FISIOTERAPIA A PROFISSÃO DO
FUTURO.
MAS PORQUE COMEÇAMOS A FECHAR AS PORTAS?
Pois é pessoal, fiquei sabendo que está havendo um “contra-boom” nos Cursos de Graduação em Fisioterapia em todo o País. Vários Cursos não conseguem mais fechar turmas, ou quando o fazem estas turmas são compostas de 15 e, no máximo de 20, alunos. Alguns dizem que é pela falta de emprego, pois o mercado não absorve a galera e, então, essa turma resolveu fazer Enfermagem. Outros “inspecialestas” dizem que é porque a Fisioterapia não tem resultado efetivo e que não passa de “placebão brabo”. Sei lá, num sabe, mas tem horas que me bate uma chateação muito grande com esses caras que nada entendem de sua virilha e se aventam a falar do períneo dos outros! Realmente as coisas não andam lá muito fáceis, mas não é só para a Fisioterapia não! Tem muita profissão em baixa e nem acho que estejamos em baixa, mas que o olho grande das Universidades atrapalhou muito é inegável. Quando comecei minha formação na FRASCE, em 1988, já tarde porque fui me meter na Engenharia Elétrica antes, tínhamos no Estado do Rio de Janeiro apenas seis Cursos de Fisioterapia, hoje são mais de quarenta Campus Universitário oferecendo o Curso. Já viram como está em São Paulo? E em Minas Gerais, Brasília e por aí vai? Não precisa fazer muita força para ver que isso não poderia dar certo por muito tempo. Na minha opinião até que demorou bastante. Quanto à questão de demanda não acho problemático não porque sempre haverá necessidade de fisioterapeuta. Artrose não tem remédio, na hérnia de disco temos ótimos resultados de intervenção, escoliose não tem remédio, não se consegue adaptar uma órtese e ensinar a usa-la sem a nossa intervenção. Por mais que tenham tentado nos excluir do Programa de Saúde da Família já perceberam que fica muito mais fácil quando o fisioterapeuta está lá. Logo, sempre haverá um lugar ao sol para aquele militante sério da Fisioterapia. No meu entender, o que realmente representa um problema oriundo dessa excessiva oferta de Cursos é a qualidade. Conheço muito profissional que foi dar aulas por estar desempregado. Como os Cursos tinham que ter professores não havia jeito. O pessoal entrava em sala de aula sem a menor condição, nunca poderia estar ali. Eu mesmo quando comecei a dar aulas, já fazia Docência Superior, cometi diversos erros, imagina essa galera que foi de “bicão”! Gente, a qualidade do professor é fundamental para o rendimento do aluno, aquela empatia gostosa que rola quando o sujeito vai para sua aula mesmo sendo chata porque é você que vai dar aula, é bom demais! Entretanto, entrar em uma sala de aulas onde os caras ficam lendo transparências, falando de coisas que não sabem é complicado. O aluno mais interessado do mundo reclama, imagina o que está a fim de tomar cerveja (verdade seja dita, não é parcela pequena) não vai dizer?! O problema é que esse pessoal acaba de um jeito ou de outro conseguindo o canudo, porque o professor sem convicção de suas verdades tende a ser permissivo e passa a mão na cabeça do aluno para não ter muita reclamação. Os coordenadores sempre dizem: - “professor bom é aquele que me traz solução, nunca problema!” Então, todos os enganadores buscam se esconder no silêncio, se fingem de morto, acreditam que quem não é visto não é lembrado. Ledo engano, porque quando a coordenação sabe o que está fazendo, percebe o excesso de ausência. Hora, hora, ninguém acerta sempre e, por outro lado, reclamação de aluno não significa incapacidade do professor. Na verdade tem casos que é o contrário, ou seja, quando o aluno não reclama é porque está fácil demais e o erro está no docente. Eu sempre digo que 100% dos meus alunos gostam muito de mim! Na verdade um grupo gosta muito-muito e outro grupo gosta muito-pouco, mas todos gostam muito, logo ninguém é indiferente. Pode parecer arrogante num primeiro momento, mas é importante que o aluno seja estimulado a produzir. Talvez essa seja a grande função do professor: estimular seja pelo aluno querer ser igual a ele, seja porque o aluno quer se livrar dele. Para terminar essa análise eu quero criticar os professores que ministram aula de tudo que é assunto. Esse pessoal fala de cardio, de gineco, de traumato, de respiratória, de trabalho, de órteses/próteses, de dermato, “vixe” vá ser bom assim na casa do chapéu! É demais para minha visão de honestidade com o aluno e com a profissão. Então, retorno para minha tese inicial, pois entrei por esse assunto para concluir que estamos formando profissionais muito fracos e que acabam por dinamitar o mercado, gerando na população uma falsa sensação de que a Fisioterapia não tem resolubilidade. Esses pseudo-fisioterapeutas ficam naquelas tais 10 sessões, colocam o paciente em aparelhos e nem se aproximam mais, ainda lançam na evolução a difamada “conduta mantida”, enfim fingem que tratam, mas cobram de verdade e, mais uma vez, o justo paga pelo pecador. Cabe refletir ainda que em sala de aula nossa obrigação primária é com a Fisioterapia, logo não adianta querer bancar o puxa-saco de instituição porque se ela for séria não irá ficar te exigindo ações anti-éticas.
É isso gente: estudar sempre, criticar tudo, melhorar a cada dia, ajudar quem precisar e manter os ouvidos sempre abertos. Vamos virar essa mesa e mostrar para quê viemos!
Um forte abraço aos colegas e aos alunos da UNIFESO, aos alunos do 6º período do Curso de Fisioterapia do UNIFOA (uma das melhores turmas com as quais já trabalhei) e aos formados da turma 2006.2 do Curso de Fisioterapia do UNIFOA que entre tantos carinhos comigo deram meu a sua turma. UNEC, aí estamos nós.