PROFESSOR X ALUNO
Parceria, guerra, concorrência, pa(ma)ternidade,
ou loucura mesmo?
Fevereiro chegou e recomeça tudo outra vez.
A galera vem, ainda, ressaqueada das Festas de Fim
de Ano, recheados de Ultravioleta A, B e C provenientes
do excesso de sol da praia ou da piscina. Todos com
aquela cor de bronze na pele, que já identificamos
algumas especificações mais comuns,
tais como dos tipos: “Mamãe sou candidato
a um carcinoma basocelular!”, ou então,
“Mamãe tô a cara da Vovó,
toda enrugada!”. E tome-lhe creme. Tem gente
que usa Davene, Monange, Nívea, Cremucho, da
Xuxa, da Angélica, da Carla Perez, da Galisteu
(mas será que elas usam os próprios
produtos? Deixa de ser chato ô meu!); Óleo
de avião, de mamona, de cenoura, de beterraba,
de Jaborandi e tudo o mais que encontrarem nas revistas
especializadas em empurrar essas baboseiras goela
abaixo da meninada. Elas ficam cheirosas, mas será
que ficam realmente hidratadas? Só o tempo,
o inexorável, aquele que vivemos tentando controlar
e que por mais estável que seja a gente sempre
quer altera-lo em determinados momentos, dirá
se valeu tanta “lambuzisse” ou tudo não
passou de “gastassão” de dinheiro
e charme. Tem gente de carro novo, de telefone novo,
de namorado(a) novo(a), de “caso” novo
e tudo o mais, porém uma coisa todos têm
em comum: novas disciplinas e, conseqüentemente,
professores novos e, então, começa o
nosso bate papo.
Ora, ora, todo professor já foi aluno, mas
a recíproca nem sempre é verdadeira,
o que quando acontece facilita bastante o relacionamento,
no entanto fica claro que essa relação
complica às vezes. Vou reproduzir uma crônica
que me foi dada pelos alunos da turma da UNIG, que
recebeu o Grau de Fisioterapeuta em 24 de Janeiro
último e que diz, mais ou menos, assim:
O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO!
Quando fala um minuto após o soar do sinal,
é fominha;
Quando para de falar um minuto antes do soar do sinal,
é desinteressado;
Quando fala com voz alta, grita;
Quando fala com voz baixa, é implicante;
Quando é jovem, é inexperiente;
Quando é velho, ta caduco;
Quando nunca falta, é Caxias;
Quando falta, é porque nada quer;
Quando a prova é longa, é cansativa
demais;
Quando a prova é curta, está querendo
derrubar;
Quando “aperta” o aluno, é chato;
Quando dá liberdade, é bobo;
Mas quando consegue o equilíbrio, é
obrigação.
È coisa muito séria, fala a verdade!?
Ser professor não é fácil não,
ainda mais nesse País, onde “Dr. Lalau”
tem atémordomia e numa Câmara Legislativa
de uma dessas cidades por aí, tem gente ganhando
R$ 65.000,00. E tem aluno que acha que o professor
é empregado dele; tem gente que acha que você
ser demitido é vergonha ou vai morrer de fome!
Tem gente que pensa que professor é babá
de aluno. A coisa é muito mais séria
do que se pensa. Mas, porém, contudo, não
obstante, entretanto, toda classe tem suas ovelhas
negras, suas ovelhas não tão negras,
suas ovelhas que se fingem de brancas e suas ovelhas
realmente brancas, o que não dá direito
a tratarem os professores com o desrespeito que tenho
visto e ouvido por aí. Meu Deus! O professor
é um formador de opinião, por excelência,
quantos já mudaram de especialidade por causa
do professor, seja por gostar ou por não gostar
do dito cujo. Tem aluno que adquire até os
trejeitos do professor e quando dá uma aula
ou apresenta um trabalho mostra sua “escola”.
Tem aluno que detesta o modo de trabalho e, algumas
vezes, a própria pessoa do professor, o que
considero um direito até, sem eximi-lo de seus
deveres. Eu costumo brincar com meus alunos, dizendo
que eu sou um professor que 100% dos meus alunos gostam
muito de mim, o que não é mentira, visto
que um grupo gosta “muito-muito” e outro
grupo gosta “muito-pouco”, mas ninguém
fica indiferente. Há que se entender que o
professor é um ser humano como toda e qualquer
pessoa, logo tem dívidas, desejos, anseios,
sogra, cunhada, frustrações, etc. Eu
soube de um aluno que fez a seguinte afirmação:
“professor não pode ter problemas particulares!”
Depois ficamos sabendo quem ele realmente era. É
de consenso que esses problemas não devem ser
levados para a da sala de aula e nesse ponto, felizmente,
tenho ouvido muitos colegas, muitos mesmo, iniciantes,
no meio da carreira e no final dela, afirmarem que
dar aula é uma terapia. É na sala de
aula, concentrados em desenvolver os raciocínios
corretos e de forma mais acessível ao aprendizado
de todos os alunos, que nos entregamos de corpo e
alma àquela atividade. E, exatamente, nesse
momento vem aquele(a) aluno(a) conversar, falar de
novela, em muitos casos, ou marcar churrascos, ou
falar de outras amenidades! É comum, então,
o professor que estava concentrado, portanto, atento,
parar e perguntar o que está ocorrendo, o que
se está conversando, o que não está
sendo entendido, certamente julgando não estar
atingindo o entendimento de alguém e recebe
aquela resposta clássica: “- não,
nada não prof é sobre a matéria,
deixa pra lá!”. E agora, “dorme
com esse barulho!”. A verdade é que tem
hora para tudo, para brincar, fazer piada, dar bronca,
chamar nos brios, discutir mais detalhadamente, enfim,
fazer o trabalho fluir com calma, leveza e prazer,
logo só não temos a hora da humilhação
e do mau trato.
É muito comum também, escutarmos a seguinte
“frase-SOS”: “ – professor,
passa um trabalho para ajudar na nota!?” E eu
respondo: “gente, quem ajuda o aluno é
o Pai, a Mãe, a Vó, o Vô, o(a)
namorado(a), entre outros, o professor facilita o
aprendizado do aluno, favorece suas construções
lógicas, concretas e abstratas, cria mecanismos
que beneficiem o entendimento amplo do tema, criando
discussões, debates e tantos outros elementos
mais que facilitem o desenvolvimento do aluno. Não
é passando a mão na cabecinha de aluno,
facilitando sua aprovação, que se está
ajudando o aluno, mais até, construindo bons
profissionais! E aqui surge a interface entre o professor
e o educador. Só sabe quem vive, é como
diz saudoso Gonzaguinha em uma de suas músicas:
“...vai viver pra aprender, vai tratar de viver...”.
Mas não pensem que a vida do professor é
feita somente de maus alunos, daqueles que fazem fofocas
para tirar o professor que “aperta” muito;
inventam coisas, até sérias em alguns
casos, buscando difamar os professores; falam bem
na presença e metem o malho na ausência;
lideram os “abaixo asssinados” sempre
para tirar esses ou aqueles professores, nunca para
melhorar o curso. Esses apenas mostram a verdadeira
personalidade que possuem, pois que se fazem com os
professores, não farão com os colegas,
até porque os professores de hoje serão
os colegas de amanhã!? Mas é certo que
tem professor chato mesmo, implicante, que “pega
no pé” por pouca coisa, tem professor
que precisa se reciclar, evoluir, pois a melhoria
contínua deve ser meta de todos. É lógico
que se fôssemos perfeitos não estaríamos
habitando esse planeta, não é verdade?
Por outro lado, tem aluno bom, muito bom, daqueles
que você leva para trabalhar contigo quando
tem oportunidade, indica para outros colegas e, é
claro que nunca conseguimos atender a todos, mas sempre
procuraremos ajudar. Conheço duplas maravilhosas,
que se formaram ainda em sala de aula, professores
e alunos que ficaram amigos realmente, outros(as)
que até se casaram com alunas(os), parcerias
que se fizeram no mestrado, no doutorado, no pós-doutorado
e por aí a fora.
Penso, que é preciso entender, muito rapidamente,
que essa oportunidade, de relacionamento entre professor
e aluno, é ímpar no sentido de permitir
a condução dos caminhos de uma profissão,
é a união dos “construtores da
coisa”, é a união de entes que
se necessitam mutuamente, pois mesmo o, dito, autodidata
precisou aprender em algum lugar. Portanto, vejo uma
parceria solene e extremamente gratificante, em alguns
momentos, entretanto, uma relação de
ódio e aversão em outras, mas se somos
humanos não haveríamos de exigir amizade
de todos. Contudo, por mais que não se queira
bem o respeito é soberano, está acima
de tudo e só terá efetividade se estiver
presente nos dois sentidos, naturalmente, pois do
contrário vira guerra e na guerra todos perdem
tudo, sempre.
Continuem mandando seus recados, críticas,
comentários. Falem conosco, dêem sugestões,
mas lembrem-se: mantenham o bom humor!
“Se
você se contentar com menos do que pode ser,
será infeliz para o resto da vida”.
Abraham Maslow
LUÍS GUILHERME BARBOSA
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