Coluna do Prof. Luis Guilherme
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MONOGRAFIA - COMPRAR PORQUE?
SE TENHO CAPACIDADE DE FAZER!


“Gente do Céu” a coisa ta realmente feia! Trabalhar é preciso, mas isso tende ao absurdo. Um mercado que se fortaleceu muito nesses últimos anos, PASMEM, foi o mercado da VENDA DE MONOGRAFIAS. Ou seja, venda de idéia, raciocínio, venda do pensar, venda do querer saber. Os caras oferecem de tudo, da monografia de graduação à tese de doutorado. É uma vergonha, no meu pensar. O objetivo do trabalho de conclusão de curso é de “forçar” o aluno a demonstrar, de modo consolidado, o resultado de seu aprendizado ao longo do curso. Naturalmente, cabem discussões acerca do real alcance desse objetivo, ou mesmo se apenas um trabalho final possa ser capaz de cumprir esse papel, mas essa é uma outra discussão.
A que se pensar que um mercado é composto de clientes, fornecedores e demanda. Ora, se eles vendem é porque alguém compra! Nós que trabalhamos com ciência, fazemos orientação de alunos de todos os níveis, ficamos surpresos/tristes/decepcionados com as dificuldades apresentadas por alunos que consomem esse tipo de produto. É ser muito lesado! Como um profissional de nível superior não consegue elaborar um trabalho de conclusão de curso, que cá pra nós (dissertações e teses à parte), não tem esse mistério todo. Na nossa área, imagino se esses indivíduos terão condições mínimas de atenderem um paciente. Pedirão alguém para fazê-lo? Será um novo produto a ser lançado – ATENDIMENTO TERCERIZADO POR INCAPACIDADE INTELECTUAL. Perguntei essas coisas pelas Universidades em que trabalho e a fuga é sempre a mesma: É POR FALTA DE TEMPO! Desculpas esfarrapadas deixadas de fora, concluímos que o individuo não tem tempo para pensar!? Loucura, loucura, diria o Luciano Huck, é muito doido mesmo! O indivíduo quer ser um profissional, cuidar da saúde das pessoas, e tem preguiça de pensar?! Pois saiba, que nada nessa vida pode ser feito sem pensar. Pensar é fundamental em tudo na vida! Inclusive, o TCC tem como um de seus objetivos estimular a criação, a reflexão dos futuros profissionais. Afirmo isso porque tenho presenciado diversos casos em que os alunos se comprometem internamente com a realização do trabalho e exuberam de prazer ao final da peleja. É muito gratificante ver um aluno que trabalhou, aprendeu e escreveu, defender seu trabalho diante de uma banca, ou mesmo submetendo seu artigo. Tudo é diferente. Os professores orientadores sabem do que estou falando, pois fica claro quem trabalhou e quem copiou. Reclamamos muito que o País está com dificuldades, mas até nas mínimas coisas há uma isenção de responsabilidades que nos levará ao caos. Imaginem se os pais comecem a fazer os exercícios de casa de seus filhos? Só teríamos notas 10 hoje, e no futuro um contingente enorme de pessoas despreparadas para tudo, conseguindo tirar apenas notas ZERO, na profissão e na vida. Como dizia minha segunda filha, Lahna, quando era muito pequena: Pé tensão! Parem de dar sorte ao azar! “O que será o amanhã, o que vai ser o seu destino?” Depois vai dizer que a Cigana te enganou! Vai chorar na cama, que é lugar quente!
Fisioterapeutas do meu Brasil, do mesmo modo que eu digo para não se trocarem por um “DORFLEX”, digo para não comprarem seu PENSAR, pois ele é fundamental para construção da nossa identidade. Tudo contribui para a formação do profissional, cada fase deve ser tratada de modo peculiar. NÃO SE DEPRECIE!!! Quem compra, paga atestado de incapacidade.

Continuem mandando seus recados, críticas, comentários e sugestões. Falem conosco, dêem sugestões, mas lembrem-se: mantenham o bom humor!

“Se o melhor é possível, o bom já não é o suficiente”.
Autor desconhecido

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006