Diego Matias Hypolito nasceu em Santo André, SP. Irmão da também ginasta Daniele Hypolito, ganhou notoriedade ao ser o primeiro brasileiro a chegar a uma final de Mundial de Ginástica masculino. Em novembro de 2005, sagrou-se campeão mundial na modalidade solo. Agora, com as medalhas conquistadas durante o Pan 2007, ouro no solo e no cavalo, a torcida brasileira não tem mais dúvidas em colocá-lo como o maior representante da ginástica olímpica brasileira de todos os tempos. Com apenas 20 anos de idade, ele garante ter nascido para a o esporte.
Qual a importância da família na sua trajetória?
A família é a minha base. Ela me deu uma forte estrutura para tornar-me quem sou hoje.
Minha mãe é uma pessoa bastante focada e correta. Temos raízes humildes e não esquecemos o passado, dinheiro é uma coisa momentânea. Um dia você tem, amanhã pode não ter. A fama também, ela existe enquanto você está no topo, quando não está, você é esquecido. A mídia é sensacionalista; ela vive o momento e temos que saber lidar com isso.
O importante não é ficar famoso ou enrique-
cer, o que vale é estar satisfeito com o que você faz.
Com a rigidez dos treinamentos desde cedo, você acha que teve adolescência
diferente dos outros meninos da sua idade?
Muito pelo contrário, eu não me sinto dife-
rente, não penso, “meu Deus, eu não fiz isso ou aquilo que outros meninos fizeram”. Fiz o que achei correto para mim e o que fazia sentir-me bem. As viagens que fiz e a experiência de vida acumulada são coisas que nem todos com 20 anos de idade conseguiram ter. Adquiri cultura e conheci outras línguas. Aprendi a ter
responsabilidade através do esporte. Muito pelo contrário, eu não me sinto diferente.
A exposição pública te atrapalha?
Eu dependo dela e do patrocínio. A exposição pública ajuda na captação de patrocinadores. Dependo das pessoas que vem falar comigo. É gratificante quando ouço: “Diego, estou torcendo por você”, ou quando uma criança me diz, “eu quero ser igual a você”, isso é muito importante. O assédio faz parte da trajetória de um atleta vencedor. Administro bem o assédio, passo tudo para o meu assessor, pois existem regras que devo seguir. Por outro lado, não posso parar no meio do treino para dar uma entrevista, sei que ele é mais importante do que a minha exposição pública. Planto nos treinamentos para no futuro co-
lher nos campeonatos. Conseguindo bons resultados, a exposição surge naturalmente.
O momento mais importante?
O primeiro título de campeão mundial no solo. Foi o primeiro da história da ginástica masculina brasileira. Existem 4 medalhas em mundiais: a da minha irmã, a da Daiane, e as minhas, de prata na final do ano passado e a de ouro no final do ano retrasado. E as meda-
lhas do Pan 2007.
Para você, o Mundial Pré-Olímpico é mais importante do que o Pan?
O pré-olímpico vale a vaga para Pequim.
O sonho de todo atleta é ir para as Olimpíadas. O Pan-americano também é uma competição importante para o esporte nacional em termos de divulgação. Durante o Pan, assistimos à evolução do nosso esporte amador. Existiu uma grande expectativa em torno disso e todos queriam saber como estava para esta competição. Via os ingressos sendo vendidos e muitas pessoas me ligando para saber o dia em que iria competir. Nossa torcida é mais calorosa, isso nós incentiva a atingirmos um melhor resultado.
Tem alguma superstição?
Sou bastante supersticioso, tenho manias que parecem loucura, que descarregam o nervosismo. Por exemplo, eu não piso em qualquer linha no chão durante as competições e só entro com o pé-direito no ginásio. Também sou muito religioso.
Traçando um panorama da sua carreira, você mudaria algo?
Não mudaria nada, faria tudo novamente.
Passaria de novo pelas mesmas dificuldades.
Você se machuca com freqüência?
Não tive muitas lesões, mas a primeira nas costas foi a mais grave. Tenho características de suportar bem a dor e ter sempre uma resposta rápida com a fisioterapia.
Sua última lesão no pé-direito era um pro-blema crônico?
Ela tem que ser tratada. Já tive uma lesão neste pé alguns anos atrás, mas foi uma fratura, a última não foi nada muito grave, alguma coisa nas fibras e um pouco de inflamação nos tendões.
Como foram as sessões de fisioterapia?
Fazia todos os dias. No início, foram feitas na ABBR, mas já estou com o fisioterapeuta
Gustavo Cunha há 6 anos, e tenho uma con-fiança maior. Isso faz a diferença, ele é uma pessoa que me dá segurança, tratou de muitas lesões graves e tive sempre resultados positivos. Na minha concepção, a fisioterapia deve ser feita com alguém de confiança.
Acha que vai competir até quando?
A vontade é competir por mais uns 10 ou 12 anos. É o tempo em que um ginasta de alto nível consegue se manter bem. Tudo depen-derá do meu preparo e de patrocinador.
Um ídolo no esporte?
Minha irmã Daniele, não por ser irmã, mas pelo desempenho dela. Ela sempre foi muito focada, até mais que eu, ela vive para a ginástica. O Aírton Sena também. Eles sempre vestiram a camisa do Brasil apesar de todos criticarem alguma coisa.
O que rola no seu iPod?
Sou muito de momento, escuto música eletrônica depois vou para a MPB ou Samba.
Sou muito eclético com relação à música.
O que faz para relaxar?
Relaxar para mim é ir para praia, tudo que te-nha movimento eu gosto. Odeio cinema, pois não gosto de nada que me mantenha parado.
O maior adversário?
Somos nós mesmos, competir é uma conseqüência do treinamento, o resultado pessoal é o que mais importa. Ganhar é melhor, mas não é o mais importante.
Uma mensagem para os fisioterapeutas?
A fisioterapia é fundamental não só para os atletas, mas também para o fisioterapeuta.
É importante levar a profissão com seriedade, não basta pegar o ultra-som ou o laser e apli-car, é preciso se dedicar. Vejo vários estagiários que não serão bons fisioterapeutas. O bom
fisioterapeuta está interessado na sua lesão. Eu vejo pelo Gustavo, ele é ótimo, com ele te-nho uma resposta quase que imediata, ele se aprofunda no assunto, procura acompanhar a evolução do trabalho e se tiver que mudar o tratamento ele muda. Isso faz com que eu me sinta mais seguro e me recupere mais rápido.
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Dr. Gustavo Cunha
Como é uma modalidade de alto impacto e movimentos repetitivos, a ginástica olímpica causa algumas lesões nos atletas que a
praticam. É o caso de Diego que se trata com o fisioterapeuta Gustavo Cunha.
“Sou formado em Fisioterapia e trabalho mais na área desportiva. Meu objetivo sempre foi trabalhar com recuperação acelerada, pois os atletas, com calendário espremido, necessitam de resultados nas competições e respostas mais rápidas ao tratamento.
Há 6 anos atrás eu tratava da Daniele Hipólito, até que um dia, a mãe dela me procurou pedindo que tratasse de um problema de coluna do irmão Diego. Lesão derivada da ginástica e até da própria constituição física do atleta. Ele chegou de Paris, após a contusão no pé-direito, foi para a ABBR, até conseguirmos nos encontrar para iniciar o tratamento. Diego teve uma inflamação nos tendões do tornozelo, lesão muito comum em esportes de alto impacto como a ginástica olímpica, foi uma inflamação basicamente gerada pelos esforços repetitivos. Constantes saltos acabam causando inflamação. As sessões dão de segunda a sexta e levam de 1 hora e meia a 2 horas. Estou trabalhando propcepção, equilíbrio e hidroterapia, onde reproduzo movimentos de ginástica olímpica dentro da piscina da forma mais fiel possível. Na água a gravidade é quase zero, o impacto é muito menor e o atleta praticamente não sente dor durante a execução dos exercícios. Diego tem uma genética muito privilegiada por ser um atleta de ponta. Geralmente, a resposta vem de maneira rápida a qualquer estímulo, muito mais rápida do que numa pessoa sedentária ou atleta de menor expressão. Com a minha formação também em Educação Física, faremos um trabalho de fortalecimento muscular após a cura da lesão. Diego respeita muito a fisioterapia, cumpre as sessões religiosamente. A saúde do corpo é vital para ele.”
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