Nesta
edição tivemos a oportunidade de entrevistar,
e melhor que isso, conhecer Ernani Fernandes
Moraes. Ele com sua voz alta, e risadas
contagiantes, nos concedeu esta entrevista onde
nos fala um pouco de seus trabalhos e da
fisioterapia em sua vida.
Revista Fisio&terapia -
Você é carioca ou apenas
mora no Rio?
Ernani Moraes - Sou natural de Recife-PE, nasci
em 23 de maio de 1956. Sou Geminiano, tenho uma
filha "Bia" Beatriz de 21 anos que
estuda psicologia no IBMR (Instituto Brasileiro
de Medicina de Reabilitação), meu pai é
bancário do Banco do Brasil e por isso viemos
pro Rio.
F&T - Com que idade você
veio para o Rio?
EM - Com um ano de idade eu vim pro Rio de
Janeiro e até brinco que no Rio eu sou
eternamente pernambucano, sou nordestino, e
quando vou pra Recife sou eternamente carioca
então eu não sou de lugar nenhum. Fui criado
aqui na rua Sá Ferreira, sempre fui ligado aos
esportes vinculados à praia, mar, peguei onda,
joguei futebol de areia, soltei pipa, frescobol,
nas ondas eu usei madeirite, prancha de isopor,
surfei na prancha de fibra, tudo isso eu fiz.
F&T - Você também foi
atleta?
EM - Sim, fiz natação na AABB (Associação
Atlética Banco do Brasil) um clube que tem ali
na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, fui atleta
por quase 10 anos. Já representei a Seleção
Brasileira, e carioca, já fui para Argentina
representando uma categoria do juvenil.
F&T - Ator, atleta,
surfista, você já foi tudo isso.Chega ou tem
mais?
EM - Tem mais, também sou físico, fiz
Física na Ilha do Fundão na UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro). Sou professor de
física e dei aula por 10 anos no segundo grau.
F&T - Com tudo isso onde
sobrou tempo para ser ator?
EM - Concomitante a isso tudo eu fiz teatro.
Quando eu tinha 18 anos, junto com o Eduardo
Tolentino, que é o diretor do grupo TAPA um
grupo de teatro muito conhecido, comecei a fazer
teatro amadoristicamente e passei pela via
crucis de todo ator iniciante, fazendo teatro
infantil nos fins de semana. Quando eu tava com
27 anos apareceu uma oportunidade de ir para
São Paulo com o grupo. Lá eu fiquei por 12
anos fazendo teatro direto, sem parar, fiz
clássicos, Shakespeare, Moliére, Maquiavel,
Ibsen, e também nacionais como Nelson
Rodrigues, José Wilker, Plínio Marcos... foram
várias peças.
F&T - E a televisão?
EM - Sou um ator que começou a fazer
televisão aos 40 anos, porque sou um cara muito
feio. A televisão só veio pra mim quando
entraram os papéis dos pais onde a beleza não
era importante. Eu já tinha mais ou menos esta
previsão e graças a Deus hoje em dia estou
fazendo muita televisão. Eu fiz o
"Boneca" na novela Torre de Babel, fiz
"Tonho" em Memorial de Maria Moura,
fiz também o "Quebra Queixo" em Como
uma Onda, e mais várias participações em
vários programas da Globo.
F&T - Agora falando da
Fisioterapia na sua vida, como foi o seu contato
com a fisioterapia?
EM - Quando eu era nadador da AABB eu era
fundista e nadava 400mts livre onde obtinha meu
melhor tempo, ali eu comecei a ter contato com
os profissionais da fisioterapia que juntamente
com os preparadores físicos me faziam os
alongamentos, me orientavam nos aquecimentos,
só isso. A fisioterapia mesmo eu vim conhecer
agora depois de velho, porque eu gosto muito de
motocicleta e tenho uma Super Ténéré 750 da
Yamaha, uma moto muito bacana, muito boa, mas
quem conhece motocicleta sabe que é uma moto
muito pesada, muito grande, tem um tanque que
cabem quase 22 litros de gasolina e por isso
fica ainda mais pesada. Quando ela tomba de lado
precisa de duas pessoas pra pôr ela de volta em
pé, e por isso eu tenho um "carimbo"
desta paixão por motos em meus dois joelhos. No
primeiro tombo, lesionei o joelho direito, perdi
um pedaço do menisco e rompi o ligamento
cruzado anterior.
Isso foi há oito anos atrás e fiz meu
tratamento todo na ABBR - Associação
Brasileira Beneficente de Reabilitação, no Rio
de Janeiro. Aí então eu considero o meu
primeiro contato com a fisioterapia. Eu fiz uma
cirurgia e meu joelho não dobrava, então a
fisioterapia foi pra voltar a ter amplitude de
movimento normal e em um ano eu já estava bom.
Há cinco anos atrás, em um outro tombo eu bati
com o joelho esquerdo e tive um afrouxamento dos
ligamentos. Desta vez eu encarei a fisioterapia
por menos tempo. Foram precisos apenas quatro
meses de tratamento, fiz disciplinadamente,
três vezes por semana. Hoje em dia os dois
joelhos estão bem. Eu sinto que tenho uma leve
deficiência, mas posso fazer quase tudo. Não
posso mais jogar futebol em campo irregular, mas
correr no calçadão na beira da praia, ou
qualquer lugar com superfície plana eu posso
encarar. Em superfícies irregulares, esportes
como futebol de areia, corrida, etc... só na
próxima encarnação quando Deus me der dois
joelhos novos.
F&T - Para encerrar, qual a dica que
você tem para os leitores da Revista
Fisio&terapia?
EM - Uma coisa que me enchia muito o saco,
era quando eu chegava na fisioterapia e estava
muito cheio, e aí além de você já ter um
atendimento que demora às vezes uma hora, você
ainda tinha que esperar mais uns 40 minutos pra
ser atendido e isso realmente era ruim. Eu
recomendo que as pessoas definam os horários
certinhos porque é maravilhoso quando você
chega na fisioterapia e já é atendido
imediatamente. Outra coisa é que a gente
durante o tratamento estabelece um vinculo muito
bacana com o fisioterapeuta porque a gente fica
às vezes muito tempo fazendo a fisioterapia, no
meu caso eu fiquei um ano da primeira vez, era
Dra. Flávia o nome dela, ela foi muito legal,
ficamos muito amigos, quase me apaixonei por ela
até porque o fisioterapeuta vira quase também
o nosso terapeuta. Já da segunda vez foi um
fisioterapeuta homem e graças ao bom Deus não
me apaixonei por ele é claro (risos), mas foi
muito bacana também e me tratou muito bem. A
fisioterapia foi muito importante na minha vida
e é uma coisa que às vezes a gente não dá a
devida importância.
Parabéns pela escolha da
profissão, eu tenho uma sobrinha que estuda
fisioterapia também e vocês estão de
parabéns.
Um grande abraço a todos. |