Coluna do Prof. Luis Guilherme
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TRABALHO BEM APRESENTADO SUCESSO FACILITADO

Pois é, minha gente, passou o São João, o pessoal do Sudeste rendeu-se ao Forró da galera do Nordeste, “vixe, forrozar é bom demais seu cabra”, mas as férias acabaram e as aulas recomeçam agora. E por falar em aula, essa atividade maravilhosa, para professores e alunos, quando revemos amigos carinhosos, turmas novas e novos professores, novas metas a serem atingidas, novas dinâmicas, novos assuntos a estudar, e estudar é muito bom, enfim tudo diferente. Cada professor tem sua metodologia de ensino, cada aluno adota uma estratégia para se virar no meio de tanta informação nova e obter boas notas. Entretanto, na verdade não temos visto grandes estratégias do alunado, pois o pessoal continua deixando para estudar em cima da hora, ou preocupam-se mais com a cola naquela antiga desculpa: “- mas ”profi” o tempo que gasto para fazer a cola eu estou estudando!”. Conversa fiada gente, nós já falamos sobre esse assunto aqui na coluna.
Os professores, por sua vez, também reestruturam suas estratégias de aula todos os semestres, buscando facilitar o aprendizado e aplicam metodologias diferenciadas, que estimulem os alunos, aumentando o rendimento e, conseqüentemente, propiciando melhores resultados. Uma dessas metodologias, muito usada pelos docentes e incompreendida pelos discentes, é o famigerado SEMINÁRIO. Temido por tantos, adorado por poucos, execrado por alguns, o seminário tem a função precípua de trabalhar conceitos importantes na formação profissional. Nesta atividade estimulamos o exercício da pesquisa bibliográfica e de campo, da aglutinação de idéias e produção de resumos, à realização de trabalhos com qualidade e, principalmente, o trabalho em equipe.
Bem, vejamos, um seminário bem feito começa com uma pesquisa bibliográfica, que não precisa ser muito extensa, mas deve abranger ao menos quatro títulos, buscando conhecer o legado dos autores mais conhecidos naquele tema. É preciso ler esses livros, ou artigos, entender seu conteúdo e produzir resumos, que se transformarão na base escrita do trabalho apresentado.
Ora, o que encontramos com freqüência são colagens de parágrafos diversos, ou seja, quando vamos ler o trabalho, e eu leio todos eles, sempre, encontramos parágrafos copiados dos livros e arranjados sem sentido algum, como uma salada de idéias e conceitos, em alguns casos até contraditórios. Mas o pessoal acha que o importante é uma capa bem transada, a inserção de algumas figuras obtidas com o “scaner”, ou copiadas de algum “site” em papel “couchê”, repleto de cores e com vários tipos de letras. Sem dúvida um trabalho escrito bem apresentado merece respeito, entretanto se o conteúdo for pobre “o tiro sai pela culatra”, pois se assemelha a uma pessoa muito bonita e bem arrumada, que por falta de conteúdo quando abre a boca nada se aproveita. Tenho visto cada coisa “do arco da velha”, onde o que salta aos olhos é a criatividade, que espero seja aplicada em benefício dos pacientes e da profissão.
Mas a complicação maior vem quando chega a hora da apresentação do bendito trabalho. É gente se benzendo, rezando, chorando, rangendo os dentes e sorrindo devido ao nervoso instalado. É sudorese, amnésia, taquicardia, cefaléia, ventilação dificultada, tremor em membros inferiores, insônia, enjôo, êmese, diarréias, gagueira emocional e outras coisas mais. São tantos os sinais e sintomas identificados, que sugerem uma síndrome: SAP - Síndrome do Apresentador em Pânico. Ora, ora, não é nada disso. Não é preciso entrar em pânico quando se vai falar em público, entretanto algumas pessoas passam essa dificuldade por não estarem bem treinadas. Tudo que fazemos na vida deve ter uma dose de emoção, como aquele suor escorrendo perna abaixo, aquele tremor nas mãos, ou no corpo todo. Vocês já imaginaram chegar lá na frente como se nada estivesse acontecendo? Olhar as pessoas e simplesmente passar as informações? Que coisa chata, monótona, nem uma “travadinha” no masseter, ou um “pigarrinho” insistentemente irritante, ou ainda, uma sensação de iminente desfalecimento?! Gente, isso mostra que vocês estão vivos e super ligados no que está acontecendo! É claro que com o passar dos anos, vamos aprendendo a controlar essas coisas, assimilando as técnicas de apresentação e tudo fica mais fácil, entretanto, eu, após anos de prática de apresentações para todo o tipo de público, ainda sinto aquele “friozinho” na barriga, aquela secura na boca, sem o que não valeria a pena. Tenho visto casos hilários de gente que se oferece para levar a minha sogra para passear no Domingo em troca da apresentação, outros simulam desmaios, outros trocam por um pulo de pára-quedas com o Rei Momo, outros tentam se esconder atrás do “laser pointer”, do retroprojetor, ou de qualquer mosquito que passe na hora e por aí vai. Por outro lado, casos tristes têm ocorrido, pois são casos de total desinteresse, tais como apresentações com transparências ilegíveis, preparadas de qualquer jeito, com uma diagramação poluída só para economizar transparência. É gente apresentando o trabalho de costas para o público, lendo, o tempo todo, verdadeiros pergaminhos, ou testamentos, na maior “cara de pau”, mostrando que não prepararam nada para a apresentação, demonstrando toda a falta de consideração com o grupo. Diante da repreensão, ou da nota baixa, é comum o aluno alegar não ser ator, apresentador de TV, ou orador profissional, entretanto outros alunos, que também não possuem tais qualificações, mas que se prepararam com afinco, apresentarem ótimos trabalhos, que prendem a atenção de todos. Na verdade, muitos alunos consideram “sacal”, chato mesmo, consideram perda de tempo falar para a turma, dizem que o professor adota o seminário como tática para não dar aula. Sejamos adultos, professor nenhum teria tal procedimento, mas concordo que às vezes é realmente chato, porque é muito chato assistir pessoas lendo papeizinhos ou transparências em apresentações onde um colega não pode fazer perguntas para não arranjar inimizades. Fica muito chato mesmo quando alunos, que não se respeitam, acham que qualquer coisa é boa para ser apresentado, sem agregar nenhum valor ao tempo despendido naquela atividade.
Gente, como dizia a Lahna, minha filha mais nova: “– pé tenção!”, pois essa atividade gera um aprendizado extremamente útil à vida profissional, uma importantíssima função da atividade de seminário é a de preparar o futuro profissional para defender suas idéias, apresentar seus projetos, lutar pelos seus objetivos. É muito comum, em nossa profissão, sermos chamados a explanar sobre nossas atividades, mostrar os resultados obtidos com nossa intervenção, às vezes é questão de “sobrevivência”, é garantia de trabalho, é diferencial. Na minha atividade de professor sou obrigado a saber falar em público, mas enquanto fisioterapeuta do trabalho vivo essas demandas com grande intensidade também, porém diversos colegas da respiratória, da “traumato” e de outras áreas relatam as mesmas necessidades. Pensando nisso, fiz algumas palestras para discutir modos de apresentar trabalhos, uma delas até deu o que falar e, atualmente, criamos um curso sobre esse tema para melhor capacitar alunos e colegas, pois se somos a profissão do futuro, e o futuro está a cada dia mais próximo, e tanto é verdade que estamos incomodando muitos a ponto de um escrever besteiras sobre nosso trabalho e outros tentarem nos tirar o direito de exercer a Acupuntura, mostrando todo o medo que possuem de nossa capacidade. Por essas coisas é que precisamos nos capacitar cada vez mais e de diversas maneiras, o que tem de começar na formação universitária. Aproveitando, aqui vai um pequeno “merchandise” do nosso curso – Trabalho bem apresentado, sucesso facilitado – aprendendo a falar em público. Quem desejar discutir esse tema com mais profundidade basta entrar em contato.


LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006