Coluna do Prof. Luis Guilherme
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PREVENIR É FUNDAMENTAL. PODE SER COMPLICADO, ÀS VEZES, MAS TAMBÉM É MUITO ENGRAÇADO.

A cervicalgia e a lombalgia estão presentes no dia a dia da população como a manteiga está presente no dia a dia do pão. É claro que há momentos em que temos que comer o fami-gerado “pão com epa”.É naquela fase quando ainda somos mortadelas, batalhando para virar presunto. É issoaí! Cervicalgia e lombalgia já não tem mais graça, toda hora aparece nocon-sultó-rio!Mas alto lá ! Vamos com calma, pois isso tudo é muito dolorido ein-comodativo,interferindo sobremaneira nas atividades de vida diária e de relação do paciente e, assim sendo, por mais acostumados que estejamos, é preciso, dar valor a dor do paciente. Então, prevencionistas de carteirinha, buscamos melhor conhecer as causas desses males para, dentro da mais pura visão preventiva, buscar a etiologia da “coisa”. Dentro de um universo absurdamente grande de causas, vale ressaltar o aspecto comportamental, que tem sido um dos responsáveis pelo “atrapalhamentarismo” na obtenção de bons resultados. Fica muito fácil identificar alguns desses elementos comportamentais quando olhamos esse ser todo especial, a mulher!
Muito já se falou da mulher e, não nos cabe aqui outra análise sócio-político-econômico-étnico-cultural, sendo o nosso enfoque voltado apenas para o lado etiológico com fundo terapêutico. Primeiramente, se fizermos uma análise qualitativa da mulher, veremos que ela é muito melhor que o homem. Toda essa conversa bem paga (não é fiada) de que o homem não passa de um rascunho que Deus fez antes de conceber a mulher, é verdade! Quero ver o, espada sarado que vai me desmentir! A mulher é o ser mais perfeito que “Papai do Céu” criou ! Entretanto, se esta tivesse sido criada perfeita, considerando que a perfeição é um atributo da Divindade, seria ela o próprio Deus. Assim sendo, ela recebeu três defeitos, apenas três, não mais que três, eu garanto. O primeiro defeito da mulher reside no fato de que esta criatura nasce com uma imensurável tendência a se transformar em SOGRA. O segundo defeito está no fato de que todas elas nascem com uma lesão espino-cerebelar, que interfere por demais na coordenação motora, transformando-se no grande responsável por essa inegável falta de habilidade ao volante; O terceiro, o que mais nos interessa no contexto do nosso assunto, está na vaidade extrema e ilimitada da qual a mulher é acometida.
A vaidade, em nossa abordagem, é uma “faca para dois legumes”. A vaidade faz sofrer, traz a instabilidade, o medo e, por fim a dor. Boiô ? Num tá entendendo nada ? “GO ON”! Estabeleçamos uma relação entre a vaidade, a vestimenta e a lombalgia! Xi!, parece até uma das minhas questões de prova e, para o pessoal que não sabia viajar na fototerapia ou na biofísica, aproveita a carona e viaje na biomecânica. A mulher, ao sair de férias, como todo ser inteligente que se preza engorda um pouco, desculpa, um pouquinho só, isto é, dá um leve salto do manequim 38 para o 42. Porém, não admite, que mulher tem dessas coisas: - NÃO ADMITO! – e aí, já tá na hora de sair e aquela calça jeans, desobedientemente, não se sabe o porquê, cisma, teima em não entrar. UFA! Que sacrifício para ficar linda e maravilhosa. São diversas as técnicas empregadas nesse caso particular, temos tido notícias das mais variadas: umas usam um talquinho para facilitar o deslizamento da calça nas pernas; outras, deitam-se na cama e pedem o apoio do marido para, literalmente, darem um “empurrãozinho”; há aquelas que pedem as crianças para irem afastando o tecido, como se fosse uma grande brincadeira. Contudo, a problemática eclode no fechamento do botão e, de todas as histórias que tenho ouvido, que não são poucas, a mais interessante veio justamente de uma fisioterapeuta. A referida colega contou que num desses momentos de dificuldade suprema, ela, especializada em Fisioterapia Respiratória, discípula ferrenha do Prof. Azeredo, teve uma brilhante idéia e criou a Técnica do Fechamento da Calça pelo Processo da Hiperventilação Pulmonar combinada com a Adução de Escápulo-umeral. Esta técnica inicia-se com a percepção da solidão que se instala, devido à distância, na casa e no botão da calça. É uma distância enorme e, o botão, desesperado, grita para a casa, que o admira de longe: - vem, venha cá, chega pertinho! E a casa responde, de lá: - vem cá você, a distância é a mesma! Então, aplicando-se a técnica da referida colega, teremos:
Em posição ortostática, segura-se com firmeza, muita firmeza, as regiões imediatamente posteriores ao botão e a casa da calça. Concentre-se e inicie o aumento gradativo da freqüência respiratória, usando apenas a musculatura acessória. Ao sentir que o botão e a casa se aproximaram, faça uma adução vigorosa de escápulo-umeral e introduza, por fim, o botão na casa. O fechamento do zíper, na etapa seguinte, após a recuperação da freqüência respiratória normal, deve ser obtido com movimentos de oscilação latero-lateral, mais conhecidos como rebolado, os quais facilitam a operação. Por fim, “põe a mão no joelho, dá uma abaixadinha, agora mexe gostoso balançando a bundinha”, tudo para alargar a bendita calça.
Agora, terminada a missão, é rezar para que a micção não seja estimulada. Pois é, passa-se o dia todo com essa calça apertada, faz-se o maior sucesso no meio da rapaziada, entretanto, no final do dia vem para meu consultório: - doutor, estou com uma dor danada! O resultado é a lombalgia, pois não há quem agüente aquele aperto todo na cintura, comprimindo a musculatura paravertebral. Mas há que se perdoar quando se trata da mulher, esse ser maravilhoso, sensível, inteligente e, eminentemente carinhoso, muitas vezes incompreendido, como no caso das louras, entretanto, sempre desejado.
Quem não se identificou nas situações descritas ? É o dia a dia do atendimento, toda hora aparece um novo “causo”. Bem, avançando nosso bate-papo, vamos continuar falando das princesas, rainhas, bruxas etc. Por falar em bruxas, so-gras e demais azares da vida, aqui vai uma simpatia para espantar os “maus espíritos”, aqueles que mantêm seu consultório vazio, sua conta bancária magricela, seu cachorro sempre precisando do veterinário, ou aquelas que sempre aparecem para jantar naquele finalzinho de noite quando ia rolar um clima e “otras cositas mas”.
Primeiro compre uma galinha preta, depene a danadinha, cozinhe em panela de barro com bastante pimenta, muito alho, gengibre e cebola. Deixe queimar, (isso mesmo!), queimar.... até grudar no fundo e adicione mais pimenta. Retire tudo com muito cuidado, monte tudo numa bandeja e convide sua sogra para almoçar, mas diga que devido a sua dieta de emagrecimento, você comerá apenas folhas. Aproveite o resultado, que será muito engraçado, mas se não trouxer mais sorte, mais dinheiro etc., pelo menos fará com que a danada não te visite por uns dois meses. Não seria uma felicidade ?!
Mas vamos ao que realmente interessa, voltemos às princesas, aquelas que usam aqueles sapatinhos com saltos finíssimos e muito, mas muito altos, e pensemos no trabalho muscular necessário para não ocorrer o entorse de tornozelo. Ah, não seja chato, implicante, velhaco ! E a beleza ?! Não é lindo, aquele mulherão todo, lá em cima, com aqueles “coxovus suculentus”, “mamárious empinadus”, e, “cinturus afiladus”, equilibrando-se naquela pequena pontinha?! É “show”, como dizem os mineiros – é dezsss! Entretanto, se partirmos da premissa que o apoio do calcâneo como primeiro aspecto do desenvolvimento da marcha, entenderemos aquele rebolado fabuloso, visto que existirá uma tendência, à compensação na articulação coxo-femural, com o objetivo de manter o centro de gravidade estável. Unindo-se esse elemento ao fato de que o salto alto avança o centro gravitacional, em relação ao oco pélvico, produzindo uma hiperlordose compensatória, maravilhosa em alguns casos. Juntemos tudo, então, teremos como resultado final uma maravilhosa lombalgia de fim-de-festa associada com uma forte dor na região do ante-pé.
Aí, você pensa que acabou? Que nada! A mulher, esse ser maravilhoso criado por Papai do Céu, não tem por hábito deixar nada barato e lança aquele vestido colado no corpo, apertado mesmo, tão apertado que se prestarmos atenção (quando nossas mulheres não são ciumentas e/ou quando os dinossauros –namorados- estão distraídos) será possível contar os poros da pele. Lindo, tudo lindo demais, maravilhoso até, porém esses verdadeiros bólidos de sensualidade precisam deslocar-se e, agora, dão vida a mais um complicador. Se pensarmos na adução de coxo-femural provocada pelos vestidos ou saias justas, poderemos comparar sua marcha quase que a marcha em tesoura, marcada por um esforço enorme para manter o alinhamento na caminhada sem o bate-bate dos joelhos.
Agora, aplique seus conhecimentos de Fisioterapia Preventiva nesse caso, Mandraque!

MAS QUE FICA LINDO, AH ISSO FICA ! Be Happy !

PS.: Se disserem que tenho alguma coisa contra sogras, eu digo que é mentira, pois na verdade eu não tenho “alguma coisa contra”, eu “tenho tudo contra”. Como diz um poeta popular: - a melhor sogra do mundo é a da minha mulher! Ou ainda, sogra boa chega muda, sai calada, come pouco, nunca dá palpite e, no final do ano, sempre faz bolinho de bacalhau para você!

Fale conosco, dê suas sugestões, lembre-se: é só uma coluna despretensiosa numa excelente revista e muito bem intencionada !

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006