Coluna do Prof. Luis Guilherme
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O LIVRO
ESTE PARCEIRO NOSSO DE CADA DIA O QUE VOCÊ TEM FEITO DELE?

Veio o computador e muita gente pensou que os livros acabariam, agora com
o "chat" estão dizendo que o bom papo esta com seus dias contados. Ora, ora, nada substitui um bom bate-papo, aquele com direito a piadinha de sogra, olho no olho, muito riso e tudo o mais. O mesmo acontece com o livro, não vai acabar tão cedo, pois é um momento íntimo, individual. O livro é o grande amigo do aluno e, como eu sou um eterno aluno, vivo com livros na cabeça. Não pessoal, não se trata de uma mudança radical de profissão, ou seja, estaria eu treinando a postura para desfilar nas passarelas da moda no melhor estilo inglês, ou seria francês, não sei!
Acontece que no estagio em que nos encontramos, ler já deixou de ser modo
de sobreviver, mas maneira de ser. A necessidade de atualização é imensa, o volume de informações é grande demais e a volúpia de assimilar é maior ainda, que para atender essa demanda só mesmo o Johny memtnico, lembram do filme, para nos salvar. Como nos últimos dez anos a ciência tem sido feita, cada vez mais, por profissionais vivos, acessíveis, até pela facilidade que a globalização nos trouxe, estamos usando muito os artigos das revistas indexadas para nossa atualização. Mas e o livro, esquece-lo é impossível, abandona-lo incompatível, ignora-lo é incoercível. Aquele companheiro da mesa de cabeceira, das longas viagens de ônibus, de muitas axilas e externos, ou mesmo (divisor de águas) no namoro do sofá. Quem não leu Fernão Capelo Gaivota e o Pequeno Príncipe e tantos outros mais? A leitura nos remete à reflexão, estimula nossa imaginação, nossa capacidade de sonhar, estimula nosso raciocínio lógico e abstrato. O raciocínio lógico é a base para a compreensão do método científico. Quem lê pensa, quem pensa compreende, quem compreende critica, quem critica acrescenta, quem acrescenta alimenta o crescimento e crescer é a única maneira de manter-se vivo. Ler é quase tão bom quanto escrever, o que só não é melhor que cantar. Cantar é (bom demais da conta sô), diriam nossos amigos mineiros, mas não se preocupem que não cantarei aqui, a sorte de vocês é que essa coluna não é em multimídia, senão!

Muito bom professor, o papo esta muito bom, mas o que estarão lendo nossos alunos? Palyboy, Placar, Claudia, Caras, VIP, etc.? Ora, não sejamos
chatos, ha tempo para todas as leituras e, inclusive, estimulamos a diversificação, qualificada, da leitura como um descanso. Transportadores de livro à parte, aqueles da cultura axilar, esternal, ou escapulo-umeral (na bolsa), ou ainda aqueles que usam o livro como apoio psicológico, banquinho para sentar ou subir, halter para exercitar, ou seja lá para o que for, tem muita gente lendo muito. É claro que não se comparam a um aluno que tive, eu o denominei de rato de biblioteca, pois o indivíduo era um caçador. Eu citava o autor em sala e, na aula seguinte, ele já trazia a cópia do capítulo e uma porção de dúvidas para discussão. Encontrei-o tem pouco tempo, esta coordenando um grupo e fazendo pós-graduação e, sem dúvida, muito breve vocês ouvirão falar dele, pois além de excelente fisioterapeuta é um poeta de extrema sensibilidade. Para dar uma dica, este rapaz escreveu um poema sobre a cor azul, que me fez repensar sobre o arco-íris e descobri que, apesar de que como todo ariano estou muito ligado ao vermelho, mas também gosto muito do amarelo.

O pessoal quer fazer prova estudando só pelo caderno! Para a prova pode ser suficiente, mas o que se precisa saber é muito maior. É aquela velha preocupação com a prova, com a nota em detrimento da aquisição real de conhecimento. Toda Época de prova é a mesma coisa: - profi, da pra estudar só pelo caderno? Ou ainda: - professor, bem que o senhor poderia fazer um questionário para a prova! Gente, ler é gostoso, estudar é melhor ainda e aprender, então, é “show”! É claro, como se diz por aí, (toda hora tem sua vez, na hora em que a vez chegar), pois tem um pessoal por aí, querendo tirar onda nas festinhas ou no barzinho, saem despejando nomes de autores e títulos. Ora, ora, dê-me paciência! A rapaziada vaza, a namorada vira “ex” e o nosso pseudo intelectual conclui, cientificamente, que o saber gera solidão. Mas como diz Osvaldo Montenegro: (o chato não tem defeito grave, é preciso perdoar o chato). Mas tudo a seu tempo. Não ler nada é um problema, entretanto ler sobre um assunto só não é tão bom assim. É muito comum encontrarmos esses nos acadêmicos de Fisioterapia. Em algumas situações conseguimos identificar o período que o aluno esta, em função do livro que vai embaixo do braço, pois vejamos: no 1º período é o Sobota, no 2º é Brunnstrom , no 3º é o Kisner e por aí vai. Ora, nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Ler sobre Psicologia é estimulante, sobre Filosofia é viajante, sobre Administração é para por os pés no chão, sobre Ficção ajuda a tirar os pés do chão, mas se você não conseguir sair lendo isso tudo por aí, eu perdôo, mas leia algo para descansar a cabeça. Leia sempre, leia tudo, sobre tudo, livro fino, livro grosso, o prefacio, a orelha, os rodapés. Alguém disse que: (se a luz é a soma dos raios que a compõem, a fartura começa no grão). Pois é, o saber é cumulativo, tudo que você aprende fica registrado e ninguém pode tirar. E falando em ler, senti saudades de um amigo, pois ouvi dizer que ele gostou muito da matéria sobre os acadêmicos. O Dr. Vital, aquele da SOFITOERJ, que teve de ler muito no mestrado e, agora, além de ler, vai ter de publicar no doutorado. Sorria parceiro, estamos todos no mesmo barco. O
caro professor pediu-me para completar aquela relação dos acadêmicos, que
fiz em um de meus artigos. Sua sugestão foi para falar sobre dois outros tipos de acadêmicos, então:

O MILITAR o acadêmico militar esta sempre com seu uniforme branco limpo, unhas limpas e cabelos bem cortados. São metódicos, nunca se atrasam e parados, sempre adotam a posição de descanso. Normalmente sérios e formais, usam termos como: “Ok, positivo, afirmativo e operante”. São de relacionamento fácil. Adoram aquele ditado: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Seja firme, formal, elogie com dois tapinhas nas costas e sem muito floreio, mas procure encurtar a distância e os resultados
melhorarão.

O FUNCIONÁRIO PÚBLICO este chega sempre na hora seguinte a dos outros. Não pode ver uma cadeira que pendura o casaco. Consegue passar a manhã toda com uma ficha na mão, gesticulando, sem atender ninguém. Luta para que estagiário tenha licença prêmio, estabilidade e essas coisas. Não se assuste, trabalhe com ele por metas e tenha paciência, pois torcer-lhe o pescoço não é a medida mais acertada. Esteja sempre presente e dê-lhe “umas sacudidelas”, para pegar no tranco, que a coisa vai.

Continuem mandando seus recados, críticas e comentários. Falem
conosco, dêem sugestões, mas lembrem-se: mantenham o bom humor!


O mundo é dos otimistas. Os pessimistas não passam de espectadores
Frangois Guizot

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006