Coluna do Prof. Luis Guilherme
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“QUEM NÃO COLA NÃO SAI DA ESCOLA!”
VOCÊ ESTÁ NESSA AINDA?

Colar (def.): “Cópia feita clandestinamente nos exames escritos” – Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª edição.

Colar é, também, sinônimo de esperteza, malandragem, vivacidade. Coloca-se cola em tudo que é lugar: papel, parede, relógio, carteira, caneta, perna, bolso, braço, roupa, em suma, vale tudo. São várias as situações criadas pelos alunos para atingirem seu objetivo – colar. Coisas do tipo: “presta atenção cara, quando ele vier para o meu lado, “tu chama ele” ! – Profi, dá prá dá um helpi ? “ - e o professor vai para o outro lado para ajudar seu necessitado aluno. “Agora, chock, é agora, passa, passa logo mané !”

Na verdade, são cópias feitas a partir do caderno de uma das colegas, preferencialmente as mais assíduas e cuidadosas. O reinado dessa aluna começa na véspera da prova e termina após a obtenção do material e, não raro ela fica sem seu caderno, pois quem pegou não devolveu. Acaba que “a chata” passa o tempo todo “criando problema só por causa de um caderno. ”

“Colar com esse professor é mole parceiro, o cara não vê nada !” Como se os professores não soubessem, ou percebessem, o que está acontecendo. “Ih mermão, esse cara é um saco, fica em cima o tempo todo, num dá um molezinho !” É muito fácil perceber um aluno colando, por se tratar de uma atitude anormal, mesmo para aqueles que colam normalmente. Colar gera estresse, o que determina naquele aluno um comportamento diferenciado do restante. Vemos coisas do tipo: orelhas vermelhas, lábios cianóticos, tremores, além daquelas famosas caretas (o aluno finge que está raciocinando e comumente pede ao professor uma inspiração). As caretas são especiais e, dependendo do relacionamento com a turma, dá para identificar o momento em que começou a cola, se esta é grupal ou individual, é geral ou zonal, escrita ou falada, etc. Ou mesmo perceber aquele aluno que só falta rasgar o papel, ao fingir que está escrevendo, enquanto espera a “cola chegar”. Daria até vontade de rir, se não fosse tão trágico.

Classifico a cola em dois tipos básicos: a patológica e a fisiológica. A patológica ocorre quando o aluno(a) que nada estudou, nada sabe – e nem quer saber – decide fazer a prova e passar a qualquer custo. Então, senta atrás de um(a) colega, às vezes aquele(a) é considerado(a) o(a) melhor da turma, mas no fundo serve qualquer um(a) e fica cutucando, chamando, pedindo ajuda, ou seja, atrapalhando o(a) colega. Ou ainda, prepara aqueles “verdadeiros tratados”, com letras ínfimas e faz verdadeiros malabarismos para conseguir acessar esses papéis, ou mesmo copia toda a matéria nas carteiras, etc.
A fisiológica é quase uma troca de informações entre pessoas preparadas, por exemplo: se você vem estudando sempre com um(a) colega, mantendo a matéria em dia, chega no dia da prova você vai ficar do lado de quem ? Ao terminar, você simplesmente entrega sua prova e vai embora, ou espera um pouco para saber como o(a) colega está indo ? Quantas vezes troca algum tipo de informação, seja falando baixo, sinalizando de algum modo um erro percebido ? E você supõe que o professor não percebeu ? São nesses momentos que surgem os pigarros, os “shhiiiis” do professor, ou mesmo aquele aviso – “olha para a sua prova !” Os profissionais quase sempre mantêm contato com seus colegas de profissão, trocando idéias e tudo o mais, ou mesmo consultando livros e revistas – isso significa colar, então ? Mas o que vale afinal, o que é lícito e o que é ilícito ? Como o nosso objetivo não é definir ou normatizar nada, ficam os seguintes questionamentos: deve um candidato a profissional recorrer a meios pouco éticos pa-ra garantir aprovação em alguma disciplina ? Ou ainda, se um candidato a profissional já tem atitudes antiéticas, será este um bom profissional no futuro ? Há que se pensar a respeito.

Cabe dizer aqui, que o mercado seleciona e, inclusive, é muito comum encontrarmos ex-colegas, conhecedores do passado acadêmi-co de outros(as) colegas evitando trabalhar com aqueles(as) que pouco se esforçavam na Universidade. Todo mundo pode mudar, é verdade, mas você já ouviu falar que “a primeira impressão é a que fica?” E a vida vai passando, as coisas vão acontecendo e vamos recebendo “inputs” importantes provenientes de paradigmas diversos, tais como: “os últimos serão os primeiros! ”, “gato escaldado tem medo de água fria”, “pancada de amor não dói”, entre tantos, visto que – aspectos religiosos à parte – os últimos serão sempre desclassificados, gato escaldado morre e, pancada, mesmo dada com amor, deixa vários hematomas. Entretanto, podemos afirmar que os bons profissionais sempre serão respeitados, lembrados e convidados ao trabalho.
É preciso pensar melhor nessas coisas. O aluno da graduação deve entender, que ele será um profissional ao término do curso, trabalhará com pessoas. A postura ética inicia-se no vestibular e não após a formatura. Faz-se necessário uma conscientização maior, até porque a Fisioterapia cresce a cada dia e precisamos de gente, profissionais, que pensem mais e copiem menos, gente estudiosa e criativa, capaz de quebrar paradigmas, verdadeira-mente inovar com sabedoria sem, natural-mente, esquecer o que já foi conquistado.

“Quem não sabe o que procura não pode interpretar o que encontra.”
Claude Bernard

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006