Coluna do Prof. Luis Guilherme
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A PROVA: AMIGA OU INIMIGA?

Todo semestre é a mesma coisa:
“- Professor, qual a minha nota?!” Ou então: “- Mestre, sua prova está muito difícil?!” Ou ainda: “- Querido professor, quando o senhor for fazer a prova, por favor, não fale com sua sogra para não estragar tudo!” “– Professor, quase não dormi essa noite, eu até sonhei com sua prova!” “– E aí fulana, estudou? Será que tá difícil, será que o cascudo vai pegar pesado?”
É a PROVA, essa companheira inseparável de professores e alunos. Tem vezes que o período letivo assemelha-se a uma montanha russa com suas provas, tal como quedas vertiginosas, ou mesmo trabalhos complicados, impossíveis de serem encontrados, que lembram loops fantásticos e, até mesmo, as famigeradas provas orais que deixam os alunos com aquela expressão final de quem acabou de passar pelo liqüidificador.
Temos de reconhecer que a prova não é o instrumento mais completo de avaliação da aprendizagem, logo, é o mais comum, o de mais fácil aplicação e, portanto, o mais utilizado, entretanto muitas Universidades já estão mudando esse procedimento, com grande sucesso. Em dias de provas sofremos todos, professores e alunos (incluindo funcionários da administração), e muitos vêem a prova como uma verdadeira batalha, uma guerra onde o professor é o inimigo e a prova a arma e, pode ser que em alguns casos, a recíproca seja verdadeira. Mas por que “dois lados”, se estamos do mesmo lado?! Não falaremos disso agora, visto ser um assunto que merece tratamento mais completo.
OK! Existem as provas, sua Universidade ainda não pode adotar outros métodos, o sistema impõe sua aplicação, é como diz o ditado: “o que não tem remédio, remediado está”. Aqui vão algumas dicas de um professor, mas eterno aluno nas ciências da cátedra e da vida. Dicas para obter sucesso nas provas:
a) Não deixe para estudar em cima da hora – o nosso sistema de ensino preconiza a chamada “semana de prova” e, parece brincadeira, o pessoal deixa para estudar no dia anterior. O resultado é uma mistura de alhos com bugalhos, eiras sem beiras e a aplicação daqueles recursos maravilhosos do tipo “etc.”; e quando na hora da discussão da prova é sempre o mesmo papo: - puxa mestre, eu tenho certeza que o senhor sabe o que eu queria dizer! Ou ainda escrevem: “conforme está escrito naquele cantinho do caderno ...”.
b) Esqueça a cola “confie mais no seu taco” - como se diz em outro ditado popular: “é faca de dois legumes”, pois o tempo que se perde e o desgaste emocional para usá-la pode acabar com todas as suas chances de tirar uma nota mediana, ou então gerar um ZERO, pois tem professor que não aceita compactuar com a cola.
c) A cabeça deverá estar descansada – tem gente que vai para a prova diretamente da boate, ainda encharcado de cerveja e muito cansado. Tem aluno que dorme durante a prova. Bem, se não roncar e não babar na prova, eu não me incomodo.
d) Prova só se entrega no final! Tem aluno que parece estar com as mãos embrasas. Tenha carinho com ela, afinal de contas você estará contando a ela tudo o que você sabe, ou que não sabe.
e) A prova deve ser limpa e organizada – vira e mexe encontramos provas do tipo labirinto ou quebra-cabeça. São coisas do tipo: “querido professor, vire à esquerda no próximo asterisco, à direita após a última palavra e retorne ao segundo parágrafo. Depois que inventaram o liquid paper, tem aluno(a) achando que a prova é para pintar, ou para colorir com o lume color. Tem umas que ficam até bonitinhas, mas francamente, isso é hora de desenhar?!
f) Escreva apenas o necessário – o efeito “abóboras para que te quero” só serve para testar a paciência do professor, que já está cansado dessas “preciosidades acadêmicas” e tem sempre que aturar aqueles comentários: - “e teacher aí, não vai considerar nada ?!“
g) Procure ser sucinto(a), mas preste atenção para não responder de modo incompleto, pois é muito comum encontrarmos os denominados “apoios táticos teóricos de saída do sufoco”, ou seja: “ e etc.; daí em diante; ...; entre outros mais”. Em síntese, podemos, no máximo, supor que você pensou no restante que estaria faltando, mas que você não escreveu, não escreveu não!
h) Para finalizar, eu sempre digo aos meus alunos: “- CALMA, é só uma prova e nada mais!” Eu já presenciei bons alunos, estudiosos, interessados, que eram prejudicados pelo estado emocional, o que significa um tremendo desperdício. Imagine isso em um concurso, futuramente.
É isso minha gente, difícil, mas não impossível; arraigado, mas não imutável, pois a vida não se resume em algumas respostas certas ou erradas em uma prova. O aluno nota “10” não é, necessariamente, aquele que vai se dar melhor na vida profissional, porém, quem assiste as aulas, estuda e está sempre bem preparado, vai tirar boa nota em qualquer tipo de avaliação e, com certeza, vai se dar bem na vida profissional.

Continuamos recebendo seus recados, críticas, comentários, Falem conosco, dêem sugestões, mas lembrem-se: mantenham o bom humor, pois o mau humor provoca envelhecimento precoce!

“Se tivesse acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando; falei como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria.”
Charles Chaplin

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006