PREVENIR É FUNDAMENTAL.
PODE SER COMPLICADO, ÀS VEZES, MAS TAMBÉM
É MUITO ENGRAÇADO.
A cervicalgia e a lombalgia estão
presentes no dia a dia da população como
a manteiga está presente no dia a dia do pão.
É claro que há momentos em que temos que
comer o fami-gerado “pão com epa”.É
naquela fase quando ainda somos mortadelas, batalhando
para virar presunto. É issoaí! Cervicalgia
e lombalgia já não tem mais graça,
toda hora aparece nocon-sultó-rio!Mas alto lá
! Vamos com calma, pois isso tudo é muito dolorido
ein-comodativo,interferindo sobremaneira nas atividades
de vida diária e de relação do
paciente e, assim sendo, por mais acostumados que estejamos,
é preciso, dar valor a dor do paciente. Então,
prevencionistas de carteirinha, buscamos melhor conhecer
as causas desses males para, dentro da mais pura visão
preventiva, buscar a etiologia da “coisa”.
Dentro de um universo absurdamente grande de causas,
vale ressaltar o aspecto comportamental, que tem sido
um dos responsáveis pelo “atrapalhamentarismo”
na obtenção de bons resultados. Fica muito
fácil identificar alguns desses elementos comportamentais
quando olhamos esse ser todo especial, a mulher!
Muito já se falou da mulher e, não nos
cabe aqui outra análise sócio-político-econômico-étnico-cultural,
sendo o nosso enfoque voltado apenas para o lado etiológico
com fundo terapêutico. Primeiramente, se fizermos
uma análise qualitativa da mulher, veremos que
ela é muito melhor que o homem. Toda essa conversa
bem paga (não é fiada) de que o homem
não passa de um rascunho que Deus fez antes de
conceber a mulher, é verdade! Quero ver o, espada
sarado que vai me desmentir! A mulher é o ser
mais perfeito que “Papai do Céu”
criou ! Entretanto, se esta tivesse sido criada perfeita,
considerando que a perfeição é
um atributo da Divindade, seria ela o próprio
Deus. Assim sendo, ela recebeu três defeitos,
apenas três, não mais que três, eu
garanto. O primeiro defeito da mulher reside no fato
de que esta criatura nasce com uma imensurável
tendência a se transformar em SOGRA. O segundo
defeito está no fato de que todas elas nascem
com uma lesão espino-cerebelar, que interfere
por demais na coordenação motora, transformando-se
no grande responsável por essa inegável
falta de habilidade ao volante; O terceiro, o que mais
nos interessa no contexto do nosso assunto, está
na vaidade extrema e ilimitada da qual a mulher é
acometida.
A vaidade, em nossa abordagem, é uma “faca
para dois legumes”. A vaidade faz sofrer, traz
a instabilidade, o medo e, por fim a dor. Boiô
? Num tá entendendo nada ? “GO ON”!
Estabeleçamos uma relação entre
a vaidade, a vestimenta e a lombalgia! Xi!, parece até
uma das minhas questões de prova e, para o pessoal
que não sabia viajar na fototerapia ou na biofísica,
aproveita a carona e viaje na biomecânica. A mulher,
ao sair de férias, como todo ser inteligente
que se preza engorda um pouco, desculpa, um pouquinho
só, isto é, dá um leve salto do
manequim 38 para o 42. Porém, não admite,
que mulher tem dessas coisas: - NÃO ADMITO! –
e aí, já tá na hora de sair e aquela
calça jeans, desobedientemente, não se
sabe o porquê, cisma, teima em não entrar.
UFA! Que sacrifício para ficar linda e maravilhosa.
São diversas as técnicas empregadas nesse
caso particular, temos tido notícias das mais
variadas: umas usam um talquinho para facilitar o deslizamento
da calça nas pernas; outras, deitam-se na cama
e pedem o apoio do marido para, literalmente, darem
um “empurrãozinho”; há aquelas
que pedem as crianças para irem afastando o tecido,
como se fosse uma grande brincadeira. Contudo, a problemática
eclode no fechamento do botão e, de todas as
histórias que tenho ouvido, que não são
poucas, a mais interessante veio justamente de uma fisioterapeuta.
A referida colega contou que num desses momentos de
dificuldade suprema, ela, especializada em Fisioterapia
Respiratória, discípula ferrenha do Prof.
Azeredo, teve uma brilhante idéia e criou a Técnica
do Fechamento da Calça pelo Processo da Hiperventilação
Pulmonar combinada com a Adução de Escápulo-umeral.
Esta técnica inicia-se com a percepção
da solidão que se instala, devido à distância,
na casa e no botão da calça. É
uma distância enorme e, o botão, desesperado,
grita para a casa, que o admira de longe: - vem, venha
cá, chega pertinho! E a casa responde, de lá:
- vem cá você, a distância é
a mesma! Então, aplicando-se a técnica
da referida colega, teremos:
Em posição ortostática, segura-se
com firmeza, muita firmeza, as regiões imediatamente
posteriores ao botão e a casa da calça.
Concentre-se e inicie o aumento gradativo da freqüência
respiratória, usando apenas a musculatura acessória.
Ao sentir que o botão e a casa se aproximaram,
faça uma adução vigorosa de escápulo-umeral
e introduza, por fim, o botão na casa. O fechamento
do zíper, na etapa seguinte, após a recuperação
da freqüência respiratória normal,
deve ser obtido com movimentos de oscilação
latero-lateral, mais conhecidos como rebolado, os quais
facilitam a operação. Por fim, “põe
a mão no joelho, dá uma abaixadinha, agora
mexe gostoso balançando a bundinha”, tudo
para alargar a bendita calça.
Agora, terminada a missão, é rezar para
que a micção não seja estimulada.
Pois é, passa-se o dia todo com essa calça
apertada, faz-se o maior sucesso no meio da rapaziada,
entretanto, no final do dia vem para meu consultório:
- doutor, estou com uma dor danada! O resultado é
a lombalgia, pois não há quem agüente
aquele aperto todo na cintura, comprimindo a musculatura
paravertebral. Mas há que se perdoar quando se
trata da mulher, esse ser maravilhoso, sensível,
inteligente e, eminentemente carinhoso, muitas vezes
incompreendido, como no caso das louras, entretanto,
sempre desejado.
Quem não se identificou nas situações
descritas ? É o dia a dia do atendimento, toda
hora aparece um novo “causo”. Bem, avançando
nosso bate-papo, vamos continuar falando das princesas,
rainhas, bruxas etc. Por falar em bruxas, so-gras e
demais azares da vida, aqui vai uma simpatia para espantar
os “maus espíritos”, aqueles que
mantêm seu consultório vazio, sua conta
bancária magricela, seu cachorro sempre precisando
do veterinário, ou aquelas que sempre aparecem
para jantar naquele finalzinho de noite quando ia rolar
um clima e “otras cositas mas”.
Primeiro compre uma galinha preta, depene a danadinha,
cozinhe em panela de barro com bastante pimenta, muito
alho, gengibre e cebola. Deixe queimar, (isso mesmo!),
queimar.... até grudar no fundo e adicione mais
pimenta. Retire tudo com muito cuidado, monte tudo numa
bandeja e convide sua sogra para almoçar, mas
diga que devido a sua dieta de emagrecimento, você
comerá apenas folhas. Aproveite o resultado,
que será muito engraçado, mas se não
trouxer mais sorte, mais dinheiro etc., pelo menos fará
com que a danada não te visite por uns dois meses.
Não seria uma felicidade ?!
Mas vamos ao que realmente interessa, voltemos às
princesas, aquelas que usam aqueles sapatinhos com saltos
finíssimos e muito, mas muito altos, e pensemos
no trabalho muscular necessário para não
ocorrer o entorse de tornozelo. Ah, não seja
chato, implicante, velhaco ! E a beleza ?! Não
é lindo, aquele mulherão todo, lá
em cima, com aqueles “coxovus suculentus”,
“mamárious empinadus”, e, “cinturus
afiladus”, equilibrando-se naquela pequena pontinha?!
É “show”, como dizem os mineiros
– é dezsss! Entretanto, se partirmos da
premissa que o apoio do calcâneo como primeiro
aspecto do desenvolvimento da marcha, entenderemos aquele
rebolado fabuloso, visto que existirá uma tendência,
à compensação na articulação
coxo-femural, com o objetivo de manter o centro de gravidade
estável. Unindo-se esse elemento ao fato de que
o salto alto avança o centro gravitacional, em
relação ao oco pélvico, produzindo
uma hiperlordose compensatória, maravilhosa em
alguns casos. Juntemos tudo, então, teremos como
resultado final uma maravilhosa lombalgia de fim-de-festa
associada com uma forte dor na região do ante-pé.
Aí, você pensa que acabou? Que nada! A
mulher, esse ser maravilhoso criado por Papai do Céu,
não tem por hábito deixar nada barato
e lança aquele vestido colado no corpo, apertado
mesmo, tão apertado que se prestarmos atenção
(quando nossas mulheres não são ciumentas
e/ou quando os dinossauros –namorados- estão
distraídos) será possível contar
os poros da pele. Lindo, tudo lindo demais, maravilhoso
até, porém esses verdadeiros bólidos
de sensualidade precisam deslocar-se e, agora, dão
vida a mais um complicador. Se pensarmos na adução
de coxo-femural provocada pelos vestidos ou saias justas,
poderemos comparar sua marcha quase que a marcha em
tesoura, marcada por um esforço enorme para manter
o alinhamento na caminhada sem o bate-bate dos joelhos.
Agora, aplique seus conhecimentos de Fisioterapia Preventiva
nesse caso, Mandraque!
MAS QUE FICA LINDO, AH ISSO FICA !
Be Happy !
PS.: Se disserem que tenho alguma coisa
contra sogras, eu digo que é mentira, pois na
verdade eu não tenho “alguma coisa contra”,
eu “tenho tudo contra”. Como diz um poeta
popular: - a melhor sogra do mundo é a da minha
mulher! Ou ainda, sogra boa chega muda, sai calada,
come pouco, nunca dá palpite e, no final do ano,
sempre faz bolinho de bacalhau para você!
Fale conosco, dê suas sugestões, lembre-se:
é só uma coluna despretensiosa numa excelente
revista e muito bem intencionada !
LUÍS GUILHERME BARBOSA
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