Ilda Zelia da Silva Castedo é farmacêutica-bioquímica, nasceu em Canoas, no Rio Grande do Sul, em julho de 1947. Após viver em diversas cidades do interior gaúcho, mudou-se para Porto Alegre em 1977, onde vive até hoje, com o marido e dois filhos. Em sua primeira incursão no mundo da escrita literária, apresenta no livro 1999.doc: um encontro com Guillain-Barré, o relato de sua experiência
diante dessa Síndrome.
O que a levou a escrever esse livro?
Ao longo de oito meses em que fui submetida a cuidados especiais para recuperação das perdas decorrentes da Síndrome de Guillain-Barré, acalentei o desejo de relatar essa experiência, com a intenção de transmitir a outras pessoas o sentimento de alguém fragilizado e dependente fisicamente.
Fale sobre a Síndrome de Guillain-Barré:
Em 1916, três médicos parisienses, Georges Guillain, Jean
Alexander Barré e André Strohl, descreveram o aumento das proteínas que ocorria no líquor dos pacientes acometidos pela doença.
A síndrome de Guillain-Barré ou polirradiculoneurite aguda é caracterizada por uma inflamação aguda com perda da mielina dos nervos periféricos e às vezes de raízes nervosas proximais e de nervos cranianos. Tem caráter autoimune.
O indivíduo produz auto-anticorpos contra sua própria mielina, os nervos acometidos não podem transmitir os sinais que vêem do sistema nervoso central com eficiência, levando a uma perda da habilidade de grupos musculares de responderem aos
comandos cerebrais.
Como ocorreu a evolução do quadro da Síndrome?
Em janeiro de 1999, apresentei os primeiros sinais e sintomas. Iniciaram com dor nas costas, em uma semana surpreendi-me tetraplégica, privada da fala e com visão dupla.
Necessitei respirar através de aparelhos. Não podia falar, fazer um aceno sequer, porém raciocinava e ouvia com clareza.
Adquiri uma grave infecção respiratória causada por bactérias do gênero Pseudomonas. Dependia para sobreviver de todas as pessoas que me acompanhavam.
Como transcorreu o Tratamento?
Alcancei, depois de algum tempo de tratamento, a fase de recuperação dos movimentos, conseguindo em seqüência, sentar na cadeira de rodas, engatinhar, levantar, caminhar com auxílio de andador e finalmente me locomover sozinha. Permaneci
setenta e três dias internada em hospital, dos quais cinqüenta e oito estive no CTI.
Qual o papel do fisioterapeuta em sua recuperação?
Os contatos com os fisioterapeutas iniciaram logo no CTI. Os exercícios respiratórios extenuantes durante o “desmame”, levados a efeito com êxito, fizeram-me respeitá-los cada vez mais. Tornei-me uma entusiasta do trabalho desses profissionais, constatando dia a dia a evolução dos movimentos. Dois fisio-terapeutas atenderam-me em casa e após, freqüentei a Clínica para completar a reabilitação. Agradeço a eles, por estar livre de seqüelas motoras. Penso que o fisioterapeuta, na fase de
recuperação do paciente de seqüelas neurológicas, apresenta-se como o profissional da interface entre o ambiente hospitalar e o ambiente social desse paciente. Será aquele membro da equipe multiprofissional que facilitará, através da reabilitação, a reinserção do paciente às atividades do cotidiano.
Uma abordagem através de um texto literário não corre o risco de criar um distanciamento entre a vivência e a escrita?
Estou certa de que não, especialmente nesse caso, pelo que tenho recebido de críticas favoráveis dos leitores. Escolhi o texto literário para encontrar o tom apropriado para o relato. Procurei não exagerar na descrição do sofrimento moral e da dor física assim como fiz questão de reafirmar minha crença nas possibilidades da ciência e, sobretudo, na capacidade do ser humano de vencer desafios, quando se forma uma corrente de solidariedade, aliada ao trabalho de equipe, com profissionais competentes. Acredito em Deus e em milagres. Percebo o milagre como uma ordenação de acontecimentos favoráveis para que uma situação chegue a bom termo. Tive a intenção, nesse livro, de agradecer a Deus e a todas as pessoas que se tornaram favoráveis à minha recuperação, com sua competência profissional, solidariedade, amizade, amor e afeto.
Qual a editora e onde se pode adquirir o livro?
1999.Doc: um encontro com Guillain-Barré é uma publicação da Editora Nova Prova, com projeto gráfico de Raquel Castedo, foto de capa de Gustavo Schossler e revisão de Tânia Vernet. Teve pré-lançamento em 05 de setembro de 2007, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, em Porto Alegre e lançamento na Feira do Livro, da mesma cidade, no dia 31 de outubro de 2007.
O livro pode ser adquirido na Livraria Cultura, ou através do site: www.ildacastedo.com.br |