Coluna do Prof. Luis Guilherme
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A PROFISSÃO DO FUTURO

A Fisioterapia é uma profissão em franca evolução, disso não temos nenhuma dúvida. É considerada uma das profissões do futuro e, a cada dia, apresenta grandes resultados que ratificam sua posição em um processo dinâmico e irreversível. Poderíamos citar diversos nomes, mas não o faremos para não corrermos o risco de injustiçar algum(a) colega com a ausência e até mesmo porque teríamos que fazer uma relação muito grande e ocuparíamos nossa coluna por quanto espaço?! Entretanto, todos(as) esses(as) colegas geniais, estudiosos, “brigadores”, que trouxeram a nossa Fisioterapia até aqui, têm algo em comum: todos foram ACADÊMICOS! Isto se dá porque, como bem sabemos, não se pode dar o segundo passo sem que se tenha dado o primeiro. E assim é a vida dos Acadêmicos de Fisioterapia no Brasil, muitas vezes usados como mão-de-obra barata ou gratuita, algumas vezes supervisionados de forma inadequada, outras vezes tratados com o devido respeito, mas sempre considerados chatos. O acadêmico (no sentido amplo da palavra) é chato por natureza, por necessidade, na essência. Acadêmico que não é chato merece pagar todas as horas novamente, só que em dobro, para aprender a ser chato. Como diz Millôr Fernandes, apud Osvaldo Montenegro, na canção O Chato - “o chato é aquele que quer saber de tudo tintim por tintim e depois ainda entra em detalhes”. Frisa Montenegro: “o chato não tem defeito grave, devemos perdoar o chato”. Porém seria simplório e inocente considerarmos apenas essa característica para os nossos acadêmicos, visto que esse conjunto é formado pelos habitantes mais nobres desse planeta, os Humanos e, assim sendo, a coisa há de complicar. Então, vamos comentar alguns tipos que conhecemos ao longo desses anos de vivência dentro da profissão, e o modo como lidamos com as situações surgidas, mas mantemos a proposta interativa com você que está aí, desse lado, e se conhecer algum tipo especial, comunique-nos logo!
OS PERGUNTADORES – para tudo têm um “por que?”. Você passa todo o tempo respondendo seus por quês, tirando suas dúvidas. Fazem uma frase com cinco palavras, sendo que quatro delas são “por que?”. Mas fica fácil “pegá-los pelo pé”, basta que você deixe eles evoluírem naqueles por quês sobrepostos, ou seja, quando você começa a responder o primeiro, já surge o segundo e daí por diante. Então pergunte qual foi o primeiro “por que?”. É “batata”, na próxima eles certamente terão mais cuidado...
OS FRUSTRADOS – no fundo queriam fazer Medicina, mas por algum motivo vieram para a Fisioterapia. Na foto da formatura querem pendurar o estetoscópio no pescoço. Adoram carregar aquela maletinha preta, porém sem nada de útil dentro. Ficam extasiados se chamados de doutor(a), sabem remédios para tudo e adoram prescrever dietas hipocalóricas. Mande-os tentar novamente.
OS DESTRUIDORES – são aqueles que não podem ver um botão vermelho, pois sempre apertam primeiro e só depois é que perguntam (ou percebem) para que servia. Quando deprimidos, gostam de desabafar enquanto dão nós nos fios do TENS, ou mesmo derramam lágrimas dentro do Ondas Curtas. Adoram ficar apertando as bolinhas ou esticando o TeraBand. O local onde mais gostam de descansar é sobre as Bolas Suíças, ou sobre as Bicicletas. Fique de olho para que não se machuquem muito, mas não evite de tudo, pois sofrer também ensina!
OS RIQUINHOS – celular, pager, rádio PX, carro do ano. Camisa de linho branca, calça de linho branca e cinto de jacaré albino. Sapato de trabalho é, no mínimo, da Mr. Cat. Só gostam de almoçar em churrascarias ou em restaurantes caros. Entretanto, nem sempre são esnobes, trate-os com naturalidade, a maioria é boa gente.
OS PAQUERADORES – são conhecidos como abelhas – se não estão voando, estão fazendo cera. Sempre jogando muito charme para todos os lados e dispostos a apresentar as rotinas para os novos. É comum encontrá-los pendurados ao telefone chorando a perda de um amor, mas saem dali direto para outros braços. São legais e criativos, não se incomode se apresentarem depressão, pois acaba logo.
A GOSTOSA – é a rainha do plantão ou do turno. Perfumes fortíssimos, o batom sempre bem aplicado. Saias muito curtas, calças muito apertadas e blusas tremendamente decotadas. Saltos altíssimos e fortíssimas lombalgias ao final do plantão. Nunca consegue testar a frouxidão dos rombóides, devido ao tamanho das unhas. Cada semana apresenta uma lente de cor diferente, mas a cor dos cabelos varia mensalmente. Não há grandes problemas, basta admirá-las e prestar atenção aos pacientes alérgicos a seus perfumes fortes.
OS LERDOS – são sempre os últimos a responder as perguntas, parecem ser donos de uma preguiça eterna. Suas piadas são sempre bobas, daquelas de salão infantil (aquelas só contamos na frente da vovó) e, por outro lado, são sempre os últimos a rirem das piadas que ouvem. Vivem no mundo da lua, pensando num(a) namorado(a), num carrinho ou, quem sabe, num ursinho de pelúcia da infância... Pesam mais que o microondas, mas fique atento para cutucá-los no momento certo!
OS FILHINHOS DA MAMÃE – no início eles passam desapercebidos da galera, mas com o tempo fica fácil sacar seus esquemas em situações básicas. Sempre levam lençol e travesseiro para o plantão; a mãe liga para saber se a janta estava boa e se vai dar para tirar uma soneca; a mãe sempre liga para o supervisor para perguntar - “como vão as coisas?”, ou ainda para pedir que libere seu libelo no feriado para almoçar com a família toda. Não comem jiló, nem comida fria; não usam guardanapo de papel e cumprem todos os horários à risca. Se levam um “sacode”, eles ficam de bico; elas fazem beicinho e choram. Tenha paciência, pois uma mãe possessa pode ser perigosa!
OS DESCOMPROMISSADOS – têm sempre um problema para resolver fora do estágio. Nunca sabem onde estão as coisas. O paciente nunca é deles. Nunca ficam para o grupo de estudos. Nunca querem responder às perguntas. Costumam usar a seguinte expressão para quase tudo: “- Isso não é prioritário!” Não sabem dia nem matéria das provas. Não sabem as notas, muito menos se foram aprovados ou não. Devemos aplicar aquela teoria da vovó, que dizia que orelha também foi feita para ser puxada.
OS SABIDÕES – você nem perguntou, mas ele já respondeu, mesmo que esteja errado. É o líder do grupo, mas não contou para ninguém. Conhece todos os livros de Fisioterapia, inclusive aqueles que estão no prelo, ainda. Só tira nota alta, mas nunca mostra o boletim. Não se irrite, pois eles irão sentindo que o isolamento não é confortável e baixarão a bola.
E então, colega, caracterizou seus acadêmicos? E você, acadêmico, identificou-se com algum tipo, ou será um híbrido? Mande-nos suas sugestões, seus tipos conhecidos! Falem conosco, dêem sugestões, continuem enviando seus comentários, eles são por demais importantes. Contudo, não esqueçam: mantenham o bom humor, sempre !.

“Mestre é aquele que sabe respeitar a personalidade do aprendiz, para que se desenvolva livremente.”
Sérgio Milliet

LUÍS GUILHERME BARBOSA
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Revista Fisio&terapia 2006