| DEU BRANCO
Nós, profissionais da área
de saúde, regularmente usamos o branco, mas geralmente
como um simples uniforme, sem, muita vezes, perceber
seu significado mais profundo. O branco deve ser usado
com muito respeito e responsabilidade, pois é
assim que as pessoas encaram alguém vestido de
branco. Estar de branco não significa ser da
área de saúde, muito menos ser “doutor”,
mas pode, em alguns, casos revelar um grande ator. Se
fizermos um passeio por um shopping, preferencialmente
próximo de uma Universidade com cursos da área
de saúde, encontraremos algumas “figuras”.
É comum encontrarmos estudantes, principalmente
dos primeiros períodos, independentemente do
sexo, “tirando onda de branco”. Em geral,
os mesmos que carregam aqueles pesados livros debaixo
do braço, e que podemos vulgarmente chamar de
“cultura axilar”, apresentam os músculos
elevadores das sobrancelhas em contração
estática máxima, como se isso empinasse
o nariz, mantêm aquele “sorriso de boca
fechada” e cumprimentam a todos com a cabeça.
Não o fazem por mal, na maioria das vezes, mas
é importante diferençar a alegria e o
prazer de estar de branco, com a soberba e o poder.
Usar o branco é motivo de orgulho e contentamento,
mas é preciso ter sempre em mente que o que vale
não é estar de branco, mas estar devidamente
capacitado para usar o branco. Entretanto, os(as) alunos(as)
não precisam ser crucificados(as) por essa atitude,
até porque esse hábito começa no
seio da família. É comum identificarmos
no orgulho dos pais o estímulo-motivação
do estudante quanto ao uso do branco. É freqüente
aquela imagem do(a) filho(a) indo, todo(a) de branco,
para a Universidade, e a mãe, olhos rasos d’água,
parada no portão, comenta com a vizinha, suspirando:
“ - não é lindo(a), todo(a) de branquinho?
Fico até arrepiada só de ver!” E
a vovó - para quem não sabe a definição
de vovó, aqui vai: vovó é o único
ser na face da Terra capaz de ser melhor que mamãe
- e é exatamente ela quem nos presenteia com
aquele jogo de canetas de todas as cores: azul, lilás,
amarela, preta, branca, verde, e tantas outras mais.
Porém, não devemos ver essas atitudes
com maus olhos, pois representam a alegria de ver seu
herdeiro(a) no bom caminho. Trata-se de alguém
que compartilha, a seu modo, nossa vitória. Mesmo
porque, se considerarmos as grandes dificuldades em
nosso pais, concordaremos que pertencemos a uma elite.
Mas o branco pelo branco não diz nada, então
existem acadêmicos e profissionais melhor posicionados
financeiramente, que só se vestem de linho branco.
Mas, se prestarmos bastante atenção, fica
muito bonito aquela camisa de linho branco, calça
de linho branco, meias de linho branco, roupas íntimas
de linho branco, cinto e sapatos brancos de “couro
de jacaré albino”, brincos brancos, batom
branco, pager e celular brancos etc. Contudo, o que
vale mesmo é o ser humano, que está sendo
vestido por aquele branco. Cabe ressaltar que conhecemos
diversos colegas que só se vestem assim, ficam
lindos(as), mas possuem notório saber e merecem
todo o respeito.E o branco ainda traz algumas vantagens,
pois é comum numa “blitz” o policial
vê-lo(a) de branco e liberá-lo(a), até
num gesto de gentileza para com alguém que indica
pertencer a uma das áreas profissionais mais
bem conceituadas da sociedade - a área da saúde,
não desfazendo das outras áreas. Ou mesmo
quando se tem um parente internado num hospital, e vem
aquela tia e pede para “dar uma olhadinha”,
porque ninguém pode visitar e, então,
você coloca seu uniforme branco, chega no hospital
e, como se fosse da casa, vai lá dar a tal “olhadinha”,
conversa com pessoal do plantão, tranqüiliza
os familiares e transforma-se no(a) mais novo(a) herói(ína)
da família ao atender seus anseios. Mas na vida
nem tudo é só vantagem, nessa minha vida
de Docente, devido a minha grande proximidade com os
alunos, procuro conversar sempre com eles e com meus
acadêmicos, e tenho ouvido alguns “causos”
contados pelo pessoal. Um desses “causos”,
me foi revelado por uma aluna: estava se dirigindo para
a casa de seus pais, fora do Rio de Janeiro, viajando
imediatamente após o término da aula,
portanto ainda estava toda de branco. No meio da viagem,
houve um acidente de trânsito e a estrada ficou
interditada. Como demorava muito, todos saíram
do ônibus e ficaram na estrada e, então,
para surpresa dela, um guarda rodoviário aproximou-se
e disse - “Doutora, precisamos da sua ajuda, pois
temos muitas pessoas feridas, inclusive com suspeitas
de hemorragia interna. Venha comigo.” E ela, que
nem curso de primeiros socorros tinha, até explicar
que “focinho de porco não é tomada”,
muita água rolou e alguém deve ter ficado
com a idéia de que houve má vontade ou
até mesmo negligência. O outro “causo”
foi de um aluno que passeava, todo feliz, por um shopping
center, desses da vida,e, em determinado momento, viu
uma pequena aglomeração. Curiosamente,
aproximou-se para ver o ocorrido. As pessoas viram-no
de branco e abriram caminho. Ele, inocente-mente, parou
em frente a uma senhora que estava desmaiada, caída
no chão, e ficou olhando o quadro, quando, então,
ouviu uma voz muito grave vindo do fundo - “e
aí doutorzinho, veio só para ficar olhando
ou vai tomar uma providência ?”. Fez de
conta que não era com ele, pois nada sabia de
primeiros socorros, mas um senhor que estava ao seu
lado, pegou seu braço e gritou: - “Isso
é omissão de socorro!”. Foi quando,
numa daquelas intuições salvadoras, também
denominadas “insites”, ele disse, retirando
o braço da mão do homem - “O que
é isso, meu amigo? Eu trabalho numa ótica
aqui perto!”.UFA! Todas essas coisa ocorreram
porque o branco não é para “tirar
onda”, pois nele esta embutida uma grande respon-sabilidade.
Não somos opositores ao uso do branco, muito
menos à sua exigência no cursos universitários,
porque essas exigências buscam, justamente, dar
ao aluno um senso maior de responsabilidade. Deve, portanto,
ficar bem claro que o branco é muito bonito,
é motivo de orgulho para todos, pode significar
um “status” maior, mas deve ser usado com
consciência e capacitação, deixando
de lado a vaidade. Por falar nisso, você já
fez um Curso de primeiros socorros?
CABE DIZER QUE: SE VOCÊ GOSTOU, NOSSO MUITO OBRIGADO
PELA FORÇA E PELO CARINHO, É BOM TER E
RECEBER ESSE INCENTIVO; SE VOCÊ NÃO GOSTOU,
NOSSO MUITO OBRIGADO TAMBÉM, POIS É DEVER
DE TODOS MANTER VIVO O DIREITO
DE PODERDISCORDAR;
SE VOCÊ SENTIU-SE HUMILHADO (A) E/OU DESRESPEITADO(A)
EM ALGUM MOMENTO, NOSSO PEDI-DO FORMAL DE DESCULPAS,
VISTO QUE NENHUMA LETRA DE NOSSAS PALAVRAS TEVE, NEM
TERÁ, ESSA
INTENÇÃO.
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falem conosco,
dêem sugestões, mas lembrem-se: mantenham
o bom humor !
"UMA PALAVRA PODE SER
EFETIVA, MAS NÃO HÁ PALAVRA TÃO
EFETIVA QUANTO UMA PAUSA BEM COLOCADA"
Mark Twain, escritor americano
LUÍS GUILHERME BARBOSA
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