Coluna do Prof. Luis Guilherme
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PROFESSOR X ALUNO
Parceria, guerra, concorrência, pa(ma)ternidade, ou loucura mesmo?

Fevereiro chegou e recomeça tudo outra vez. A galera vem, ainda, ressaqueada das Festas de Fim de Ano, recheados de Ultravioleta A, B e C provenientes do excesso de sol da praia ou da piscina. Todos com aquela cor de bronze na pele, que já identificamos algumas especificações mais comuns, tais como dos tipos: “Mamãe sou candidato a um carcinoma basocelular!”, ou então, “Mamãe tô a cara da Vovó, toda enrugada!”. E tome-lhe creme. Tem gente que usa Davene, Monange, Nívea, Cremucho, da Xuxa, da Angélica, da Carla Perez, da Galisteu (mas será que elas usam os próprios produtos? Deixa de ser chato ô meu!); Óleo de avião, de mamona, de cenoura, de beterraba, de Jaborandi e tudo o mais que encontrarem nas revistas especializadas em empurrar essas baboseiras goela abaixo da meninada. Elas ficam cheirosas, mas será que ficam realmente hidratadas? Só o tempo, o inexorável, aquele que vivemos tentando controlar e que por mais estável que seja a gente sempre quer altera-lo em determinados momentos, dirá se valeu tanta “lambuzisse” ou tudo não passou de “gastassão” de dinheiro e charme. Tem gente de carro novo, de telefone novo, de namorado(a) novo(a), de “caso” novo e tudo o mais, porém uma coisa todos têm em comum: novas disciplinas e, conseqüentemente, professores novos e, então, começa o nosso bate papo.
Ora, ora, todo professor já foi aluno, mas a recíproca nem sempre é verdadeira, o que quando acontece facilita bastante o relacionamento, no entanto fica claro que essa relação complica às vezes. Vou reproduzir uma crônica que me foi dada pelos alunos da turma da UNIG, que recebeu o Grau de Fisioterapeuta em 24 de Janeiro último e que diz, mais ou menos, assim:

O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO!
Quando fala um minuto após o soar do sinal, é fominha;
Quando para de falar um minuto antes do soar do sinal, é desinteressado;
Quando fala com voz alta, grita;
Quando fala com voz baixa, é implicante;
Quando é jovem, é inexperiente;
Quando é velho, ta caduco;
Quando nunca falta, é Caxias;
Quando falta, é porque nada quer;
Quando a prova é longa, é cansativa demais;
Quando a prova é curta, está querendo derrubar;
Quando “aperta” o aluno, é chato;
Quando dá liberdade, é bobo;
Mas quando consegue o equilíbrio, é obrigação.

È coisa muito séria, fala a verdade!? Ser professor não é fácil não, ainda mais nesse País, onde “Dr. Lalau” tem atémordomia e numa Câmara Legislativa de uma dessas cidades por aí, tem gente ganhando R$ 65.000,00. E tem aluno que acha que o professor é empregado dele; tem gente que acha que você ser demitido é vergonha ou vai morrer de fome! Tem gente que pensa que professor é babá de aluno. A coisa é muito mais séria do que se pensa. Mas, porém, contudo, não obstante, entretanto, toda classe tem suas ovelhas negras, suas ovelhas não tão negras, suas ovelhas que se fingem de brancas e suas ovelhas realmente brancas, o que não dá direito a tratarem os professores com o desrespeito que tenho visto e ouvido por aí. Meu Deus! O professor é um formador de opinião, por excelência, quantos já mudaram de especialidade por causa do professor, seja por gostar ou por não gostar do dito cujo. Tem aluno que adquire até os trejeitos do professor e quando dá uma aula ou apresenta um trabalho mostra sua “escola”. Tem aluno que detesta o modo de trabalho e, algumas vezes, a própria pessoa do professor, o que considero um direito até, sem eximi-lo de seus deveres. Eu costumo brincar com meus alunos, dizendo que eu sou um professor que 100% dos meus alunos gostam muito de mim, o que não é mentira, visto que um grupo gosta “muito-muito” e outro grupo gosta “muito-pouco”, mas ninguém fica indiferente. Há que se entender que o professor é um ser humano como toda e qualquer pessoa, logo tem dívidas, desejos, anseios, sogra, cunhada, frustrações, etc. Eu soube de um aluno que fez a seguinte afirmação: “professor não pode ter problemas particulares!” Depois ficamos sabendo quem ele realmente era. É de consenso que esses problemas não devem ser levados para a da sala de aula e nesse ponto, felizmente, tenho ouvido muitos colegas, muitos mesmo, iniciantes, no meio da carreira e no final dela, afirmarem que dar aula é uma terapia. É na sala de aula, concentrados em desenvolver os raciocínios corretos e de forma mais acessível ao aprendizado de todos os alunos, que nos entregamos de corpo e alma àquela atividade. E, exatamente, nesse momento vem aquele(a) aluno(a) conversar, falar de novela, em muitos casos, ou marcar churrascos, ou falar de outras amenidades! É comum, então, o professor que estava concentrado, portanto, atento, parar e perguntar o que está ocorrendo, o que se está conversando, o que não está sendo entendido, certamente julgando não estar atingindo o entendimento de alguém e recebe aquela resposta clássica: “- não, nada não prof é sobre a matéria, deixa pra lá!”. E agora, “dorme com esse barulho!”. A verdade é que tem hora para tudo, para brincar, fazer piada, dar bronca, chamar nos brios, discutir mais detalhadamente, enfim, fazer o trabalho fluir com calma, leveza e prazer, logo só não temos a hora da humilhação e do mau trato.
É muito comum também, escutarmos a seguinte “frase-SOS”: “ – professor, passa um trabalho para ajudar na nota!?” E eu respondo: “gente, quem ajuda o aluno é o Pai, a Mãe, a Vó, o Vô, o(a) namorado(a), entre outros, o professor facilita o aprendizado do aluno, favorece suas construções lógicas, concretas e abstratas, cria mecanismos que beneficiem o entendimento amplo do tema, criando discussões, debates e tantos outros elementos mais que facilitem o desenvolvimento do aluno. Não é passando a mão na cabecinha de aluno, facilitando sua aprovação, que se está ajudando o aluno, mais até, construindo bons profissionais! E aqui surge a interface entre o professor e o educador. Só sabe quem vive, é como diz saudoso Gonzaguinha em uma de suas músicas: “...vai viver pra aprender, vai tratar de viver...”. Mas não pensem que a vida do professor é feita somente de maus alunos, daqueles que fazem fofocas para tirar o professor que “aperta” muito; inventam coisas, até sérias em alguns casos, buscando difamar os professores; falam bem na presença e metem o malho na ausência; lideram os “abaixo asssinados” sempre para tirar esses ou aqueles professores, nunca para melhorar o curso. Esses apenas mostram a verdadeira personalidade que possuem, pois que se fazem com os professores, não farão com os colegas, até porque os professores de hoje serão os colegas de amanhã!? Mas é certo que tem professor chato mesmo, implicante, que “pega no pé” por pouca coisa, tem professor que precisa se reciclar, evoluir, pois a melhoria contínua deve ser meta de todos. É lógico que se fôssemos perfeitos não estaríamos habitando esse planeta, não é verdade? Por outro lado, tem aluno bom, muito bom, daqueles que você leva para trabalhar contigo quando tem oportunidade, indica para outros colegas e, é claro que nunca conseguimos atender a todos, mas sempre procuraremos ajudar. Conheço duplas maravilhosas, que se formaram ainda em sala de aula, professores e alunos que ficaram amigos realmente, outros(as) que até se casaram com alunas(os), parcerias que se fizeram no mestrado, no doutorado, no pós-doutorado e por aí a fora.
Penso, que é preciso entender, muito rapidamente, que essa oportunidade, de relacionamento entre professor e aluno, é ímpar no sentido de permitir a condução dos caminhos de uma profissão, é a união dos “construtores da coisa”, é a união de entes que se necessitam mutuamente, pois mesmo o, dito, autodidata precisou aprender em algum lugar. Portanto, vejo uma parceria solene e extremamente gratificante, em alguns momentos, entretanto, uma relação de ódio e aversão em outras, mas se somos humanos não haveríamos de exigir amizade de todos. Contudo, por mais que não se queira bem o respeito é soberano, está acima de tudo e só terá efetividade se estiver presente nos dois sentidos, naturalmente, pois do contrário vira guerra e na guerra todos perdem tudo, sempre.

Continuem mandando seus recados, críticas, comentários. Falem conosco, dêem sugestões, mas lembrem-se: mantenham o bom humor!

“Se você se contentar com menos do que pode ser, será infeliz para o resto da vida”.
Abraham Maslow

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006