A APLICAÇÃO DA MOBILIZAÇÃO NEURAL PELO FISIOTERAPEUTA NO TRATAMENTO DE HÉRNIA DE DISCO LOMBAR

Sayanne Gomes Braga1
sayannebraga@yahoo.com
Yuri Marcelo da Silva Santana1
yuri-marcelo1@live.com
Eloisa Oliveira de Araújo2
eloisaraujo@outlook.com
Adson Durantt Duarte2
adsonduarte14@gmail.com

1 Especialista em Ortopedia e Traumatologia com ênfase em terapias manuais
2 Especialista, Preceptor do Curso Superior de Fisioterapia – UNINORTE

Resumo: A mobilização neural é uma técnica relativamente nova que procura manter ou restaurar o movimento e a elasticidade do sistema nervoso, e é uma opção de tratamento para pacientes com distúrbios neurais, que utiliza técnicas específicas que promove não só o retorno das suas funções normais, mas também das estruturas musculoesqueléticas que recebem sua inervação. Hérnia de disco é uma protrusão do núcleo pulposo, a saída de uma parte do disco intervertebral do seu local natural; que pode comprimir uma ou várias raízes nervosas levando a uma alteração no funcionamento nervoso e dando lugar a sintomatologia radicular sensitivo-motora. Objetivo: Verificar o efeito que surte a mobilização neural (MN) aplicada pelo fisioterapeuta, no tratamento da hérnia discal na coluna lombar. Materiais e Métodos: Foi realizada uma busca de artigos originais sobre a realização da MN aplicada no tratamento de hérnia de disco lombar. Os trabalhos foram obtidos através de pesquisas na Biblioteca da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)em conceituados bancos de dados como: PubMed, SciELO, Bireme e PEDro, no período compreendido entre 2006/2017 em inglês e português. Resultados e Discussão: Os indivíduos que, durante o trabalho, realizam rotação ou flexão do tronco carregam materiais pesados ou se submetem a fortes vibrações no corpo, aumentam as chances de desenvolver lesões nos discos intervertebrais e, consequentemente, uma hérnia de disco lombar. Esse tipo de lesão tem uma alta incidência de causa de lombalgia e lombociatalgia, principalmente as localizadas no espaço intervertebral A Mobilização do Sistema Nervoso (MSN) ou Mobilização Neural (MN) vem sendo utilizada pela fisioterapia para restaurar o movimento e a elasticidade do SN, promovendo o retorno às suas funções normais e; desta forma, amenizando ou eliminando a dor. Conclusão: A MN aplicada corretamente pelo fisioterapeuta, de forma que os nervos deslizem e diminua a restrição dos tecidos adjacentes às áreas nervosas e consequentemente a tensão neural adversa traz ganho de amplitude de movimento e melhora o quadro álgico no tratamento da HDL.

Palavras-chave: Mobilização Neural, Hérnia de disco lombar, Fisioterapia

THE APPLICATION OF NEURAL MOBILIZATION BY THE PHYSIOTHERAPIST IN THE TREATMENT OF LUMBAR DISC HERNIATION

Abstract: Neural mobilization is a relatively new technique that seeks to maintain or restore movement and elasticity of the nervous system, and is a treatment option for patients with neural disorders, which uses specific techniques that promote not only the return of their normal functions , but also of the musculoskeletal structures that receive their innervation. Herniated disc is a protrusion of the nucleus pulposus, the exit of a part of the intervertebral disc from its naturais location; which can compress one or more nerve roots leading to an alteration in nervous functioning and giving rise to sensory-motor root symptoms. Objective: To verify the effect of neural mobilization (MN) applied by the physiotherapist in the treatment of herniated discs in the lumbar spine. Materials and Methods: A search for original articles was carried out on the realization of the MN applied in the treatment of lumbar disc herniation. The works were obtained through research in the Library of the Federal University of Amazonas (UFAM) in renowned databases such as: PubMed, SciELO, Bireme and PEDro, in the period between 2006/2017 in English and Portuguese. Results and Discussion: Individuals who, during work, perform trunk rotation or flexion carry heavy materials or undergo strong vibrations in the body, increase the chances of developing injuries to the intervertebral discs and, consequently, a lumbar disc herniation. This type of injury has a high incidence of low back pain and low back pain, especially those located in the intervertebral space. Mobilization of the Nervous System (MSN) or Neural Mobilization (MN) has been used by physiotherapy to restore SN movement and elasticity, promoting the return to their normal functions and; thus, alleviating or eliminating pain. Conclusion: The MN correctly applied by the physiotherapist, so that the nerves slide and decrease the restriction of the tissues adjacent to the nerve areas and, consequently, the adverse neural tension brings gain of range of motion and improves the pain in the treatment of HDL.

Keyword: Neural Mobilization, Lumbar disc herniation, Physiotherapy

1. INTRODUÇÃO

O Sistema Nervoso (SN) pode ser classificado de várias formas, sendo a classificação mais comum aquela que se divide em: a) sistema nervoso central (SNC), aquele que está contido no interior do chamado “estojo axial” (canal vertebral e crânio), ou seja, o encéfalo e a medula espinhal; b) sistema nervoso periférico (SNP), aquele que é encontrado fora deste estojo ósseo, que se relaciona com o esqueleto apendicular, sendo os nervos (axônios) e gânglios (formações de corpos neuronais ganglionares dispersas em regiões do corpo ou mesmo dispostas ao longo da coluna vertebral, como os gânglios sensitivos).1-2

No entanto podemos dividir o SN funcionalmente em somático ou de vida de relação, que lembra o sistema nervoso que atua em todas as relações que são percebidas por nossa consciência; e em visceral ou vegetativo aquele interage de forma inconsciente, no controle e na percepção do meio interno e vísceras. Tanto o somático quanto o vegetativo, possuem componentes aferentes (sensitivos) e eferentes (motores).O SN é o condutor de impulsos elétricos que causa movimentos mecânicos. Em locais onde houver compressão do tecido Nervoso, haverá uma tensão mecânica adversa, afetando sua mobilidade global e sua habilidade para transmitir tensão.2-3

A coluna protege a medula espinhal, serve de pivô para suporte e mobilidade da cabeça, permite movimentos entre as diversas partes do tronco e dá fixação a numerosos músculos. Entretanto, sua função principal é suportar o peso da maior parte do corpo e transmiti-lo, através da articulação sacro-ilíaca, para os ossos do quadril.4-5 A coluna vertebral constitui o eixo ósseo do corpo, conferindo resistência, mas também a flexibilidade necessária à movimentação do tronco. Ela é formada por quatro curvaturas fisiológicas que são a lordose cervical, cifose dorsal, lordose lombar e cifose sacral, sendo constituída por sete vértebras cervicais, doze vértebras dorsais, cinco vértebras lombares, cinco sacrais e quatro coccígeas.6-7

A palavra Hérnia (protrusão) significa deslocar-se, projetar-se, havendo, geralmente, a ruptura do anel fibroso e gerando compressão do SN. Além da possibilidade de predisposição genética, diversos fatores de risco têm sido relacionados ao surgimento desta disfunção e alguns são relacionados aos hábitos de carregar muito peso, dirigir, fumar, manter posturas inadequadas, bem como relativo ao processo natural de envelhecimento e aos distúrbios emocionais que podem exercer influência no limiar da dor. O maior índice de relatos sobre surgimento da hérnia discal lombar (HDL) está entre as vértebras L4-L5 e L5–S1.7-8

O quadro clássico de hérnia de disco lombar é uma dor de início agudo na região da coluna lombar e que vai se irradiar em direção a perna, até chegar ao pé. Além da dor, o

paciente pode se queixar de formigamento e falta de força na perna afetada. Este quadro é conhecido como lombociatalgia, pois a dor é referida ao longo do trajeto do nervo ciático.9

O tratamento da hérnia discal lombar evoluiu muito nos últimos tempos, das ressecções transdurais para a abordagem convencional, seguida de microcirurgia até a cirurgia endoscópica e percutânea. Esta patologia (HDL) é a condição que mais leva à cirurgia de coluna, homens relativamente jovens com idade em média de 40 anos. 4, 10-11

Segundo Valle et al. (2010)12 é que a história natural da dor ciática causada por HDL é de resolução acentuada dos sintomas em torno de quatro até seis semanas. Por essa razão é que o tratamento inicial deve ser sempre conservador, explicando ao paciente que o processo tem um curso favorável.

A Mobilização do Sistema Nervoso (MSN) ou Mobilização Neural (MN) vem sendo utilizada pela fisioterapia para restaurar o movimento e a elasticidade do SN, promovendo o retorno às suas funções normais e; desta forma, amenizando ou eliminando a dor.1,14 A mobilização neural (MN) pode ser conceituada como um conjunto de técnicas que tem como objetivo impor ao sistema nervoso maior tensão, mediante determinadas posturas para que, em seguida, sejam aplicados movimentos lentos e rítmicos direcionados aos nervos periféricos e à medula espinhal, proporcionando melhora na condutibilidade do impulso nervoso.13

A MN pode também ser aplicada como método terapêutico, objetivando a redução da tensão neural adversa (TNA). Desta maneira irá contribuir para uma melhor resolução do quadro sintomático e álgico, pois, melhorando-se a neurodinâmica e restabelecendo-se o fluxo axoplasmático será restabelecida a homeostasia dos tecidos nervosos.14-15 A literatura, no entanto, mostra que a dor é inespecífica em 85% dos casos, uma vez que, sendo cada tecido inervado e; desta forma todos eles podem ser fonte de dor: discos, ligamentos, articulação sacroilíaca, músculos e estruturas nervosas.13

A Fisioterapia tem o papel de reestabelecer o movimento comprometido pela HDL, assim recuperando o quadro de comprometimento das atividades da vida diária. A MN fornece recursos para recuperar a qualidade de vida e amenizar o sofrimento causado por esta patologia, sendo fonte constante de estudos. Esta pesquisa teve como objetivo analisar a eficácia da técnica de MSN para o tratamento do quadro álgico existente na HDL, consultando-se conceituados autores que já estudaram e aplicaram esta técnica.

2. METODOLOGIA

Foi realizada uma busca de artigos originais sobre a realização da MN aplicada no tratamento de hérnia de disco lombar. Os trabalhos foram obtidos através de pesquisas na Biblioteca da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) através do tema MN e HDL em publicações entre os anos 2003/2016 e; em conceituados bancos de dados como: Pubmed, Scielo, Bireme e PEDro, no período compreendido entre 2006/2017, restritos às línguas Inglesa e Portuguesa. Os critérios de inclusão foram artigos que apresentassem no título MB ou HDL e os de exclusão foram os trabalhos publicados que não traziam informações pertinentes à pesquisa, no decorrer do artigo científico. Foram encontrados 25 artigos que abordavam o tema MB ou HDL e; foram selecionados por serem compatíveis com a pesquisa 11 artigos.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Este estudo analisou vários trabalhos publicados sobre hérnia discal lombar e mobilização neural. Os autores que estudaram especificamente a MN concordam que a técnica resulta positivamente reduzindo a TNA e ganhando ADM.1,4-5,11

A capacidade dos músculos de contrair e relaxar com o mínimo de resistência em todas as suas amplitudes de movimento depende, além dos impulsos motores provenientes do sistema nervoso, de três fatores: a elasticidade e a completa extensibilidade dos músculos, amplitude completa das articulações e um sistema nervoso livremente móvel e extensível. Uma lesão nervosa implica alterações das propriedades mecânicas e fisiológicas do SN que, por sua vez, sustentam ou agravam a lesão.4

O tratamento de mobilização do sistema nervoso foi desenvolvido, e continua evoluindo, baseado em observações clínicas e pesquisas experimentais. Embora a técnica de mobilização neural não seja amplamente conhecida, essa ideia de aplicar um tratamento mecânico para o tecido neural não é nova. Princípios e métodos do alongamento neural já existiam desde 1800 e, progressivamente, foram se aperfeiçoando tanto na teoria quanto na aplicação clínica.4

Conforme Oliveira (2010)1 a MN aplicada para mobilizar os nervos, traz um resultado positivo e é eficaz quando aplicada pelo fisioterapeuta no tratamento da HDL. Ressalta-se que não funcionou como o esperado quando aplicado nos pontos de tensão, no entanto, podem ser utilizadas como método diagnóstico, através de manobras irritativas ou que tencionem o tecido nervoso. A MN pode também ser aplicada como método terapêutico, objetivando a redução da TNA.

Desta maneira irá contribuir para uma melhor resolução do quadro sintomático e álgico, pois, melhorando-se a neurodinâmica e restabelecendo-se o fluxo axoplasmático será restabelecida a homeostasia dos tecidos nervosos.1,10

Segundo Vasconcelos et al. (2011) que realizou uma pesquisa aplicando-se a MB no cotovelo, de uma amostra composta por 60 voluntários, houve um ganho de 12,11° de ADM em extensão do cotovelo, sendo a técnica válida para cada local do corpóreo. Comprovando-se, através dos estudos dos autores que a MN é eficaz no tratamento da HDL.

5. CONCLUSÃO

A MN aplicada corretamente pelo fisioterapeuta, de forma que os nervos deslizem e diminua a restrição dos tecidos adjacentes às áreas nervosas e consequentemente a TNA traz ganho de ADM e melhora o quadro álgico no tratamento da HDL. Ressalta-se que não funciona como o esperado quando aplicado nos pontos de tensão, as técnicas podem ser utilizadas como método diagnóstico, através de manobras irritativas ou que tencionem o tecido nervoso. A MN pode também ser aplicada como método terapêutico, objetivando a redução da TNA. Desta maneira irá contribuir para uma melhor resolução do quadro sintomático e álgico.

6. REFERÊNCIAS

1. Junior, H. F. O; Teixeira, A. H. Mobilização do Sistema Nervoso: Avaliação e Tratamento. Fisioterapia em movimento, v. 20, n. 3, p. 41-55, 2007.

2. Bear, M. F.; Connors, B. W.; Paradiso, M. A. Neurociências: desvendando o sistema nervoso. Artmed Editora, 2002.

3. D’Ottano, E. J. Sistema Nervoso e 3ª Idade. Revista Argumento, v. 3, n. 5, p. 33-50, 2001.

4. Barbosa, A. P. B.; Leal, S. S. Análise da eficácia da mobilização neural do nervo isquiático sobre ganho de ADM. ConScientiae Saúde, v. 14, n. 3, p. 463-469, 2015.

5. Monnerat, E.; Pereira, J. S. A influência da técnica de mobilização neural na dor e incapacidade funcional da hérnia de disco lombar: estudo de caso. Ter Man, v. 8, n. 35, p. 66-69, 2010.

6. Makofsky, H. W. Coluna Vertebral – Terapia Manual. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

7. Alexandre, N. M. C.; Moraes, M. A. A. de. Modelo de avaliação físico-funcional da coluna vertebral. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 9, n. 2, p. 67-75, 2001

8. Hennemann, S. A.; Schumacher, W. Hérnia de disco lombar: revisão de conceitos atuais. Rev Bras Ortop, v. 29, n. 3, p. 115-126, 1994.

9. Grudtner, A. C. L.; Silva, A. G. Intervenção fisioterapêutica em um paciente com hérnia de disco. Um estudo de caso. Revista Digital – Buenos Aires, v. 13, n. 129, 2009.

10. Ellis, R. F.; Hing W. Neural Mobilization: a systematic review of randomized controlled trials with na analysis of therapeutic efficacy. US National Library of Medicine, v. 16, n. 1, p. 8-22, 2008.

11. Lima, M. O.; Vasconcelos, T. B.; Arcanjo, G. N.; Soares, R. J. A eficiência da Mobilização Neural na reabilitação da lombalgia: uma revisão de literatura. Revista Brasileira Ciências da Saúde, ano 10, n. 31, p. 45-49, 2012.

12. Viallle, L. R.; Vialle, E. M.; Henao, J. E. S.; Giraldo, G. Hérnia discal lombar. Revista Brasileira Ortopedia, v. 45, n. 1, p. 17-22, 2010.

13. Machado, G. F.; Bigolin, S. E. Estudo comparativo de casos entre mobilização neural e um programa de alongamento muscular em lombálgicos crônicos. Revista Fisioterapia em Movimento, v. 23, n. 4, p. 545-554, 2010.

14. Butler, D. S. Mobilização do sistema nervoso. Barueri: Manole; 2003.

15. Vasconcelos, D. de A.; Lins, L. C. R. F.; Dantas, E. H. M. Avaliação da Mobilização Neural sobre o ganho de amplitude de movimento. Revista Fisioterapia em Movimento, v. 24, n. 4, p. 655-672, 2015.

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