| A PROFISSÃO DO
FUTURO
A Fisioterapia é uma profissão em franca
evolução, disso não temos nenhuma
dúvida. É considerada uma das profissões
do futuro e, a cada dia, apresenta grandes resultados
que ratificam sua posição em um processo
dinâmico e irreversível. Poderíamos
citar diversos nomes, mas não o faremos para
não corrermos o risco de injustiçar algum(a)
colega com a ausência e até mesmo porque
teríamos que fazer uma relação
muito grande e ocuparíamos nossa coluna por quanto
espaço?! Entretanto, todos(as) esses(as) colegas
geniais, estudiosos, “brigadores”, que trouxeram
a nossa Fisioterapia até aqui, têm algo
em comum: todos foram ACADÊMICOS! Isto se dá
porque, como bem sabemos, não se pode dar o segundo
passo sem que se tenha dado o primeiro. E assim é
a vida dos Acadêmicos de Fisioterapia no Brasil,
muitas vezes usados como mão-de-obra barata ou
gratuita, algumas vezes supervisionados de forma inadequada,
outras vezes tratados com o devido respeito, mas sempre
considerados chatos. O acadêmico (no sentido amplo
da palavra) é chato por natureza, por necessidade,
na essência. Acadêmico que não é
chato merece pagar todas as horas novamente, só
que em dobro, para aprender a ser chato. Como diz Millôr
Fernandes, apud Osvaldo Montenegro, na canção
O Chato - “o chato é aquele que quer saber
de tudo tintim por tintim e depois ainda entra em detalhes”.
Frisa Montenegro: “o chato não tem defeito
grave, devemos perdoar o chato”. Porém
seria simplório e inocente considerarmos apenas
essa característica para os nossos acadêmicos,
visto que esse conjunto é formado pelos habitantes
mais nobres desse planeta, os Humanos e, assim sendo,
a coisa há de complicar. Então, vamos
comentar alguns tipos que conhecemos ao longo desses
anos de vivência dentro da profissão, e
o modo como lidamos com as situações surgidas,
mas mantemos a proposta interativa com você que
está aí, desse lado, e se conhecer algum
tipo especial, comunique-nos logo!
OS PERGUNTADORES – para tudo têm um “por
que?”. Você passa todo o tempo respondendo
seus por quês, tirando suas dúvidas. Fazem
uma frase com cinco palavras, sendo que quatro delas
são “por que?”. Mas fica fácil
“pegá-los pelo pé”, basta
que você deixe eles evoluírem naqueles
por quês sobrepostos, ou seja, quando você
começa a responder o primeiro, já surge
o segundo e daí por diante. Então pergunte
qual foi o primeiro “por que?”. É
“batata”, na próxima eles certamente
terão mais cuidado...
OS FRUSTRADOS – no fundo queriam fazer Medicina,
mas por algum motivo vieram para a Fisioterapia. Na
foto da formatura querem pendurar o estetoscópio
no pescoço. Adoram carregar aquela maletinha
preta, porém sem nada de útil dentro.
Ficam extasiados se chamados de doutor(a), sabem remédios
para tudo e adoram prescrever dietas hipocalóricas.
Mande-os tentar novamente.
OS DESTRUIDORES – são aqueles que não
podem ver um botão vermelho, pois sempre apertam
primeiro e só depois é que perguntam (ou
percebem) para que servia. Quando deprimidos, gostam
de desabafar enquanto dão nós nos fios
do TENS, ou mesmo derramam lágrimas dentro do
Ondas Curtas. Adoram ficar apertando as bolinhas ou
esticando o TeraBand. O local onde mais gostam de descansar
é sobre as Bolas Suíças, ou sobre
as Bicicletas. Fique de olho para que não se
machuquem muito, mas não evite de tudo, pois
sofrer também ensina!
OS RIQUINHOS – celular, pager, rádio PX,
carro do ano. Camisa de linho branca, calça de
linho branca e cinto de jacaré albino. Sapato
de trabalho é, no mínimo, da Mr. Cat.
Só gostam de almoçar em churrascarias
ou em restaurantes caros. Entretanto, nem sempre são
esnobes, trate-os com naturalidade, a maioria é
boa gente.
OS PAQUERADORES – são conhecidos como abelhas
– se não estão voando, estão
fazendo cera. Sempre jogando muito charme para todos
os lados e dispostos a apresentar as rotinas para os
novos. É comum encontrá-los pendurados
ao telefone chorando a perda de um amor, mas saem dali
direto para outros braços. São legais
e criativos, não se incomode se apresentarem
depressão, pois acaba logo.
A GOSTOSA – é a rainha do plantão
ou do turno. Perfumes fortíssimos, o batom sempre
bem aplicado. Saias muito curtas, calças muito
apertadas e blusas tremendamente decotadas. Saltos altíssimos
e fortíssimas lombalgias ao final do plantão.
Nunca consegue testar a frouxidão dos rombóides,
devido ao tamanho das unhas. Cada semana apresenta uma
lente de cor diferente, mas a cor dos cabelos varia
mensalmente. Não há grandes problemas,
basta admirá-las e prestar atenção
aos pacientes alérgicos a seus perfumes fortes.
OS LERDOS – são sempre os últimos
a responder as perguntas, parecem ser donos de uma preguiça
eterna. Suas piadas são sempre bobas, daquelas
de salão infantil (aquelas só contamos
na frente da vovó) e, por outro lado, são
sempre os últimos a rirem das piadas que ouvem.
Vivem no mundo da lua, pensando num(a) namorado(a),
num carrinho ou, quem sabe, num ursinho de pelúcia
da infância... Pesam mais que o microondas, mas
fique atento para cutucá-los no momento certo!
OS FILHINHOS DA MAMÃE – no início
eles passam desapercebidos da galera, mas com o tempo
fica fácil sacar seus esquemas em situações
básicas. Sempre levam lençol e travesseiro
para o plantão; a mãe liga para saber
se a janta estava boa e se vai dar para tirar uma soneca;
a mãe sempre liga para o supervisor para perguntar
- “como vão as coisas?”, ou ainda
para pedir que libere seu libelo no feriado para almoçar
com a família toda. Não comem jiló,
nem comida fria; não usam guardanapo de papel
e cumprem todos os horários à risca. Se
levam um “sacode”, eles ficam de bico; elas
fazem beicinho e choram. Tenha paciência, pois
uma mãe possessa pode ser perigosa!
OS DESCOMPROMISSADOS – têm sempre um problema
para resolver fora do estágio. Nunca sabem onde
estão as coisas. O paciente nunca é deles.
Nunca ficam para o grupo de estudos. Nunca querem responder
às perguntas. Costumam usar a seguinte expressão
para quase tudo: “- Isso não é prioritário!”
Não sabem dia nem matéria das provas.
Não sabem as notas, muito menos se foram aprovados
ou não. Devemos aplicar aquela teoria da vovó,
que dizia que orelha também foi feita para ser
puxada.
OS SABIDÕES – você nem perguntou,
mas ele já respondeu, mesmo que esteja errado.
É o líder do grupo, mas não contou
para ninguém. Conhece todos os livros de Fisioterapia,
inclusive aqueles que estão no prelo, ainda.
Só tira nota alta, mas nunca mostra o boletim.
Não se irrite, pois eles irão sentindo
que o isolamento não é confortável
e baixarão a bola.
E então, colega, caracterizou seus acadêmicos?
E você, acadêmico, identificou-se com algum
tipo, ou será um híbrido? Mande-nos suas
sugestões, seus tipos conhecidos! Falem conosco,
dêem sugestões, continuem enviando seus
comentários, eles são por demais importantes.
Contudo, não esqueçam: mantenham o bom
humor, sempre !.
“Mestre
é aquele que sabe respeitar a personalidade do
aprendiz, para que se desenvolva livremente.”
Sérgio Milliet
LUÍS GUILHERME BARBOSA
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