19; 13; 14].

Deste modo é pertinente e urgente que o fisioterapeuta, enquanto profissional de saúde, seja portador de conhecimento sobre os princípios que compreendem as doenças infecciosas e a sua disseminação e as medidas adequadas para o seu controlo e prevenção, de forma a poder contribuir para a prevenção e controlo da infecção como elemento essencial na sua prática profissional [10, 14].

Internacionalmente é reconhecida e demonstrada uma grande preocupação, relativamente, à segurança em saúde defendendo-se o desenvolvimento, aplicação, monitorização e cumprimento, a nível internacional, de regras de segurança, [1; 2; 3; 9; 11; 12; 13; 14; 15; 17].

Neste âmbito organizações internacionais como World Health Organization (WHO), Centers of Disease Control and Prevention (CDC), European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC) publicaram recomendações e guidelines internacionais de forma a combater e evitar a transmissão/co-transmissão de doenças infecciosas.

Esta atitude tem como fundamento a escassez de alternativas terapêuticas, a nível mundial, para o tratamento das doenças infecciosas, na medida em que a resistência aos compostos antimicrobianos, pelos agentes etiológicos que as causam, tem vindo a aumentar, exponencialmente, incluindo às moléculas de uso exclusivo hospitalar, assim este tema tornou-se numa das preocupações mais emergentes do Séc. XXI [17].

Em 2008, segundo dados do  ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control), ocorreram na União Europeia mais de quatro milhões de infecções associadas à prestação de cuidados de saúde, das quais resultaram 37 000 mortes [3]. E é neste âmbito que a A World Confederation for Physical Therapy defende e reforçada a necessidade da criação/adopção/avaliação de normas para a Prevenção e Controlo de Infecção, que irão assegurar quer ao fisioterapeuta, quer ao utente de fisioterapia, e por consequência a todos os cidadãos, o direito à segurança na saúde em qualquer ambiente [14].

Neste contexto são sugeridas algumas medidas básicas de prevenção e controlo da infecção na prática de fisioterapia: cuidados e higiene das mãos; implementação e cumprimento de protocolos de prevenção e controlo da transmissão e disseminação da infecção; utilização de barreiras protetoras; limpeza, desinfecção e esterilização de equipamentos e ambiente contaminados; adopção de medidas de monitorização eficazes de forma a identificar possíveis problemas; análise de resultados face à implementação e cumprimento de protocolos; aplicação de conhecimentos para avaliação do risco de infecção e sua transmissão; assegurar a auto-imunização [10].

Até à data em Portugal não existem guidelines específicas para os fisioterapeutas, espera-se, no entanto, que a partir deste momento seja expectável que haja uma união de esforços nesse sentido. É de suma importância que seja facultado a estes profissionais de saúde formação específica para a aplicação das guidelines específicas, ou gerais internacionais, assim como uma informação constante sobre o tema por parte das entidades competentes, como Ministério da Saúde, instituições laborais, associações ou/e ordens profissionais e sindicatos.

Só deste modo será possível uma actuação coerente e responsável para o controlo e prevenção da transmissão e disseminação de doenças infecciosas e o fisioterapeuta, enquanto profissional de saúde, tem o dever cívico de contribuir para a saúde pública.

Joana Alves Costa

Maria Isabel Sousa Coutinho

BIBLIOGRAFIA ARTIGO

  1. CDC. Guidance for the Selection and Use of Personal Protective Equipment (PPE) in Healthcare Settings.
  1. CDC. 2002. Centers for Disease Control and Prevention. Guideline for Hand Hygiene in Health-Care Settings: Recomm endations of the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee and the HICPAC/SHEA/APIC/IDSA Hand Hygiene Task Force. MMWR 51(No. RR-16).
  1. ECDC. European Centre for Disease Prevention and Control. 2008. Annual epidemiological report on communicable diseases in Europe 2008. Stockholm: ECDC. from:http://ecdc.europa.eu/en/publications/Publications/0812_SUR_Annual_Epidemiological_Report_2008.pdf
  1. Ferreira W.F.C & Sousa J.C. 2010. Conceitos gerais de Microbiologia, pp. 1-22. In Ferreira W.F.C, Sousa J.C. & Lima N. Microbiologia. Lidel, edições técnicas Lda ISBN: 978-972-757-515-2.
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  1. ILO. International Labor Organization. Occupational Health Services Convention. 1985. Geneva, Switzerland: ILO. www.ilo.org/ilolex/cgi-lex/convde.pl?C187 [Consultado em 6 de Outubro de 2014].
  1. ILO. International Labor Organization. Promotional Framework for Occupational Safety and Health Convention. 2006. Geneva, Switzerland: ILO. www.ilo.org/ilolex/cgi-lex/convde.pl?C187 [Consultado em 6 de Outubro de 2014].
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11. Pittet D, Allegranzi B, Sax H, Dharan S, Pessoa-Silva CL, Donaldson L & Boyce JM. 2006. Evidence-based model for hand transmission during patient care and the role of improved practices. Lancet Infect Dis. Oct;6(10):641-52

  1. Sehulster LM, Chinn RYW, Arduino MJ, Carpenter J, Donlan R, Ashford D, Besser R, Fields B, McNeil MM, Whitney C, Wong S, Juranek D, Cleveland J. 2004. Guidelines for environmental infection control in health-care facilities. Recommendations from CDC and the Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee (HICPAC). Chicago IL; American Society for Healthcare Engineering/American Hospital Association.
  1. Straker, L. 2012. Prevention needs to be a priority. Journal of fisiotherapy, 58:5-7.

14. WCPT. World Confederation for Physical Therapy. Policy statement: Infection prevention and control. http://www.wcpt.org/policy/ps-infection-control. [Consultado em 23 de Novembro de 2014].

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http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/112642/1/9789241564748_eng.pdf?ua=1. [Consultado em 6 de Outubro de 2014].

  1. WHO. World Health Organization. 1994. Declaration on Occupational Health For All. Geneva, Switzerland: WHO. www.who.int/occupational_health/publications/declaration/en/index.html [Consultado em 6 de Outubro de 2014].
  1. WHO. World Health Organization. 2014. WHO’s Twelfth General Programme of Work 2014-2019. http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/112792/1/GPW_2014-2019_eng.pdf. [Consultado em 1 de Novembro de 2014].
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