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TRABALHO BEM APRESENTADO SUCESSO FACILITADO
Pois é, minha gente, passou
o São João, o pessoal do Sudeste rendeu-se
ao Forró da galera do Nordeste, “vixe,
forrozar é bom demais seu cabra”, mas as
férias acabaram e as aulas recomeçam agora.
E por falar em aula, essa atividade maravilhosa, para
professores e alunos, quando revemos amigos carinhosos,
turmas novas e novos professores, novas metas a serem
atingidas, novas dinâmicas, novos assuntos a estudar,
e estudar é muito bom, enfim tudo diferente.
Cada professor tem sua metodologia de ensino, cada aluno
adota uma estratégia para se virar no meio de
tanta informação nova e obter boas notas.
Entretanto, na verdade não temos visto grandes
estratégias do alunado, pois o pessoal continua
deixando para estudar em cima da hora, ou preocupam-se
mais com a cola naquela antiga desculpa: “- mas
”profi” o tempo que gasto para fazer a cola
eu estou estudando!”. Conversa fiada gente, nós
já falamos sobre esse assunto aqui na coluna.
Os professores, por sua vez, também reestruturam
suas estratégias de aula todos os semestres,
buscando facilitar o aprendizado e aplicam metodologias
diferenciadas, que estimulem os alunos, aumentando o
rendimento e, conseqüentemente, propiciando melhores
resultados. Uma dessas metodologias, muito usada pelos
docentes e incompreendida pelos discentes, é
o famigerado SEMINÁRIO. Temido por tantos, adorado
por poucos, execrado por alguns, o seminário
tem a função precípua de trabalhar
conceitos importantes na formação profissional.
Nesta atividade estimulamos o exercício da pesquisa
bibliográfica e de campo, da aglutinação
de idéias e produção de resumos,
à realização de trabalhos com qualidade
e, principalmente, o trabalho em equipe.
Bem, vejamos, um seminário bem feito começa
com uma pesquisa bibliográfica, que não
precisa ser muito extensa, mas deve abranger ao menos
quatro títulos, buscando conhecer o legado dos
autores mais conhecidos naquele tema. É preciso
ler esses livros, ou artigos, entender seu conteúdo
e produzir resumos, que se transformarão na base
escrita do trabalho apresentado.
Ora, o que encontramos com freqüência são
colagens de parágrafos diversos, ou seja, quando
vamos ler o trabalho, e eu leio todos eles, sempre,
encontramos parágrafos copiados dos livros e
arranjados sem sentido algum, como uma salada de idéias
e conceitos, em alguns casos até contraditórios.
Mas o pessoal acha que o importante é uma capa
bem transada, a inserção de algumas figuras
obtidas com o “scaner”, ou copiadas de algum
“site” em papel “couchê”,
repleto de cores e com vários tipos de letras.
Sem dúvida um trabalho escrito bem apresentado
merece respeito, entretanto se o conteúdo for
pobre “o tiro sai pela culatra”, pois se
assemelha a uma pessoa muito bonita e bem arrumada,
que por falta de conteúdo quando abre a boca
nada se aproveita. Tenho visto cada coisa “do
arco da velha”, onde o que salta aos olhos é
a criatividade, que espero seja aplicada em benefício
dos pacientes e da profissão.
Mas a complicação maior vem quando chega
a hora da apresentação do bendito trabalho.
É gente se benzendo, rezando, chorando, rangendo
os dentes e sorrindo devido ao nervoso instalado. É
sudorese, amnésia, taquicardia, cefaléia,
ventilação dificultada, tremor em membros
inferiores, insônia, enjôo, êmese,
diarréias, gagueira emocional e outras coisas
mais. São tantos os sinais e sintomas identificados,
que sugerem uma síndrome: SAP - Síndrome
do Apresentador em Pânico. Ora, ora, não
é nada disso. Não é preciso entrar
em pânico quando se vai falar em público,
entretanto algumas pessoas passam essa dificuldade por
não estarem bem treinadas. Tudo que fazemos na
vida deve ter uma dose de emoção, como
aquele suor escorrendo perna abaixo, aquele tremor nas
mãos, ou no corpo todo. Vocês já
imaginaram chegar lá na frente como se nada estivesse
acontecendo? Olhar as pessoas e simplesmente passar
as informações? Que coisa chata, monótona,
nem uma “travadinha” no masseter, ou um
“pigarrinho” insistentemente irritante,
ou ainda, uma sensação de iminente desfalecimento?!
Gente, isso mostra que vocês estão vivos
e super ligados no que está acontecendo! É
claro que com o passar dos anos, vamos aprendendo a
controlar essas coisas, assimilando as técnicas
de apresentação e tudo fica mais fácil,
entretanto, eu, após anos de prática de
apresentações para todo o tipo de público,
ainda sinto aquele “friozinho” na barriga,
aquela secura na boca, sem o que não valeria
a pena. Tenho visto casos hilários de gente que
se oferece para levar a minha sogra para passear no
Domingo em troca da apresentação, outros
simulam desmaios, outros trocam por um pulo de pára-quedas
com o Rei Momo, outros tentam se esconder atrás
do “laser pointer”, do retroprojetor, ou
de qualquer mosquito que passe na hora e por aí
vai. Por outro lado, casos tristes têm ocorrido,
pois são casos de total desinteresse, tais como
apresentações com transparências
ilegíveis, preparadas de qualquer jeito, com
uma diagramação poluída só
para economizar transparência. É gente
apresentando o trabalho de costas para o público,
lendo, o tempo todo, verdadeiros pergaminhos, ou testamentos,
na maior “cara de pau”, mostrando que não
prepararam nada para a apresentação, demonstrando
toda a falta de consideração com o grupo.
Diante da repreensão, ou da nota baixa, é
comum o aluno alegar não ser ator, apresentador
de TV, ou orador profissional, entretanto outros alunos,
que também não possuem tais qualificações,
mas que se prepararam com afinco, apresentarem ótimos
trabalhos, que prendem a atenção de todos.
Na verdade, muitos alunos consideram “sacal”,
chato mesmo, consideram perda de tempo falar para a
turma, dizem que o professor adota o seminário
como tática para não dar aula. Sejamos
adultos, professor nenhum teria tal procedimento, mas
concordo que às vezes é realmente chato,
porque é muito chato assistir pessoas lendo papeizinhos
ou transparências em apresentações
onde um colega não pode fazer perguntas para
não arranjar inimizades. Fica muito chato mesmo
quando alunos, que não se respeitam, acham que
qualquer coisa é boa para ser apresentado, sem
agregar nenhum valor ao tempo despendido naquela atividade.
Gente, como dizia a Lahna, minha filha mais nova: “–
pé tenção!”, pois essa atividade
gera um aprendizado extremamente útil à
vida profissional, uma importantíssima função
da atividade de seminário é a de preparar
o futuro profissional para defender suas idéias,
apresentar seus projetos, lutar pelos seus objetivos.
É muito comum, em nossa profissão, sermos
chamados a explanar sobre nossas atividades, mostrar
os resultados obtidos com nossa intervenção,
às vezes é questão de “sobrevivência”,
é garantia de trabalho, é diferencial.
Na minha atividade de professor sou obrigado a saber
falar em público, mas enquanto fisioterapeuta
do trabalho vivo essas demandas com grande intensidade
também, porém diversos colegas da respiratória,
da “traumato” e de outras áreas relatam
as mesmas necessidades. Pensando nisso, fiz algumas
palestras para discutir modos de apresentar trabalhos,
uma delas até deu o que falar e, atualmente,
criamos um curso sobre esse tema para melhor capacitar
alunos e colegas, pois se somos a profissão do
futuro, e o futuro está a cada dia mais próximo,
e tanto é verdade que estamos incomodando muitos
a ponto de um escrever besteiras sobre nosso trabalho
e outros tentarem nos tirar o direito de exercer a Acupuntura,
mostrando todo o medo que possuem de nossa capacidade.
Por essas coisas é que precisamos nos capacitar
cada vez mais e de diversas maneiras, o que tem de começar
na formação universitária. Aproveitando,
aqui vai um pequeno “merchandise” do nosso
curso – Trabalho bem apresentado, sucesso facilitado
– aprendendo a falar em público. Quem desejar
discutir esse tema com mais profundidade basta entrar
em contato.
LUÍS GUILHERME BARBOSA
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