“QUEM NÃO COLA
NÃO SAI DA ESCOLA!”
VOCÊ ESTÁ NESSA AINDA?
Colar (def.): “Cópia feita
clandestinamente nos exames escritos” –
Novo Dicionário Aurélio da Língua
Portuguesa, 2ª edição.
Colar é, também, sinônimo
de esperteza, malandragem, vivacidade. Coloca-se cola
em tudo que é lugar: papel, parede, relógio,
carteira, caneta, perna, bolso, braço, roupa,
em suma, vale tudo. São várias as situações
criadas pelos alunos para atingirem seu objetivo –
colar. Coisas do tipo: “presta atenção
cara, quando ele vier para o meu lado, “tu chama
ele” ! – Profi, dá prá dá
um helpi ? “ - e o professor vai para o outro
lado para ajudar seu necessitado aluno. “Agora,
chock, é agora, passa, passa logo mané
!”
Na verdade, são cópias
feitas a partir do caderno de uma das colegas, preferencialmente
as mais assíduas e cuidadosas. O reinado dessa
aluna começa na véspera da prova e termina
após a obtenção do material e,
não raro ela fica sem seu caderno, pois quem
pegou não devolveu. Acaba que “a chata”
passa o tempo todo “criando problema só
por causa de um caderno. ”
“Colar com esse professor é
mole parceiro, o cara não vê nada !”
Como se os professores não soubessem, ou percebessem,
o que está acontecendo. “Ih mermão,
esse cara é um saco, fica em cima o tempo todo,
num dá um molezinho !” É muito fácil
perceber um aluno colando, por se tratar de uma atitude
anormal, mesmo para aqueles que colam normalmente. Colar
gera estresse, o que determina naquele aluno um comportamento
diferenciado do restante. Vemos coisas do tipo: orelhas
vermelhas, lábios cianóticos, tremores,
além daquelas famosas caretas (o aluno finge
que está raciocinando e comumente pede ao professor
uma inspiração). As caretas são
especiais e, dependendo do relacionamento com a turma,
dá para identificar o momento em que começou
a cola, se esta é grupal ou individual, é
geral ou zonal, escrita ou falada, etc. Ou mesmo perceber
aquele aluno que só falta rasgar o papel, ao
fingir que está escrevendo, enquanto espera a
“cola chegar”. Daria até vontade
de rir, se não fosse tão trágico.
Classifico a cola em dois tipos básicos:
a patológica e a fisiológica. A patológica
ocorre quando o aluno(a) que nada estudou, nada sabe
– e nem quer saber – decide fazer a prova
e passar a qualquer custo. Então, senta atrás
de um(a) colega, às vezes aquele(a) é
considerado(a) o(a) melhor da turma, mas no fundo serve
qualquer um(a) e fica cutucando, chamando, pedindo ajuda,
ou seja, atrapalhando o(a) colega. Ou ainda, prepara
aqueles “verdadeiros tratados”, com letras
ínfimas e faz verdadeiros malabarismos para conseguir
acessar esses papéis, ou mesmo copia toda a matéria
nas carteiras, etc.
A fisiológica é quase uma troca de informações
entre pessoas preparadas, por exemplo: se você
vem estudando sempre com um(a) colega, mantendo a matéria
em dia, chega no dia da prova você vai ficar do
lado de quem ? Ao terminar, você simplesmente
entrega sua prova e vai embora, ou espera um pouco para
saber como o(a) colega está indo ? Quantas vezes
troca algum tipo de informação, seja falando
baixo, sinalizando de algum modo um erro percebido ?
E você supõe que o professor não
percebeu ? São nesses momentos que surgem os
pigarros, os “shhiiiis” do professor, ou
mesmo aquele aviso – “olha para a sua prova
!” Os profissionais quase sempre mantêm
contato com seus colegas de profissão, trocando
idéias e tudo o mais, ou mesmo consultando livros
e revistas – isso significa colar, então
? Mas o que vale afinal, o que é lícito
e o que é ilícito ? Como o nosso objetivo
não é definir ou normatizar nada, ficam
os seguintes questionamentos: deve um candidato a profissional
recorrer a meios pouco éticos pa-ra garantir
aprovação em alguma disciplina ? Ou ainda,
se um candidato a profissional já tem atitudes
antiéticas, será este um bom profissional
no futuro ? Há que se pensar a respeito.
Cabe dizer aqui, que o mercado seleciona
e, inclusive, é muito comum encontrarmos ex-colegas,
conhecedores do passado acadêmi-co de outros(as)
colegas evitando trabalhar com aqueles(as) que pouco
se esforçavam na Universidade. Todo mundo pode
mudar, é verdade, mas você já ouviu
falar que “a primeira impressão é
a que fica?” E a vida vai passando, as coisas
vão acontecendo e vamos recebendo “inputs”
importantes provenientes de paradigmas diversos, tais
como: “os últimos serão os primeiros!
”, “gato escaldado tem medo de água
fria”, “pancada de amor não dói”,
entre tantos, visto que – aspectos religiosos
à parte – os últimos serão
sempre desclassificados, gato escaldado morre e, pancada,
mesmo dada com amor, deixa vários hematomas.
Entretanto, podemos afirmar que os bons profissionais
sempre serão respeitados, lembrados e convidados
ao trabalho.
É preciso pensar melhor nessas coisas. O aluno
da graduação deve entender, que ele será
um profissional ao término do curso, trabalhará
com pessoas. A postura ética inicia-se no vestibular
e não após a formatura. Faz-se necessário
uma conscientização maior, até
porque a Fisioterapia cresce a cada dia e precisamos
de gente, profissionais, que pensem mais e copiem menos,
gente estudiosa e criativa, capaz de quebrar paradigmas,
verdadeira-mente inovar com sabedoria sem, natural-mente,
esquecer o que já foi conquistado.
“Quem
não sabe o que procura não pode interpretar
o que encontra.”
Claude Bernard
LUÍS GUILHERME BARBOSA
Voltar
para coluna e ler outros artigos>>
|