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A PROVA: AMIGA OU INIMIGA?
Todo semestre é a mesma coisa:
“- Professor, qual a minha nota?!” Ou então:
“- Mestre, sua prova está muito difícil?!”
Ou ainda: “- Querido professor, quando o senhor
for fazer a prova, por favor, não fale com sua
sogra para não estragar tudo!” “–
Professor, quase não dormi essa noite, eu até
sonhei com sua prova!” “– E aí
fulana, estudou? Será que tá difícil,
será que o cascudo vai pegar pesado?”
É a PROVA, essa companheira inseparável
de professores e alunos. Tem vezes que o período
letivo assemelha-se a uma montanha russa com suas provas,
tal como quedas vertiginosas, ou mesmo trabalhos complicados,
impossíveis de serem encontrados, que lembram
loops fantásticos e, até mesmo, as famigeradas
provas orais que deixam os alunos com aquela expressão
final de quem acabou de passar pelo liqüidificador.
Temos de reconhecer que a prova não é
o instrumento mais completo de avaliação
da aprendizagem, logo, é o mais comum, o de mais
fácil aplicação e, portanto, o
mais utilizado, entretanto muitas Universidades já
estão mudando esse procedimento, com grande sucesso.
Em dias de provas sofremos todos, professores e alunos
(incluindo funcionários da administração),
e muitos vêem a prova como uma verdadeira batalha,
uma guerra onde o professor é o inimigo e a prova
a arma e, pode ser que em alguns casos, a recíproca
seja verdadeira. Mas por que “dois lados”,
se estamos do mesmo lado?! Não falaremos disso
agora, visto ser um assunto que merece tratamento mais
completo.
OK! Existem as provas, sua Universidade ainda não
pode adotar outros métodos, o sistema impõe
sua aplicação, é como diz o ditado:
“o que não tem remédio, remediado
está”. Aqui vão algumas dicas de
um professor, mas eterno aluno nas ciências da
cátedra e da vida. Dicas para obter sucesso nas
provas:
a) Não deixe para estudar em cima da hora –
o nosso sistema de ensino preconiza a chamada “semana
de prova” e, parece brincadeira, o pessoal deixa
para estudar no dia anterior. O resultado é uma
mistura de alhos com bugalhos, eiras sem beiras e a
aplicação daqueles recursos maravilhosos
do tipo “etc.”; e quando na hora da discussão
da prova é sempre o mesmo papo: - puxa mestre,
eu tenho certeza que o senhor sabe o que eu queria dizer!
Ou ainda escrevem: “conforme está escrito
naquele cantinho do caderno ...”.
b) Esqueça a cola “confie mais no seu taco”
- como se diz em outro ditado popular: “é
faca de dois legumes”, pois o tempo que se perde
e o desgaste emocional para usá-la pode acabar
com todas as suas chances de tirar uma nota mediana,
ou então gerar um ZERO, pois tem professor que
não aceita compactuar com a cola.
c) A cabeça deverá estar descansada –
tem gente que vai para a prova diretamente da boate,
ainda encharcado de cerveja e muito cansado. Tem aluno
que dorme durante a prova. Bem, se não roncar
e não babar na prova, eu não me incomodo.
d) Prova só se entrega no final! Tem aluno que
parece estar com as mãos embrasas. Tenha carinho
com ela, afinal de contas você estará contando
a ela tudo o que você sabe, ou que não
sabe.
e) A prova deve ser limpa e organizada – vira
e mexe encontramos provas do tipo labirinto ou quebra-cabeça.
São coisas do tipo: “querido professor,
vire à esquerda no próximo asterisco,
à direita após a última palavra
e retorne ao segundo parágrafo. Depois que inventaram
o liquid paper, tem aluno(a) achando que a prova é
para pintar, ou para colorir com o lume color. Tem umas
que ficam até bonitinhas, mas francamente, isso
é hora de desenhar?!
f) Escreva apenas o necessário – o efeito
“abóboras para que te quero” só
serve para testar a paciência do professor, que
já está cansado dessas “preciosidades
acadêmicas” e tem sempre que aturar aqueles
comentários: - “e teacher aí, não
vai considerar nada ?!“
g) Procure ser sucinto(a), mas preste atenção
para não responder de modo incompleto, pois é
muito comum encontrarmos os denominados “apoios
táticos teóricos de saída do sufoco”,
ou seja: “ e etc.; daí em diante; ...;
entre outros mais”. Em síntese, podemos,
no máximo, supor que você pensou no restante
que estaria faltando, mas que você não
escreveu, não escreveu não!
h) Para finalizar, eu sempre digo aos meus alunos: “-
CALMA, é só uma prova e nada mais!”
Eu já presenciei bons alunos, estudiosos, interessados,
que eram prejudicados pelo estado emocional, o que significa
um tremendo desperdício. Imagine isso em um concurso,
futuramente.
É isso minha gente, difícil, mas não
impossível; arraigado, mas não imutável,
pois a vida não se resume em algumas respostas
certas ou erradas em uma prova. O aluno nota “10”
não é, necessariamente, aquele que vai
se dar melhor na vida profissional, porém, quem
assiste as aulas, estuda e está sempre bem preparado,
vai tirar boa nota em qualquer tipo de avaliação
e, com certeza, vai se dar bem na vida profissional.
Continuamos recebendo seus recados, críticas,
comentários, Falem conosco, dêem sugestões,
mas lembrem-se: mantenham o bom humor, pois o mau humor
provoca envelhecimento precoce!
“Se tivesse acreditado
na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido
verdades que teimo em dizer brincando; falei como um
palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da
platéia que sorria.”
Charles Chaplin
LUÍS GUILHERME BARBOSA
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